Produção e vendas de veículos crescem em 2025 e Anfavea projeta novo avanço para 2026
Setor automotivo encerra terceiro ano consecutivo de alta, impulsionado por exportações, mas enfrenta cenário econômico mais desafiador
César Tizo - janeiro 15, 2026
Apesar dos sinais de desaceleração da economia brasileira no segundo semestre, o setor automotivo fechou 2025 com desempenho positivo pelo terceiro ano consecutivo. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os emplacamentos cresceram 2,1% em relação a 2024, enquanto a produção avançou 3,5%, sustentada principalmente pelo forte aumento das exportações.
Ao todo, o Brasil produziu 2,644 milhões de autoveículos em 2025, resultado puxado pelo apetite renovado de mercados externos. As exportações saltaram 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades, com destaque para a Argentina, principal destino dos veículos nacionais. Para 2026, a Anfavea projeta nova alta na produção, de 3,7%, o que elevaria o volume para 2,741 milhões de unidades.
Esse crescimento deverá ser concentrado nos veículos leves, com avanço estimado de 3,8%. Já o segmento de caminhões e ônibus deve apresentar ritmo mais moderado, com previsão de 154 mil unidades produzidas, alta de 1,4% frente a 2025.
Mercado interno
No mercado doméstico, os emplacamentos somaram 2,690 milhões de unidades em 2025. O bom desempenho de dezembro, marcado por promoções e queima de estoques, foi decisivo para o fechamento positivo do ano. Ainda assim, o volume ficou cerca de 100 mil unidades abaixo do registrado em 2019, último ano antes da pandemia.
O segmento de caminhões foi o mais impactado pelo patamar elevado da taxa básica de juros. As vendas caíram 9,2% no acumulado do ano, com retração ainda mais expressiva nos modelos pesados, voltados ao transporte de longas distâncias, que recuaram 20,5% na comparação com 2024.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o ambiente macroeconômico segue como fator de atenção. “O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado”, afirmou.
Comércio exterior
O fluxo comercial de veículos também apresentou mudanças relevantes. Além do forte crescimento das exportações, as importações subiram 6,6% em 2025, impulsionadas principalmente pela entrada de modelos oriundos de países sem acordo de livre comércio com o Brasil.
A China respondeu por 37,6% dos 498 mil veículos importados emplacados no país ao longo do ano. Pela primeira vez, Mercosul e México deixaram de liderar o ranking de origem, com países fora desses blocos representando 50,2% do total de importados vendidos no mercado brasileiro.
Acordo Mercosul-UE
Questionada pelo Guru dos Carros sobre reflexos do acordo Mercosul-UE para o setor automotivo brasileiro, o presidente da Anfavea citou “desafios de competitividade” que a nova relação comercial poderá impor.
Segundo Calvet, ainda é necessário entender os detalhes da negociação, citando que, de acordo com textos até então conhecidos pela entidade, os veículos a combustão terão um período de carência de sete anos antes do início da redução tarifária linear (que durará 15 anos).
Já o cenário para os veículos eletrificados é mais severo: a proposta prevê redução imediata do imposto no “ano zero” do acordo. Calvet ressaltou que, embora a Anfavea apoie o acordo por seus benefícios macroeconômicos, o setor precisará de um intenso ajuste de competitividade e infraestrutura para enfrentar a concorrência europeia nos próximos anos.
Futuro
Para 2026, a associação trabalha com o que define como um “otimismo contido”. O setor espera que a queda na taxa Selic, prevista para começar de forma mais sensível no primeiro trimestre, ajude a destravar o crédito e a reduzir a inadimplência.
Outro ponto de atenção reforçado pela Anfavea é a preocupação com o “empobrecimento da base industrial” caso haja uma prorrogação excessiva das cotas de importação para kits SKD/CKD (veículos desmontados).
A associação defende que o incentivo à produção local deve focar em processos de maior densidade tecnológica, como estamparia e soldagem, para garantir a manutenção de empregos qualificados no país.
Por fim, a Anfavea destacou em sua primeira coletiva do ano a importância do programa Move Brasil, que oferece uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a renovação de frota de caminhões e ônibus. A expectativa é que o programa estanque a queda nas vendas observada em 2025 e ajude a modernizar o transporte de carga no país.
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