GWM faz primeiro transporte de carga na América Latina com caminhão a hidrogênio
Modelo elétrico a célula de combustível tracionou uma cegonheira em São Paulo; conjunto entrega 544 cv, 2.700 Nm e autonomia de até 500 km
César Tizo - agosto 26, 2026
A GWM realizou o primeiro transporte de carga da América Latina com um caminhão movido a célula a combustível de hidrogênio. Na estreia do veículo em uma operação real no Brasil, o modelo da GWM Hydrogen tracionou uma carreta cegonheira carregada com automóveis eletrificados da marca entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, e o Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
A carga transportada reúne veículos destinados ao Festival Interlagos 2026. Depois do percurso, o caminhão também foi programado para demonstrações à imprensa e convidados no evento. A operação dá início à avaliação prática da tecnologia em condições brasileiras, ainda sem confirmação de comercialização do modelo no País.
Sistema elétrico entrega 544 cv e 2.700 Nm
O caminhão é um veículo elétrico a célula de combustível, ou FCEV. O hidrogênio armazenado nos cilindros reage com o oxigênio do ar para produzir eletricidade a bordo, que alimenta o motor elétrico. Segundo a GWM, a única emissão local do processo é vapor d’água.
O conjunto combina uma bateria de 105 kWh com cilindros de fibra de carbono que armazenam até 40 kg de hidrogênio sob pressão de 350 bar. A potência máxima chega a 400 kW, equivalentes a 544 cv, enquanto o torque é de 2.700 Nm (275,3 kgfm). Há ainda recuperação de energia nas frenagens e desacelerações.
Com os cilindros abastecidos, a autonomia estimada é de até 500 km. A fabricante afirma que o reabastecimento leva poucos minutos e que o sistema permite operação contínua por mais de dez horas, características relevantes para aplicações pesadas em que tempo parado e capacidade de rodagem influenciam diretamente a produtividade.
GWM Hydrogen powered by FTXT
PBT de 49 toneladas e menor peso vazio
O caminhão tem Peso Bruto Total de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas. De acordo com a GWM, esse valor fica aproximadamente 500 kg abaixo da média dos concorrentes considerados pela empresa. Na prática, a redução do peso próprio pode ampliar a carga útil disponível sem alterar o limite total do conjunto.
Como não há combustão no veículo, a operação também elimina localmente gases de efeito estufa e poluentes associados a motores convencionais, como óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos, monóxido de carbono e material particulado. O impacto ambiental total, porém, depende da origem da eletricidade e do hidrogênio utilizados na cadeia.
Tecnologia já opera em escala na China
A tecnologia foi desenvolvida pela FTXT, subsidiária da GWM responsável por células a combustível e componentes para aplicações com hidrogênio. Fora da China, a operação utiliza a marca GWM Hydrogen. A companhia informa que mais de 30 mil veículos com tecnologias semelhantes circulam no mercado chinês.
Em Baoding, mais de 500 novos caminhões a hidrogênio entraram em operação, levando a frota local a superar 2.000 unidades. Somente em 2025, a empresa contabilizou mais de mil veículos novos. As células a combustível foram projetadas para partidas a frio em temperaturas de até -30 °C e para jornadas prolongadas sob cargas elevadas.
GWM Hydrogen powered by FTXT
Parceria com o IPT viabiliza testes no Brasil
A primeira operação brasileira foi viabilizada por uma parceria com o IPT para estudos de segurança, desempenho e viabilidade do hidrogênio em veículos pesados. O laboratório do instituto possui duas estações de abastecimento: uma de 700 bar para veículos leves e outra de 350 bar para aplicações pesadas.
A infraestrutura oferece à GWM um ponto de abastecimento para o caminhão em São Paulo e abre espaço para testes de tanques de alta pressão, eficiência energética e segurança. A colaboração também se alinha ao Programa Nacional do Hidrogênio, que estimula pesquisa e cooperação entre os setores público e privado.
Para Davi Lopes, responsável pela GWM Hydrogen Brasil, a tecnologia combina a robustez de um caminhão elétrico com autonomia e abastecimento rápido. A demonstração em São Paulo será usada pela fabricante para avaliar a adaptação do sistema às rotas, cargas e condições de uso do transporte pesado brasileiro.
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