Preços de carros passam a seguir dinâmicas diferentes conforme o segmento, mostra estudo
Levantamento da Kelley Blue Book Brasil e da Acrefi indica que novos, seminovos, usados e eletrificados deixaram de responder de forma homogênea ao mercado
César Tizo - julho 24, 2026
O mercado automotivo brasileiro passa por uma mudança na forma como os preços dos veículos são definidos. Segundo a 75ª edição do Monitor AutoAcrefi, elaborado pela Kelley Blue Book (KBB) Brasil em parceria com a Acrefi, carros novos, seminovos, usados e eletrificados deixaram de responder de maneira uniforme às condições de mercado, passando a apresentar dinâmicas próprias de valorização e desvalorização. O estudo aponta que fatores como evolução tecnológica, eletrificação, renovação dos modelos, oferta e demanda têm exercido influência crescente sobre o valor dos automóveis.
O levantamento analisou 23.622 versões de automóveis e comerciais leves comercializados no Brasil, abrangendo modelos 0 km, seminovos (até três anos de uso) e usados (entre quatro e 20 anos). O objetivo é acompanhar a evolução dos preços praticados no mercado e oferecer um panorama das tendências observadas no setor automotivo.
Em junho, a acomodação dos preços permaneceu presente no mercado, porém de forma diferente entre os segmentos. Na média nacional, os veículos 0 km registraram retração de 0,45%, enquanto os seminovos apresentaram queda de 0,78% e os usados recuaram 0,54%. Para a entidade, esses resultados evidenciam que a idade do veículo deixou de ser o único fator determinante para explicar a formação dos preços.
Na avaliação da Acrefi, a maior diversidade de tecnologias disponíveis, a chegada de novas fabricantes ao mercado brasileiro, a expansão dos veículos eletrificados e as mudanças no comportamento do consumidor tornaram a precificação mais complexa do que em anos anteriores. Com isso, categorias semelhantes passaram a reagir de maneira distinta às mesmas condições econômicas.
Evolução tecnológica, eletrificação, renovação dos modelos, oferta e demanda têm exercido influência crescente sobre o valor dos automóveis
Essa diferença de comportamento aparece também na comparação entre categorias. Entre os seminovos, por exemplo, os SUVs registraram retração média de 1,07% em junho, enquanto os sedãs apresentaram queda de 0,29% e os roadsters tiveram leve valorização de 0,05%. Já entre os usados, as station wagons avançaram 0,31%, ao passo que SUVs e picapes recuaram 0,80% e 0,68%, respectivamente. Os resultados reforçam que diferentes segmentos passaram a seguir trajetórias próprias de precificação.
Outro fator destacado pela entidade é o avanço da eletrificação. Segundo a Acrefi, a ampliação da oferta de veículos elétricos e híbridos, aliada ao crescimento da infraestrutura de recarga no país, tende a reduzir uma das principais barreiras para a adoção dessa tecnologia e pode influenciar não apenas a demanda, mas também a liquidez e o valor residual desses modelos no mercado de usados.
Nesse contexto, o estudo avalia que a evolução tecnológica também acelera o ritmo de renovação dos veículos disponíveis no mercado, reduzindo a previsibilidade da desvalorização baseada apenas na idade do automóvel. Como consequência, consumidores, instituições financeiras e empresas da cadeia automotiva passam a demandar análises mais detalhadas para compreender o comportamento de cada segmento.
Para Cintia Falcão, diretora executiva da Acrefi, o mercado automotivo brasileiro deixou de responder de forma homogênea aos mesmos estímulos econômicos. Segundo a executiva, tecnologia, eletrificação, disponibilidade de infraestrutura e comportamento da demanda passaram a exercer influência crescente sobre a formação dos preços, tornando a dinâmica de cada segmento mais independente e exigindo avaliações mais aprofundadas por parte dos agentes do setor.
O Monitor AutoAcrefi é produzido mensalmente pela Kelley Blue Book Brasil em parceria com a Acrefi e utiliza como referência a base de preços da KBB Brasil para acompanhar as oscilações dos valores de automóveis e comerciais leves comercializados no país. O estudo compara os resultados nacionais do mês com as médias observadas no período anterior e com o comportamento registrado ao longo de 2025.
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