Novo Audi A6 allroad prevê quando precisará de tração integral
Sistema quattro ultra pode antecipar a necessidade de tração integral em 0,5 segundo; perua chega às lojas europeias nas versões diesel e híbrida plug-in
César Tizo - outubro 4, 2026
A nova Audi A6 allroad pode rodar apenas com tração dianteira e preparar o acionamento das rodas traseiras antes que elas sejam necessárias. Segundo a fabricante, o sistema quattro ultra calcula essa demanda com cerca de 0,5 segundo de antecedência e leva aproximadamente 200 milissegundos, ou 0,2 segundo, para completar o engate da tração integral.
A marca detalhou na última sexta-feira (2) o funcionamento da tecnologia na quinta geração da perua, apresentada em junho e agora disponível nas concessionárias europeias. A linha reúne um V6 a diesel de 299 cv e, pela primeira vez na história do A6 allroad, uma opção híbrida plug-in, com 367 cv de potência combinada.
A6 allroad de quinta geração foi apresentada em junho
Duas embreagens ajudam a reduzir as perdas
O quattro ultra utiliza uma embreagem multidisco controlada eletronicamente na saída do câmbio e outra de desacoplamento no diferencial traseiro. Quando o sistema identifica que movimentar as quatro rodas não oferece vantagem naquela situação, abre as duas e interrompe a transmissão de força para a traseira.
Com isso, o eixo cardã e parte dos componentes do conjunto traseiro ficam desacoplados. A medida reduz o atrito e a resistência mecânica que o motor teria de vencer para mantê-los em movimento. Em baixa carga, quando não há risco previsto de patinagem, todo o torque de tração vai para o eixo dianteiro.
Na prática, a tração integral permanece disponível, mas não atua o tempo todo. A proposta é aproveitar a menor perda mecânica da configuração dianteira em condições favoráveis e voltar às quatro rodas quando isso ajudar na aderência ou no comportamento do carro.
Sistema pode desacoplar componentes traseiros quando a tração integral não traz benefício
O carro considera o jeito de dirigir
Para decidir quando fazer a mudança, a eletrônica acompanha o ângulo do volante, a demanda de aceleração, a configuração do câmbio, os movimentos da carroceria e as acelerações longitudinais e laterais. Também considera as condições de aderência, o histórico de condução e o modo selecionado no Audi drive select.
Uma condução mais suave tende a manter a tração apenas nas rodas dianteiras. Já em retomadas, curvas feitas com maior intensidade e acelerações fortes levam o sistema a preservar as quatro rodas motrizes. Os cerca de 200 milissegundos informados pela Audi incluem sincronizar os componentes que estavam desconectados e fechar a embreagem no diferencial traseiro.
A distribuição entre os eixos também varia. A Audi afirma que, em medições internas durante acelerações fortes sobre piso seco, mais de 70% do torque chegou às rodas traseiras. Trata-se de uma condição de funcionamento, e não de uma divisão fixa entre frente e traseira.
Diesel eletrificado ou híbrido plug-in
Na versão TDI, o motor 3.0 V6 a diesel entrega 299 cv e 59,1 kgfm. O conjunto utiliza a tecnologia MHEV plus, com assistência elétrica de até 24 cv, e um compressor acionado eletricamente para melhorar a resposta em baixa rotação. A fabricante informa aceleração de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos.
O A6 allroad e-hybrid combina um 2.0 turbo a gasolina e um motor elétrico. A potência total do sistema é de 367 cv, com torque combinado de 51 kgfm; o 0 a 100 km/h é anunciado em 5,5 segundos.
A bateria do plug-in tem 25,9 kWh de capacidade bruta, dos quais 20,7 kWh são utilizáveis. A autonomia elétrica pode chegar a 95 km pelo ciclo WLTP, e a recarga em corrente alternada aceita até 11 kW. Nessas condições, a Audi informa aproximadamente duas horas e meia para uma carga completa.
Versão e-hybrid combina motor 2.0 a gasolina e propulsor elétrico
Consumo do plug-in exige atenção ao tipo de medição
No ciclo WLTP, o diesel tem consumo combinado de 5,8 a 6,4 l/100 km, equivalente a 15,6 a 17,2 km/l. Para o híbrido plug-in, a Audi divulga consumo ponderado combinado de 2,3 a 2,8 l/100 km e consumo elétrico ponderado de 16,2 a 17 kWh/100 km.
Esse resultado do plug-in considera o uso da energia recarregada na bateria e não representa o consumo de gasolina em uma viagem inteira sem recargas. Com a bateria descarregada, o valor combinado informado sobe para 7 a 7,7 l/100 km, ou cerca de 13 a 14 km/l. Todos são dados de homologação europeia, sujeitos a variações conforme uso, equipamento e condições de circulação.
E o Brasil?
Os preços divulgados pela Audi partem de € 77.250 para o diesel e de € 80.250 para o híbrido plug-in, no anúncio de chegada à rede europeia. O comunicado não informa lançamento ou preços do novo A6 allroad para o Brasil.
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