Usados: preços de SW4 e HR-V recuam em setembro, enquanto Sandero e Gol ficam mais caros
IBV Auto sobe 0,30% no mês passado, mas fecha o trimestre com o menor avanço desde o começo de 2025; veja variações
César Tizo - outubro 6, 2026
Toyota SW4, Honda HR-V e Volkswagen Polo ficaram mais baratos no levantamento de preços de carros usados do banco BV referente a setembro de 2026. Na direção oposta, Renault Sandero, Volkswagen Gol e Hyundai Creta estiveram entre os modelos que mais contribuíram para a alta do IBV Auto, índice nacional que avançou 0,30% no mês.
A leitura representa uma recuperação em relação à pequena queda de 0,01% registrada em agosto. Ainda assim, o fechamento do terceiro trimestre mostra perda de força nos reajustes: entre julho e setembro, o indicador subiu 0,36%, seu menor avanço trimestral desde o início de 2025.
SW4 e HR-V recuam; Sandero e Gol avançam
Entre os modelos destacados pelo BV, o Toyota SW4 teve retração de 1,60% em setembro, seguido pelo Honda HR-V, com queda de 1,19%, e pelo Volkswagen Polo, que recuou 0,97%. Esses foram os veículos de maior influência negativa no resultado mensal informado pelo banco.
Já o Renault Sandero registrou alta de 1,88%, enquanto o Volkswagen Gol avançou 1,51% e o Hyundai Creta, 1,39%. O trio aparece entre os principais responsáveis pela pressão de alta no índice.
Modelo
Variação em setembro de 2026
Renault Sandero
+1,88%
Volkswagen Gol
+1,51%
Hyundai Creta
+1,39%
Volkswagen Polo
−0,97%
Honda HR-V
−1,19%
Toyota SW4
−1,60%
Os percentuais correspondem às variações de preços dos modelos destacados no levantamento. A seleção considera sua influência sobre o IBV Auto, que também depende do peso de cada veículo na cesta do indicador. Portanto, ela não constitui um ranking completo das maiores altas ou quedas de todos os carros usados.
O comunicado não detalha os resultados por versão ou ano-modelo, nem apresenta cotações em reais. Assim, os números não devem ser aplicados automaticamente ao preço de uma unidade específica.
Honda HR-V registrou queda de 1,19% no levantamento de setembro
Usados têm menor alta trimestral desde o começo de 2025
O avanço de 0,36% no terceiro trimestre ficou abaixo dos 1,27% registrados entre abril e junho deste ano e dos 2,04% observados no terceiro trimestre de 2025. Considerando apenas os períodos de julho a setembro, o resultado de 2026 se iguala ao de 2019, quando começou a série histórica.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, os preços dos automóveis leves usados subiram 3,86%, ante 4,05% no mesmo intervalo do ano passado. Em 12 meses, a variação ficou em 5,12%, mantendo o patamar registrado em agosto.
Na avaliação de Roberto Padovani, economista-chefe do BV, a atividade econômica mais moderada e a maior competição entre veículos novos tornam o ambiente menos favorável a reajustes expressivos no mercado de usados. O banco associa a desaceleração à perda de ritmo da demanda por bens de maior valor.
Norte registra queda; Sudeste fica próximo da estabilidade
O recorte regional do terceiro trimestre também mostra diferenças. O Nordeste teve a maior alta, de 0,69%, seguido pelo Centro-Oeste, com 0,56%, e pelo Sul, com 0,52%.
No Sudeste, o avanço foi de apenas 0,03%, enquanto o Norte apresentou queda de 0,19%. Segundo o BV, todas as regiões haviam registrado valorização superior a 1% no segundo trimestre. Os percentuais regionais abaixo se referem ao trimestre, e não somente a setembro.
Região
Variação entre julho e setembro de 2026
Nordeste
+0,69%
Centro-Oeste
+0,56%
Sul
+0,52%
Sudeste
+0,03%
Norte
−0,19%
Renault Sandero esteve entre os modelos que mais influenciaram a alta do índice
Elétricos de 2023 acumulam desvalorização de quase 47%
O levantamento também acompanha a perda de valor de cestas comparáveis de veículos por tipo de propulsão. Entre os modelos de 2023 analisados, os elétricos acumulam desvalorização de quase 47% até setembro. Nos híbridos, a retração é de 27,89%, enquanto os automóveis a combustão comparáveis perderam 22,2%.
Nesse recorte, os percentuais representam a desvalorização acumulada dos veículos da safra de 2023, e não a variação registrada apenas em setembro. Também não podem ser generalizados para todos os elétricos ou híbridos disponíveis no mercado.
Segundo o banco, a redução dos preços de veículos novos e o aumento da concorrência ajudam a pressionar os valores de revenda. A comparação busca reunir automóveis com idade e características semelhantes, como preço quando novos, porte e categoria.
Como funciona o IBV Auto
O IBV Auto utiliza a base de transações reais do banco BV para acompanhar a evolução dos preços dos automóveis leves usados no Brasil. A metodologia incorpora critérios de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico dos modelos.
A ponderação considera o valor total das negociações, combinando volume e preço. Por isso, veículos mais caros e com maior participação nas transações têm peso maior na formação do índice. A série nacional adota 2019 como base, com valor inicial igual a 100.
Trata-se de um indicador de evolução de preços, distinto da Tabela Fipe. Para quem está negociando um usado, os dados ajudam a identificar tendências do mercado, mas a avaliação de um carro continua dependendo de versão, ano, quilometragem, conservação e histórico de manutenção.
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