Grupo manterá engenharia norte-americana independente das parcerias chinesas, enquanto vendas europeias de elétricos e híbridos plug-in crescem 36%
César Tizo - setembro 11, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Stellantis decidiu separar a estratégia dos Estados Unidos daquela adotada nos demais mercados. Segundo o presidente-executivo Antonio Filosa, os veículos destinados ao mercado norte-americano dependerão integralmente da engenharia e do desenvolvimento locais, enquanto outras regiões poderão continuar aproveitando parcerias externas, inclusive com empresas chinesas.
A divisão ocorre em um momento no qual a Europa sustenta o crescimento mundial dos automóveis elétricos e híbridos plug-in. As vendas europeias avançaram 36% em agosto, compensando as retrações registradas na China e na América do Norte.
A edição acompanha ainda as metas chinesas para eletrificação e condução autônoma até 2030, o lançamento do sedã Geely Galaxy TT e a possível encomenda de mais dez navios pela BYD.
O presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou que a indústria automotiva está dividida entre os Estados Unidos e os demais mercados.
A declaração considera as diferenças regulatórias, comerciais e políticas que dificultam a utilização da mesma estratégia em diferentes regiões. Os Estados Unidos continuam sendo o principal centro de lucro do grupo, mas adotam restrições crescentes às tecnologias e parcerias relacionadas à China.
Segundo Filosa, os veículos destinados ao mercado norte-americano dependerão integralmente da engenharia e do desenvolvimento locais.
Em outras regiões, a Stellantis continuará trabalhando com parceiros externos, incluindo as chinesas Leapmotor e Dongfeng. O executivo reiterou que essas colaborações não estão desenvolvendo produtos para os Estados Unidos.
A estratégia permite aproveitar plataformas, baterias e sistemas eletrônicos chineses em mercados onde essa cooperação enfrenta menos barreiras. Ao mesmo tempo, exige que a empresa mantenha programas independentes de desenvolvimento para atender às regras norte-americanas.
O Brasil não foi mencionado especificamente. Como a Stellantis possui fábricas, centros de engenharia e participação relevante no mercado nacional, a separação regional poderá ampliar a autonomia da operação latino-americana para escolher tecnologias e parceiros adequados às condições locais.

As vendas globais de automóveis elétricos e híbridos plug-in alcançaram 1,83 milhão de unidades em agosto, crescimento anual de 2%, segundo a Benchmark Mineral Intelligence.
O mercado avançou pelo sexto mês consecutivo. Entre janeiro e agosto, foram comercializados 13,4 milhões de veículos eletrificados.
A Europa liderou o crescimento, com 380 mil unidades em agosto, avanço de 36% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a região registra expansão de 29%, favorecida por programas de incentivo nos principais mercados.
A China apresentou queda de 11%, para 1,03 milhão de veículos. Esse levantamento considera vendas ao consumidor e utiliza metodologia diferente dos dados industriais chineses, que incluem exportações e operações realizadas entre fabricantes e concessionárias.
Na América do Norte, o volume recuou 33%, para 140 mil unidades. A comparação é afetada pela corrida às concessionárias observada em 2025, antes do encerramento dos créditos tributários federais concedidos aos elétricos nos Estados Unidos.
Os demais mercados somaram 290 mil automóveis e cresceram 97%. O levantamento não detalha separadamente o desempenho brasileiro ou latino-americano, mas o avanço mostra que a eletrificação começa a depender menos de China, Europa e América do Norte.
A mudança interessa às fabricantes instaladas no Brasil porque aumenta a escala de produtos desenvolvidos para mercados emergentes. Também amplia a disputa por modelos eletrificados adaptados a países com menor disponibilidade de carregadores e maior sensibilidade a preço.

Nove órgãos do governo chinês publicaram um plano para o desenvolvimento da indústria de veículos eletrificados e conectados entre 2026 e 2030.
A meta é fazer com que os chamados veículos de nova energia respondam por 70% das vendas domésticas de automóveis de passeio em 2030. A categoria chinesa reúne elétricos a bateria, híbridos plug-in e modelos equipados com célula de combustível.
Nos veículos comerciais, a participação pretendida é de 40%. O planejamento também estabelece como referência um consumo médio de aproximadamente 11,5 kWh/100 km para automóveis elétricos e de 3,3 litros/100 km (pouco mais de 30 km/l) para modelos de passeio que utilizem combustível.
A condução autônoma ocupa uma posição central no documento. A China pretende colocar veículos com funções altamente automatizadas em circulação por rodovias, vias expressas urbanas e determinadas ruas das cidades.
Projetos demonstrativos envolverão carros de passeio, ônibus, caminhões de longa distância e veículos destinados às entregas urbanas. O texto prevê mecanismos próprios de avaliação da maturidade e da segurança dessas tecnologias.
Isso não significa que todos os carros chineses poderão circular sem motorista em qualquer condição a partir de 2030. A disponibilidade dependerá da homologação dos veículos, da autorização de cada região, da infraestrutura e das limitações operacionais de cada sistema.
O governo também pretende ampliar a integração entre veículos, estradas e serviços de nuvem, além de instalar carregadores de alta potência e expandir a infraestrutura de recarga nas áreas rurais.
Ao mesmo tempo, haverá maior fiscalização sobre a abertura de fábricas, a capacidade produtiva de baterias e os incentivos concedidos pelos governos locais. O plano incentiva fusões e reestruturações para retirar do mercado instalações ineficientes e reduzir o excesso de investimentos.
Para o Brasil, a política indica quais tecnologias deverão ganhar escala nos automóveis chineses destinados à exportação. Sistemas de assistência, baterias, recarga ultrarrápida e recursos conectados poderão se tornar mais acessíveis, mas continuarão sujeitos às normas e à infraestrutura disponíveis no mercado nacional.

A Geely lançou na China o Galaxy TT, sedã elétrico oferecido em cinco configurações. Os preços promocionais variam de 129.900 a 185.900 yuans.
O valor inicial ficou 16 mil yuans abaixo do anunciado durante a pré-venda. A autonomia da versão de entrada também foi ampliada de 540 km para 640 km pelo ciclo CLTC.
O modelo mede 4.999 mm de comprimento, 1.919 mm de largura e 1.479 mm de altura, com 2.920 mm de distância entre-eixos. A carroceria adota perfil fastback e aerofólio traseiro ativo.
As quatro versões com tração traseira utilizam um motor de 245 kW, equivalentes a aproximadamente 333 cv, e 32,6 kgfm. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 6,5 segundos.
A opção Ultra acrescenta tração integral e dois motores com potência combinada de 425 kW, cerca de 578 cv. Ela acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos e oferece 650 km de autonomia pelo CLTC.
Os pacotes de 63,8 kWh e 75,2 kWh utilizam células de fosfato de ferro-lítio fornecidas pela CATL. A configuração de maior alcance percorre até 725 km no ciclo chinês.
Toda a gama possui arquitetura elétrica de 800 V e aceita carregamento 6C. Segundo os dados divulgados, a carga pode passar de 10% a 80% em 11,8 minutos com a bateria menor e em 11,6 minutos com o pacote de 75,2 kWh, desde que o carro esteja conectado a um equipamento compatível.
A suspensão combina braços triangulares duplos de alumínio na dianteira com conjunto independente de cinco braços na traseira. Algumas versões acrescentam amortecedores com controle eletrônico.
Com exceção da configuração de entrada, todas possuem sensor LiDAR. Os sistemas de assistência oferecem condução auxiliada em vias urbanas e rodoviárias, além de estacionamento automatizado, mas continuam exigindo supervisão do motorista.
O Galaxy TT não está confirmado para o Brasil. A Geely, entretanto, já possui operação comercial no País e vem ampliando sua presença internacional, o que torna o sedã uma referência importante sobre o nível de tecnologia e preço que o grupo poderá levar a outros mercados.

A BYD teria encomendado dez novos navios destinados ao transporte de automóveis, segundo informações publicadas por veículos especializados no setor marítimo e repercutidas pelo CarNewsChina.
Cada embarcação possuiria capacidade para 9.200 CEU, unidade utilizada pelo setor naval para representar o espaço equivalente ocupado por automóveis. As entregas estariam programadas entre 2027 e 2029.
Os navios seriam construídos pela China Merchants Industry nos estaleiros de Jinling e Haimen. O valor do possível contrato não foi informado.
A BYD e a empresa responsável pela construção não haviam confirmado oficialmente a encomenda. Por isso, a ampliação deve ser tratada como informação de terceiros, ainda sujeita a alterações.
Caso as dez embarcações sejam incorporadas, a frota da fabricante passará de oito para 18 navios, com capacidade conjunta superior a 130 mil CEU por viagem. Esse número não representa a quantidade de veículos transportados ao longo de um ano, pois cada embarcação poderá realizar diferentes rotas e viagens.
A estrutura logística é importante para o plano da BYD de ampliar as vendas fora da China. A fabricante já utiliza navios próprios ou dedicados para reduzir a dependência de transportadoras marítimas, controlar prazos e atender fábricas e mercados de diferentes continentes.
Nenhuma rota adicional para o Brasil foi anunciada. O País, contudo, participa da expansão internacional da companhia tanto como destino de importações quanto como base de produção, o que poderá aumentar sua importância na programação desses navios.
Os fatos desta edição mostram que eletrificação e internacionalização já não podem ser analisadas separadamente. O crescimento depende tanto da demanda regional quanto da logística, da regulamentação, das parcerias industriais e da capacidade de adaptar produtos a cada mercado.




