SUV híbrido plug-in ou elétrico: qual é mais barato de manter?
Leitor está em dúvida entre o Geely EX5 elétrico ou o BYD Song Pro levando em conta o custo de propriedade; confira análise
César Tizo - agosto 25, 2026
Qual seria o melhor custo-benefício e mais barato de manter: um carro totalmente elétrico ou um híbrido plug-in? Levando em conta as revisões e o custo de manutenção, estou pensando em um Geely EX5 elétrico ou um BYD Song Pro – pergunta enviada por Carlos
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Carlos, obrigado por compartilhar sua dúvida e participar do Guru dos Carros!
Essa é uma análise bastante interessante porque Geely EX5 e BYD Song Pro mostram justamente as vantagens e limitações das duas principais formas de eletrificação disponíveis hoje.
Se considerarmos principalmente custos de revisão, manutenção preventiva e energia para rodar, o carro 100% elétrico leva vantagem. Portanto, entre os dois modelos citados, nossa sugestão tenderia ao Geely EX5.
Existe, entretanto, uma condição importante para que essa recomendação faça sentido: você precisa ter uma solução conveniente para efetuar as recargas do carro, idealmente em casa ou no trabalho.
Caso isso não seja possível ou você faça viagens rodoviárias longas com muita frequência, o Song Pro começa a fazer mais sentido.
Elétrico é mecanicamente muito mais simples
Quando analisamos apenas a manutenção, existe uma vantagem estrutural do carro elétrico que dificilmente um híbrido plug-in consegue superar.
O Geely EX5 não possui motor a combustão, portanto dispensa óleo lubrificante, velas, sistema de escapamento e diversos outros componentes mecânicos que se desgastam e estão presentes em um automóvel convencional.
O BYD Song Pro, por outro lado, reúne praticamente dois sistemas de propulsão em um único carro. Ele tem bateria de tração, motor elétrico e também o propulsor 1.5 térmico.
O ponto é simplesmente matemático: quanto menor o número de sistemas mecânicos sujeitos a desgaste e manutenção, menor tende a ser o custo de propriedade ao longo do tempo.
E as próprias tabelas de revisão das fabricantes deixam isso bastante claro.
Revisões favorecem o Geely EX5
A Geely estabelece revisões para o EX5 a cada 20.000 km ou 12 meses, o que ocorrer primeiro.
Os preços atualmente divulgados pela fabricante são:
Revisão
Geely EX5
20.000 km
R$ 445
40.000 km
R$ 857
60.000 km
R$ 445
80.000 km
R$ 2.012
100.000 km
R$ 445
120.000 km
R$ 857
Somadas, as quatro primeiras revisões chegam a R$ 3.759. Até os 120.000 km, o gasto previsto é de R$ 5.061.
No Song Pro DM-i Flex, por sua vez, a BYD determina intervalos menores, de 12.000 km ou 12 meses. De acordo com a tabela oficial da fabricante, os valores atualmente praticados são:
Revisão
BYD Song Pro DM-i Flex
12.000 km
R$ 1.033
24.000 km
R$ 1.525
36.000 km
R$ 1.033
48.000 km
R$ 3.107
60.000 km
R$ 1.033
72.000 km
R$ 2.429
84.000 km
R$ 1.033
96.000 km
R$ 3.107
108.000 km
R$ 1.033
120.000 km
R$ 2.717
Até os 48.000 km, portanto, o proprietário do Song Pro terá desembolsado R$ 6.698 nas revisões programadas. Ao chegar aos 120.000 km, o total alcança R$ 18.050.
Claro que os valores das revisões podem mudar ao longo dos anos e esses números não incluem pneus, alinhamento, balanceamento ou outros componentes sujeitos ao desgaste natural em qualquer carro.
Mesmo assim, a diferença é significativa.
Para quem pretende ficar vários anos com o automóvel, o EX5 tem uma vantagem bastante clara nesse quesito.
O gasto para rodar também favorece o elétrico
Outro ponto importante é o custo da energia.
Carregar um elétrico com tarifa residencial normalmente proporciona um custo por quilômetro muito inferior ao de abastecer um automóvel com gasolina ou etanol.
O Song Pro também consegue rodar boa parte da rotina diária sem utilizar combustível. Na atual configuração flex, a autonomia elétrica homologada pelo Inmetro chega a 57 km na versão GL e 72 km na GS.
Isso significa que uma pessoa que percorre, por exemplo, 30 ou 40 km por dia e recarrega o Song Pro todas as noites pode passar vários dias praticamente sem ligar o motor a combustão.
É justamente assim que um híbrido plug-in deve ser utilizado.
A questão é que, mesmo utilizando bastante o modo elétrico, você continuará realizando as revisões de um automóvel que também possui motor a combustão.
E existe outro ponto fundamental: comprar um PHEV e não recarregá-lo quando necessário reduz bastante a lógica econômica dessa tecnologia.
BYD Song Pro Flex
EX5 tem autonomia suficiente para grande parte dos usuários
Na versão mais acessível Pro, o Geely EX5 oferece autonomia homologada de até 413 km pelo Inmetro. Ele também oferece 218 cv e 32,6 kgfm, com aceleração de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos.
Para alguém que percorre 40 km por dia, por exemplo, estamos falando teoricamente de vários dias de utilização urbana antes da necessidade de uma nova carga. É nesse cenário que o elétrico se torna extremamente conveniente.
A situação muda bastante para quem não possui garagem com tomada ou wallbox e precisa depender constantemente de carregadores públicos.
Nesse caso, parte da economia financeira desaparece, uma vez que eletropostos de recarga rápida, por exemplo, costumam praticar tarifas mais elevadas pelo kWh. Além disso, surge o inconveniente de precisar planejar as recargas.
Song Pro é muito mais despreocupado para viajar
É exatamente nesse ponto que o BYD recupera terreno, uma vez que, esgotada a autonomia elétrica, você simplesmente continua a viagem utilizando gasolina ou etanol. Portanto, não existe necessidade de planejar uma viagem de acordo com carregadores disponíveis na estrada.
Você pode aproveitar a eletricidade nos deslocamentos urbanos e utilizar combustível em trajetos longos. Essa versatilidade é provavelmente o maior argumento a favor do PHEV.
Imagine alguém que utiliza o carro durante a semana em São Paulo, mas praticamente todo fim de semana percorre 400, 500 ou 600 km por rodovias. Para esse consumidor, certamente é muito mais indicado o Song Pro.
A eventual economia adicional proporcionada pelo EX5 pode não compensar a tranquilidade operacional de um híbrido plug-in.
Diferença de preço também precisa entrar na conta
Hoje existe ainda uma diferença importante nos valores de aquisição.
Em agosto, o Geely EX5 Pro é anunciado por R$ 195.800, já considerando o bônus promocional da marca.
O Song Pro GL aparece por R$ 176.990 nas condições comerciais atuais da BYD. Portanto, são mais de R$ 18 mil de vantagem inicial para o híbrido plug-in.
Já o Song Pro GS, mais equipado e com bateria maior, gravita na faixa dos R$ 200 mil e torna a comparação financeira com o EX5 praticamente direta.
Isso significa que, diante do Song Pro GL, será necessário rodar bastante para recuperar exclusivamente por meio de economia de uso a diferença desembolsada inicialmente pelo EX5.
Por outro lado, se sua comparação estiver sendo feita entre EX5 Pro e Song Pro GS, eu considero o elétrico ainda mais interessante financeiramente, porque os preços de aquisição ficam muito próximos e a vantagem do Geely passa a aparecer no custo operacional.
Garantias são boas nos dois
Também não vejo a garantia como um motivo suficiente para eliminar qualquer um deles.
No EX5, a Geely oferece seis anos ou 150.000 km para o veículo e oito anos ou 150.000 km para a bateria de tração e principais componentes de alta tensão.
No Song Pro flex, a BYD informa seis anos ou 200.000 km para o veículo e oito anos ou 200.000 km para a bateria Blade.
Nesse aspecto específico, portanto, o BYD oferece uma cobertura de quilometragem mais generosa.
Nossa sugestão
Considerando exatamente o que você colocou na pergunta, com prioridade para custo-benefício, revisões e manutenção, nós recomendamos o Geely EX5.
A sugestão, entretanto, leva em conta três condições:
Se você consegue instalar um wallbox em casa ou possui uma alternativa prática e barata de recarga.
Se a autonomia de aproximadamente 400 km atende tranquilamente aos seus deslocamentos.
Viagens muito longas não representam uma parcela frequente da utilização do carro.
Atendendo a esses requisitos, o EX5 oferece uma receita mecanicamente mais simples, revisões consideravelmente mais baratas e menor custo de energia por quilômetro. No longo prazo, considero a solução mais racional.
Agora, se você não consegue carregar em casa, pega estrada constantemente ou simplesmente não quer planejar uma viagem pensando em autonomia e pontos de recarga, o Song Pro poderá atendê-lo melhor, ou quem sabe até um modelo híbrido pleno, como é o caso do Hyundai Kona.
O Song Pro custa um pouco mais para manter e possui uma arquitetura mecanicamente mais complexa, mas oferece algo que ainda tem grande valor no Brasil: a possibilidade de utilizar o carro eletrificado exatamente como qualquer automóvel convencional em uma viagem.
Em resumo, eu colocaria desta forma: para quem tem onde carregar, Geely EX5. Para quem quer máxima versatilidade e tranquilidade em viagens, BYD Song Pro.
Para finalizar, caso sua escolha recaia para o SUV 100% elétrico, vale salientar que a Geely prepara evoluções importantes para o modelo na China, que podem chegar ao mercado brasileiro ao longo de 2027. Caso o EX5 tenha lhe despertado interesse, seria prudente aguardar pela estreia local dos aprimoramentos.
A matéria interessante, mas faltou falar do pós vendas, que um fator fundamental para escolha de um veiculos de fabricantes ainda sem tradição no Brasil.
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A matéria interessante, mas faltou falar do pós vendas, que um fator fundamental para escolha de um veiculos de fabricantes ainda sem tradição no Brasil.