Toyota perde vendas na América Latina em meio ao avanço das marcas chinesas
Fabricante também enfrenta retração na China, custos maiores e paralisações no Japão, o que deverá provocar nova queda no lucro trimestral
César Tizo - agosto 3, 2026
A Toyota enfrenta maior pressão das fabricantes chinesas em diferentes regiões do mundo, incluindo a América Latina. As vendas conjuntas de veículos Toyota e Lexus recuaram 5% na América Central e do Sul durante o primeiro trimestre do atual exercício fiscal da companhia.
A queda regional ocorre enquanto BYD, GWM, Chery e outras empresas chinesas aceleram lançamentos, ampliam suas redes e instalam fábricas em países estratégicos. O Brasil tornou-se um dos principais focos dessa expansão, com unidades produtivas da BYD em Camaçari (BA) e da GWM em Iracemápolis (SP).
Segundo o analista Christopher Richter, da CLSA, ouvido pela Reuters, a Toyota também apresentou desempenho mais fraco na Oceania e na América Latina, justamente regiões em que as marcas chinesas avançam de maneira mais agressiva. Na Oceania, a retração da fabricante japonesa chegou a 16%.
O cenário mais desafiador, contudo, está na própria China. As vendas de Toyota e Lexus caíram 28% no país durante o período. A fabricante precisa lidar com uma concorrência baseada em preços, atualizações frequentes e rápida introdução de tecnologias relacionadas à eletrificação, conectividade e assistência à condução.
Considerando todos os mercados, Toyota e Lexus comercializaram pouco mais de 2,5 milhões de veículos no trimestre, queda de 3% na comparação anual. A redução na China e no Oriente Médio superou o crescimento registrado nos Estados Unidos.
Lucro deve recuar pelo quinto trimestre seguido
A expectativa de oito analistas consultados pela LSEG é de que a Toyota reporte lucro operacional de 1,11 trilhão de ienes no trimestre encerrado em junho. Se confirmado, o resultado representará queda de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Será a quinta retração trimestral consecutiva do indicador. Além da redução das vendas em alguns mercados, a Toyota enfrenta custos mais altos em sua cadeia de fornecedores.
O conflito no Oriente Médio elevou os preços de matérias-primas como alumínio e nafta, além de dificultar o transporte de veículos para a região. As vendas da empresa no Oriente Médio caíram aproximadamente um terço no trimestre.
Nos Estados Unidos, a troca de geração do RAV4 também limitou temporariamente o desempenho comercial. A fabricante está substituindo o modelo anterior pelo novo SUV, um de seus produtos globais mais importantes.
Toyota RAV4 2026 vendido nos EUA
Terremoto interrompe fábricas japonesas
Outro ponto de atenção é o terremoto que atingiu a ilha de Kyushu, no sul do Japão, na semana passada. O evento afetou fornecedores e levou a Toyota a suspender temporariamente as atividades em quatro fábricas japonesas, duas delas responsáveis pela montagem de veículos.
Três unidades da região permanecerão paralisadas até quarta-feira, enquanto outra fábrica no centro do Japão teve a produção interrompida até sexta-feira.
A Aisin, uma das principais fornecedoras da Toyota, ainda não informou quando poderá retomar completamente a operação em uma unidade danificada próxima ao epicentro. A empresa mobilizou aproximadamente 200 funcionários para os trabalhos de recuperação.
Ainda não há confirmação de impactos sobre veículos ou componentes destinados ao Brasil. A duração das paralisações e a disponibilidade de peças serão determinantes para avaliar eventuais reflexos nas operações internacionais.
Pressão também aumenta no Brasil
Apesar de manter uma posição consolidada no mercado brasileiro, a Toyota encontra concorrência crescente em segmentos nos quais anteriormente enfrentava um número menor de participantes.
Corolla e Corolla Cross, por exemplo, passaram a disputar consumidores com uma oferta maior de modelos híbridos e híbridos plug-in. BYD, GWM, Omoda & Jaecoo, GAC, Geely e outras fabricantes ampliaram a presença nesses segmentos, muitas vezes adotando listas extensas de equipamentos e preços competitivos.
A Toyota procura responder com a renovação de seus produtos e a ampliação da oferta de sistemas híbridos flex. A produção local continua sendo uma vantagem importante, mas a evolução das marcas chinesas indica que a disputa na América Latina não estará restrita aos veículos importados.
O próximo balanço da Toyota deverá indicar se a empresa manterá a projeção de lucro operacional de 3 trilhões de ienes para o atual exercício fiscal. Investidores também aguardam informações sobre a recuperação das fábricas japonesas e o desempenho comercial do novo RAV4.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.