Resumo de notícias | Leapmotor B03 surpreende em preço e novo BYD promete 2.370 km de autonomia
Pré-venda do compacto elétrico, novo Seal 06, mudança da GM em baterias e avanço da Hyundai com IA movimentam o setor automotivo internacional
César Tizo - agosto 12, 2026
A indústria automotiva começou esta quarta-feira (12) com novidades relevantes em diferentes frentes. Na China, a Leapmotor finalmente revelou quanto cobrará pelo A05, hatch que adotará o nome B03 nos mercados internacionais e que já está em testes no Brasil. A BYD, por sua vez, elevou novamente a aposta em autonomia, recarga e assistência à condução com a linha 2027 do Seal 06.
Enquanto as fabricantes chinesas continuam pressionando preços e democratizando tecnologias antes restritas a segmentos superiores, a General Motors promove ajustes importantes em sua estratégia nos Estados Unidos diante da desaceleração na demanda por carros elétricos. A Hyundai completa o radar acelerando o uso de inteligência artificial em áreas que vão do desenvolvimento de veículos ao atendimento ao consumidor.
Leapmotor B03 estreia mais barato que Dolphin Mini e Geely EX2
A principal novidade para o mercado brasileiro vem da Leapmotor. Como o Guru dos Carros relatou, o A05 será comercializado internacionalmente como B03 e um exemplar camuflado já foi flagrado em testes pelas ruas de São Paulo. Agora, o hatch elétrico teve sua pré-venda aberta na China e ganhou um importante elemento para dimensionarmos seu posicionamento: o preço.
A configuração de entrada parte de 63.900 yuans, enquanto a mais cara chega a 90.900 yuans. Como referência, o BYD Seagull, conhecido no Brasil como Dolphin Mini, começa em 69.800 yuans no mercado chinês. Já o Geely Xingyuan, comercializado por aqui como EX2, parte de 64.800 yuans. Ou seja, em sua versão mais acessível, o Leapmotor consegue ficar abaixo dos dois rivais diretos.
A gama chinesa terá cinco configurações e autonomias de 405 km ou 510 km, dependendo da versão, além da possibilidade de sensor LiDAR nos modelos superiores. Na apresentação internacional do produto, a própria Leapmotor havia informado autonomia de até 510 km pelo ciclo WLTC, ainda sujeita à homologação definitiva.
Para o Brasil, o dado mais interessante é justamente o agressivo posicionamento adotado na China. A Leapmotor ainda não confirmou oficialmente a comercialização do B03 por aqui, mas o fato de o carro já circular em testes no país mostra que ele está, no mínimo, sendo avaliado pela operação nacional. Caso chegue às lojas, poderá ampliar a disputa entre os elétricos compactos hoje protagonizada principalmente por BYD e Geely.
Leapmotor B03: designação global do A05 lançado na China
BYD Seal 06 chega a 2.370 km de autonomia combinada
Também na China, a BYD lançou a linha 2027 do Seal 06 com nada menos que 12 configurações divididas entre versões totalmente elétricas e híbridas plug-in DM-i. Os preços variam de 99.900 a 155.900 yuans.
Entre os elétricos, a autonomia chega a 630 km pelo ciclo CLTC. O modelo passa a utilizar a segunda geração da bateria Blade e arquitetura elétrica de 800 V, além de tecnologia de recarga ultrarrápida. Segundo a BYD, em condições ideais a bateria pode ser praticamente recarregada por completo em cerca de nove minutos.
A configuração híbrida plug-in chama ainda mais atenção pelos números. Com bateria de 34,2 kWh e tanque de 65 litros, o Seal 06 DM-i percorre até 320 km somente no modo elétrico e atinge autonomia combinada de 2.370 km segundo o ciclo chinês CLTC. Naturalmente, são números obtidos em um padrão de homologação bastante otimista e que não podem ser comparados diretamente aos resultados do Inmetro.
A linha 2027 também mostra outro movimento cada vez mais evidente entre as fabricantes chinesas: a disseminação do LiDAR para faixas de preço menores. Versões superiores do Seal 06 passam a utilizar o sistema de assistência God’s Eye com o sensor, oferecendo recursos de navegação assistida em rodovias e cidades, além de estacionamento automatizado.
BYD Seal 06 2027
GM deixa parceria em fábrica de baterias com a Samsung
Nos Estados Unidos, o cenário é diferente. A Samsung SDI anunciou que comprará a participação de 49,99% da General Motors na fábrica de baterias que as duas empresas desenvolviam conjuntamente no estado de Indiana. Segundo as companhias, a decisão considera, entre outros fatores, o crescimento mais lento do que o esperado da demanda por veículos elétricos.
Quando anunciada, a joint venture previa aproximadamente US$ 3,5 bilhões em investimentos, capacidade inicial de 27 GWh por ano e início da produção em massa em 2027. Agora, a Samsung SDI assumirá o controle integral do empreendimento e informou que os planos de investimento serão revistos. A instalação poderá atender tanto automóveis elétricos quanto sistemas estacionários de armazenamento de energia.
A saída da GM, contudo, não significa o fim da cooperação entre as duas empresas. Samsung SDI e General Motors assinaram paralelamente um acordo para desenvolver em conjunto uma nova geração de baterias prismáticas destinada a futuros veículos elétricos.
O movimento é mais um sinal de como fabricantes tradicionais estão recalibrando investimentos feitos durante o período em que se esperava uma adoção muito mais rápida dos carros elétricos nos Estados Unidos.
GM separa US$ 4,5 bilhões para evitar falta de componentes
Em outra iniciativa relacionada à operação industrial, a General Motors criou uma estrutura financeira de US$ 4,5 bilhões destinada a garantir o fornecimento de componentes considerados críticos.
Pelo acordo, uma empresa externa chamada Procura Auto Parts poderá adquirir determinados componentes diretamente dos fornecedores e mantê-los disponíveis para a GM. A fabricante pretende, dessa forma, proteger sua produção contra interrupções provocadas por situações como desastres naturais, ataques cibernéticos ou aumentos inesperados da demanda.
O acordo terá duração de três anos e também permite que a GM aumente sua segurança de abastecimento sem precisar imobilizar diretamente todo o capital necessário para formar esses estoques. A companhia não revelou quais componentes fazem parte da lista considerada estratégica.
A iniciativa mostra como as sucessivas crises de fornecimento dos últimos anos, especialmente de semicondutores, continuam influenciando a organização das grandes fabricantes mesmo após a normalização de boa parte das cadeias globais.
Hyundai leva IA do desenvolvimento ao atendimento
A Hyundai Motor Group também apresentou nesta quarta-feira novos resultados de sua estratégia de adoção de inteligência artificial. Segundo o grupo, mais de 30 mil funcionários já utilizam sua plataforma interna H Chat Pro, que integra diferentes ferramentas de IA generativa. O número corresponde a cerca de 80% dos funcionários administrativos da Hyundai e da Kia.
As aplicações já chegam à engenharia, fábricas, manutenção e atendimento. A companhia afirma ter reduzido em aproximadamente 90% o tempo necessário para determinadas análises relacionadas à segurança em colisões, em 86% paralisações desnecessárias na produção e em cerca de 42% o tempo de resposta em processos de manutenção.
Um exemplo mais próximo do consumidor está na análise de avaliações feitas por clientes. Segundo a Hyundai, o tempo médio de processamento de cada avaliação caiu de 35 para aproximadamente cinco minutos. A partir de setembro, a intenção é automatizar completamente o processo de elaboração das respostas.
Mais do que simplesmente colocar inteligência artificial dentro dos carros, portanto, a estratégia evidencia uma transformação que deverá ficar cada vez mais presente nos bastidores do setor: utilizar IA para reduzir o tempo de desenvolvimento, aumentar a eficiência das fábricas e acelerar a identificação de problemas relatados pelos próprios clientes.
Resumo
O resumo das notícias desta quarta-feira também ajuda a mostrar dois movimentos paralelos da indústria. De um lado, fabricantes chinesas continuam elevando a quantidade de tecnologia oferecida enquanto pressionam os preços para baixo. De outro, grandes grupos tradicionais revêm investimentos, reforçam suas cadeias produtivas e buscam ganhos de eficiência para acompanhar um mercado que está mudando em velocidade cada vez maior.
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