Carros pelo Mundo | iCaur V27 ganha bateria maior antes de chegar ao Brasil
iCaur V27 de maior autonomia estreia na China, Hyundai lança o Ioniq V e Volkswagen amplia parceria com fabricante de baterias
César Tizo - setembro 30, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
O iCaur V27, SUV de autonomia estendida confirmado para estrear no Brasil em 2027, recebeu na China uma versão com bateria maior. A capacidade sobe para 51,2 kWh, suficiente para uma autonomia elétrica declarada de 300 km pelo ciclo chinês CLTC. Ainda não há confirmação de que essa configuração será a escolhida para o mercado nacional.
A Hyundai lançou o sedã elétrico Ioniq V na China com preço promocional inicial de 99.900 yuans e até 650 km de autonomia no padrão CLTC. O lançamento combina projeto local com baterias da CATL e assistência à condução desenvolvida com a Momenta.
Também estão em destaque o acordo da Volkswagen com a Gotion para produzir baterias em três países, a adaptação de uma fábrica da GM e da LG para novas células ricas em manganês e a suspensão temporária de linhas da Stellantis na França por falta de baterias de maior autonomia.
iCaur V27 estreia versão com bateria de 51,2 kWh
A Chery realiza nesta quarta-feira (30) lançamento chinês do iCar V27 Long-Range, nome usado no país para o modelo que será exportado como iCaur V27. A nova bateria de fosfato de ferro-lítio utiliza células da CATL e tem 51,2 kWh, contra 34,3 kWh nas versões atuais.
A autonomia exclusivamente elétrica anunciada é de 300 km pelo ciclo CLTC, avanço de 90 a 100 km sobre as configurações já vendidas na China. Segundo a fabricante, a recarga rápida de 30% a 80% leva 17 minutos, e a função de fornecimento de energia para equipamentos externos passa a oferecer até 6 kW.
O V27 utiliza tração elétrica e um motor 1.5 turbo a combustão como gerador para ampliar a autonomia total. A versão de maior alcance preserva dois motores elétricos e tração integral, com potência combinada informada de 335 kW, aproximadamente 455 cv. A fabricante não anunciou novos números de alcance total para essa configuração.
O SUV mede 4.909 mm de comprimento sem o estepe externo, 5.055 mm com ele, 1.976 mm de largura e até 1.894 mm de altura, com 2.910 mm entre os eixos. Sua chegada ao Brasil está prevista para 2027, mas bateria, versões e preço locais ainda não foram definidos.
O iCaur V27 está confirmado para estrear no Brasil em 2027. Foto: divulgação
Hyundai Ioniq V chega às lojas chinesas por 99.900 yuans
A Beijing Hyundai iniciou em 29 de setembro as vendas do Ioniq V, sedã elétrico desenvolvido para o mercado chinês. A gama tem cinco versões com preços de tabela entre 109.900 e 139.900 yuans. Uma campanha de lançamento reduz temporariamente esses valores para 99.900 a 131.900 yuans.
O modelo utiliza a plataforma E-GMP, baterias de fosfato de ferro-lítio fornecidas pela CATL, de 53,48 kWh ou 66,85 kWh, e oferece autonomias de 540 km ou 650 km no ciclo chinês CLTC. Os motores únicos são anunciados com 140 kW e 168 kW, equivalentes a aproximadamente 190 cv e 228 cv. A arquitetura elétrica admite recarga rápida em 800 V.
O Ioniq V mede 4.900 mm de comprimento, 1.890 mm de largura e 1.470 mm de altura, com 2.900 mm de distância entre-eixos. A cabine combina uma tela de 27 polegadas com processador Snapdragon 8295P; a assistência à condução, desenvolvida com a Momenta, continua a exigir supervisão do motorista.
A Hyundai afirma que o projeto também foi pensado para outros mercados, mas não anunciou sua comercialização no Brasil. Por aqui, a estratégia de elétricos da marca ainda depende de decisões específicas sobre produtos, homologação e preço.
Ioniq V lançado na China com preço promocional a partir de 99.900 yuans. Foto: Hyundai
Volkswagen e Gotion acertam produção conjunta de baterias em três países
Volkswagen, sua divisão PowerCo e a chinesa Gotion anunciaram três empreendimentos conjuntos para células de fosfato de ferro-lítio e material de cátodo. O acordo alcança Valencia, na Espanha, Šurany, na Eslováquia, e Kenitra, no Marrocos, e ainda depende de aprovações regulatórias e societárias.
A PowerCo conservará 51% da fábrica espanhola, planejada como polo de células LFP do grupo. Nos projetos eslovaco e marroquino, a Gotion deterá 51%; o primeiro se concentrará em células para veículos e armazenamento de energia, enquanto o segundo produzirá material de cátodo.
A Gotion prevê investir cerca de € 1,1 bilhão para adquirir 49% da operação de Valencia. A PowerCo deverá aplicar aproximadamente € 470 milhões até 2030 para obter 49% dos negócios da Eslováquia e do Marrocos. A Volkswagen também firmou acordo para vender 5,3% de sua participação acionária na Gotion, preservando seus direitos de voto previstos.
O movimento busca reduzir custos e criar uma cadeia regional de baterias para os elétricos europeus. Não foi anunciada aplicação direta nas operações brasileiras da Volkswagen, mas a disponibilidade de células mais acessíveis poderá influenciar o custo de futuros produtos globais.
Imagem ilustrativa de produção de células de bateria. Foto: Volkswagen
GM e LG investirão US$ 1 bilhão em novas células para elétricos
A Ultium Cells, associação da General Motors com a LG Energy Solution, adaptará sua fábrica de Spring Hill, no Tennessee, para produzir células prismáticas de lítio ricas em manganês, conhecidas pela sigla LMR. Segundo o governo estadual, o programa de modernização e expansão envolve cerca de US$ 1 bilhão.
A General Motors afirma que a nova química poderá oferecer densidade energética 33% superior à de células de fosfato de ferro-lítio, com custo comparável. O resultado é uma expectativa técnica da companhia, ainda dependente da produção comercial e de aplicações em veículos de série.
As obras devem começar ainda em 2026 e terminar em 2028, com previsão de 500 novos empregos, além dos aproximadamente 1.200 trabalhadores atuais. A data de início da fabricação comercial não foi detalhada no anúncio mais recente.
A tecnologia poderá ampliar a oferta de elétricos com baterias de menor custo, mas a GM não divulgou modelos específicos nem aplicação em veículos vendidos no Brasil. A operação nacional da Chevrolet não recebeu anúncio relacionado a essas células.
Módulo Ultium de geração anterior, usado apenas para ilustrar a notícia; as novas células LMR ainda não estão em produção comercial. Foto: General Motors
Falta de baterias fará Stellantis parar fábricas francesas
A Stellantis suspenderá temporariamente a produção em Sochaux, de 23 a 30 de outubro, e em Rennes, de 22 a 30 de outubro, por falta de baterias destinadas às versões elétricas de maior autonomia. A primeira unidade fabrica Peugeot 3008 e 5008; a segunda é responsável pelo Citroën C5 Aircross.
Segundo a companhia, a procura por essas configurações, especialmente de clientes de frotas, supera a oferta atual. A fabricante afirma que ajusta o calendário para evitar a formação de estoques de veículos que não correspondam à demanda.
As baterias são fornecidas pela Automotive Cells Company, parceria que reúne Stellantis, Mercedes-Benz e TotalEnergies. A fornecedora declarou que a produção de módulos em setembro deverá se aproximar de todo o volume registrado ao longo de 2025, mas a expansão ainda não eliminou os gargalos.
A unidade de Mulhouse também interromperá atividades entre 15 e 30 de outubro, por motivos distintos da escassez de baterias. A Stellantis não anunciou efeito dessas pausas sobre suas fábricas brasileiras. O episódio evidencia a importância da capacidade industrial das fornecedoras na oferta efetiva de elétricos de maior autonomia.
Entre novos modelos, alianças industriais e pausas nas linhas, o desempenho das baterias aparece como elemento decisivo para preço, autonomia e volume disponível nas concessionárias.
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