Tiggo 5x híbrido faz quase 20 km/l em teste e antecipa o que veremos no Brasil
Versão híbrida plena surpreendeu pelo desempenho e chegou perto de percorrer 20 km/l em avaliação na África do Sul
César Tizo - agosto 9, 2026
A CAOA Chery prepara para este trimestre uma importante novidade para a gama do Tiggo 5x no Brasil. Depois de apostar por alguns anos no sistema micro-híbrido de 48 V, o SUV compacto vai ganhar uma configuração híbrida plena, ou HEV, capaz de aprimorar de maneira consistente o nível de eficiência do modelo.
Embora o novo Tiggo 5x híbrido ainda não tenha sido lançado no mercado brasileiro, uma configuração bastante semelhante já está disponível na África do Sul, onde recebe o nome Tiggo Cross HEV. O modelo foi submetido a uma avaliação completa pelos colegas do Cars.co.za, permitindo antecipar algumas das principais características da novidade que poderemos encontrar por aqui.
E, de maneira geral, a primeira impressão foi positiva. O site sul-africano destacou especialmente o baixo consumo, o desempenho acima da média e a relação entre preço e equipamentos. Em contrapartida, apontou que o conjunto perde refinamento quando exigido com maior intensidade.
Conjunto híbrido pleno muda bastante o Tiggo
O Tiggo Cross HEV avaliado na África do Sul utiliza motor 1.5 aspirado a gasolina associado a um propulsor elétrico e bateria de 1,83 kWh. O sistema entrega potência combinada de aproximadamente 204 cv e torque máximo de 31,6 kgfm, enviados às rodas dianteiras por meio de uma transmissão dedicada para híbridos, chamada DHT.
É uma arquitetura bem diferente daquela encontrada no Tiggo 5x Hybrid que já foi vendido no Brasil. Na opção que conhecíamos até então, o sistema micro-híbrido de 48 V funcionava essencialmente como um auxílio ao motor 1.5 turbo flex e não era capaz de oferecer qualquer tipo de tração adicional ao SUV.
Na configuração híbrida plena, a eletrificação assume um papel muito mais relevante. Segundo a representação sul-africana da Chery, o sistema pode trabalhar em quatro situações principais: modo puramente elétrico, híbrido em série, híbrido em paralelo e recuperação de energia. Em baixas velocidades no trânsito urbano, por exemplo, o sistema prioriza o motor elétrico.
Para o Brasil, é muito provável que a CAOA Chery aproveite seu time de engenharia local para trabalhar em ajustes específicos na tropicalização do projeto. O Tiggo 5x híbrido também já deverá estrear com propulsão bicombustível, podendo aceitar etanol.
Chery Tiggo 4 Cross HEV vendido na África do Sul
Desempenho surpreendeu no teste
Se existe uma característica que chamou imediatamente a atenção dos avaliadores foi o desempenho.
No teste instrumental realizado pelo Cars.co.za, o Tiggo Cross HEV acelerou de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos, utilizando o modo Sport. É um resultado elogiável para um SUV compacto pensado prioritariamente para eficiência.
Os jornalistas destacaram justamente que híbridos convencionais costumam priorizar economia em detrimento de acelerações mais vigorosas, enquanto o Chery consegue combinar as duas características, algo que o Toyota Yaris Cross eletrificado, por exemplo, deixa a desejar.
Há, entretanto, uma contrapartida.
Quando toda a potência é solicitada, o funcionamento do conjunto foi considerado pouco refinado. Segundo a avaliação, o motor passa a trabalhar em rotações elevadas e o ruído invade mais a cabine. A transmissão DHT não é tecnicamente um câmbio CVT, mas seu funcionamento sob aceleração forte foi considerado semelhante, inclusive pela sensação sonora contínua típica desse tipo de câmbio.
Portanto, os cerca de 204 cv sugerem um Tiggo 5x bastante ágil nas acelerações e retomadas, mas não necessariamente com uma proposta esportiva.
Detalhe do conjunto DHT/e-transmission do Tiggo Cross HEV
Quase 20 km/l no uso real
Talvez o dado mais interessante para quem aguarda o Tiggo 5x HEV no Brasil esteja no consumo de combustível.
A Chery divulga na África do Sul consumo combinado de 5,4 l/100 km para o modelo, equivalente a 18,5 km/l. Durante a avaliação do Cars.co.za, entretanto, o SUV conseguiu um número ainda melhor: 5,1 l/100 km, ou 19,6 km/l.
Em congestionamentos, conduzido de maneira suave e utilizando o modo Eco, o computador chegou a registrar números na faixa dos 4 l/100 km (25 km/l). A marca anuncia ainda autonomia total próxima de 1.000 km com um tanque de gasolina.
Naturalmente, esses resultados não podem ser diretamente aplicados para o Brasil. Além das diferenças de ciclo de homologação, combustível, trânsito e condições climáticas, uma eventual configuração flex desenvolvida para nosso mercado poderá apresentar números diferentes.
Ainda assim, o teste deixa claro onde está uma das maiores evoluções potenciais do novo Tiggo 5x: a economia de combustível, aspecto em que as atuais versões 1.5 turbo flex, exclusivamente a combustão, estão longe de ser referência. Essa evolução, inclusive, deverá ser significativamente superior à proporcionada pelo sistema micro-híbrido de 48 V, que deixou o portfólio do SUV nacional com a estreia da linha 2027, já abrindo caminho para a chegada da versão HEV.
Chery Tiggo 4 Cross HEV vendido na África do Sul
Quanto mais tranquilo o motorista, melhor
Curiosamente, os jornalistas sul-africanos observaram que o Tiggo Cross HEV recompensa um estilo específico de condução.
Motoristas que aceleram progressivamente, aproveitam a inércia e deixam o sistema híbrido administrar a energia conseguem extrair o melhor resultado do conjunto. Em uso urbano, justamente o ambiente no qual os híbridos plenos apresentam suas maiores vantagens, o Chery mostrou-se particularmente eficiente.
Por outro lado, quem costuma dirigir de maneira mais agressiva poderá se incomodar com o aumento de ruído e com a sensação de esforço do motor a combustão.
É uma característica relativamente comum entre híbridos focados em eficiência, mas que merece atenção diante dos números elevados de potência apresentados pelo Chery. Os 204 cv sugerem esportividade no papel, enquanto a experiência ao volante parece priorizar suavidade e baixo consumo.
Chery Tiggo 4 Cross HEV vendido na África do Sul
Suspensão agradou, direção exigiu ajuste
O comportamento dinâmico também recebeu avaliação predominantemente positiva.
A unidade testada utilizava pneus 215/60 R17, com perfil relativamente alto, que ajudaram a suspensão a absorver irregularidades. Os jornalistas consideraram o acerto equilibrado: sem excesso de firmeza e, ao mesmo tempo, sem transmitir sensação demasiadamente macia ou flutuante.
Essa característica pode ser particularmente interessante no Brasil, considerando a qualidade irregular do pavimento de muitas cidades.
A direção elétrica, porém, causou uma impressão ruim inicialmente. Em sua configuração padrão, foi considerada excessivamente leve e pouco comunicativa. A situação melhorou significativamente depois que os avaliadores selecionaram o ajuste Sport disponível pela central multimídia, deixando a assistência mais firme e rápida.
Isolamento acústico merece atenção
Outro ponto que deverá ser observado quando o Tiggo 5x HEV brasileiro chegar às nossas mãos é o isolamento acústico.
O Cars.co.za percebeu ruído de rodagem relativamente presente na cabine, além da maior presença sonora do motor quando o acelerador era pressionado com intensidade. A unidade avaliada também apresentou alguns pequenos rangidos internos, apesar de estar praticamente nova.
Vale ressaltar que os próprios jornalistas levantaram a possibilidade de alguns desses problemas serem específicos daquele veículo de imprensa.
Em contrapartida, acabamento e apresentação interna foram elogiados. A avaliação destacou a boa percepção de qualidade para a faixa de preço, os revestimentos agradáveis ao toque e a ergonomia satisfatória, apesar da grande concentração de comandos em telas.
Detalhe do propulsor 1.5 térmico aplicado no Tiggo 4 Cross HEV na África do Sul
Equipamentos podem reforçar o custo-benefício
Na África do Sul, o Tiggo Cross HEV é vendido nas versões Comfort e Elite. Ambas utilizam duas telas de 10,25″, divididas entre o painel de instrumentos e a central multimídia, e oferecem Apple CarPlay e Android Auto sem fio, carregador de smartphones por indução e saídas de ventilação para os passageiros traseiros.
A configuração Elite acrescenta um pacote amplo de assistência à condução, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistência de mudança de faixa e câmeras com visão 360º. Há ainda 7 airbags nessa versão.
Naturalmente, a CAOA Chery poderá montar pacotes diferentes no Brasil.
Considerando que o atual Tiggo 5x Pro vendido por aqui já dispõe de uma oferta competitiva de equipamentos, entretanto, é razoável esperar que a futura variante HEV ocupe uma posição mais sofisticada dentro da família.
O que esperar do Tiggo 5x HEV brasileiro?
A conclusão do Cars.co.za talvez seja o melhor indicativo do potencial da novidade: entre as versões do Tiggo Cross comercializadas naquele mercado, os jornalistas escolheriam justamente a híbrida. Eficiência, desempenho, equipamentos e custo-benefício foram os principais argumentos.
Traduzindo a experiência para nossa realidade, o futuro Tiggo 5x HEV parece ter três atributos particularmente promissores: consumo significativamente menor, desempenho consistente e maior participação do motor elétrico no uso urbano.
A ressalva está no refinamento. A unidade sul-africana mostrou que, apesar dos números expressivos de potência, o sistema híbrido trabalha melhor quando conduzido de maneira progressiva do que quando constantemente exigido no limite.
É justamente nesse aspecto que a calibração preparada pela CAOA Chery para o Brasil poderá fazer diferença.
Se a fabricante conseguir preservar a eficiência próxima dos 20 km/l observada no teste, ao mesmo tempo em que aprimorar a integração entre motor a combustão, propulsor elétrico e transmissão DHT, o Tiggo 5x HEV poderá representar um salto significativo não só para o portfólio do SUV, bem como acirrar a disputa na categoria. A conferir.
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