Stellantis reduz prejuízo global em 90% e cresce no Brasil com picapes
Grupo reduz perdas no terceiro trimestre, enquanto picapes Fiat e Ram impulsionam vendas no Brasil
César Tizo - outubro 28, 2026
A Stellantis reduziu em 90% seu prejuízo líquido global no terceiro trimestre de 2026, enquanto o Brasil voltou a contribuir com crescimento nas vendas. Entre julho e setembro, o grupo registrou perda de € 453 milhões, ante € 4,532 bilhões no mesmo período do ano passado. No mercado brasileiro, as vendas avançaram 3%, impulsionadas principalmente pelas picapes da Fiat e da Ram.
Os números foram divulgados nesta quarta-feira (28) e ainda não foram auditados. Segundo o balanço oficial da companhia, a receita líquida mundial somou € 37,611 bilhões, alta de 1% na comparação anual. A melhora, porém, ainda não significa que a operação global tenha voltado ao lucro líquido no trimestre.
Brasil avança com as picapes
Na apresentação aos investidores, a Stellantis informa que superou 200 mil veículos vendidos no Brasil entre julho e setembro. Ao incluir a Leapmotor na comparação, o crescimento das vendas brasileiras passa de 3% para 5%.
A participação do grupo no mercado nacional ficou em 25,1%, ou 25,5% se agregada a Leapmotor. A companhia atribui o avanço brasileiro, em grande parte, ao maior volume das picapes Fiat e Ram, um segmento no qual reúne produtos como Strada e Toro.
Picapes Fiat e Ram ajudaram a sustentar o crescimento da Stellantis no Brasil
O desempenho brasileiro foi diferente do registrado no conjunto da América do Sul. Na região, as vendas recuaram 4% em relação ao terceiro trimestre de 2025, ou 2% considerando a Leapmotor. Mesmo assim, a Stellantis manteve a liderança regional, com 18,6% de participação, percentual que chega a 18,9% com a marca chinesa.
Ao comentar seus principais mercados sul-americanos, o grupo destacou altas de 13% para a Fiat Strada, 26% para a Toro e 20% para o Pulse. A Ram cresceu 33%, impulsionada pela nova Dakota. Esses percentuais foram apresentados no balanço regional e não devem ser confundidos com o crescimento consolidado da operação brasileira.
Prejuízo menor, mas caixa ainda negativo
No resultado global, o lucro operacional ajustado alcançou € 256 milhões, ante € 90 milhões um ano antes. A margem operacional ajustada passou de 0,2% para 0,7%. Esse indicador exclui determinados efeitos contábeis e não equivale ao lucro líquido, que permaneceu negativo no trimestre.
A geração de caixa também exige atenção. O fluxo de caixa livre industrial ficou negativo em € 4,009 bilhões, contra saída de € 4,304 bilhões no terceiro trimestre de 2025. Houve melhora, portanto, mas a companhia continuou consumindo caixa nessa medida. A liquidez industrial disponível encerrou setembro em € 42,7 bilhões.
Outro cuidado na leitura do balanço está na base de comparação: a própria Stellantis ressalta que o prejuízo do terceiro trimestre de 2025 havia sido afetado por itens relevantes. Assim, a redução de 90% na perda não deve ser interpretada, isoladamente, como uma recuperação de igual proporção na atividade recorrente.
O que a Stellantis espera para os próximos meses
A companhia reafirmou suas projeções para 2026, com crescimento da receita na faixa intermediária de um dígito, margem operacional ajustada positiva na faixa baixa de um dígito e melhora do fluxo de caixa livre industrial frente a 2025. A expectativa de fluxo de caixa livre industrial positivo continua sendo para 2027, não um resultado já alcançado.
Antonio Filosa, CEO da Stellantis, atribuiu os avanços iniciais ao plano FaSTLAne 2030, aos lançamentos, às parcerias e às melhorias de produção e qualidade. A empresa também espera acelerar as economias de seu programa de eficiência no quarto trimestre.
Resumo
Para o público brasileiro, o balanço mostra uma operação local que segue relevante e cresce apoiada nas picapes. No âmbito global, contudo, a recuperação da empresa ainda precisa transformar o avanço dos indicadores ajustados em lucro líquido e geração de caixa mais consistentes.
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