Governo zera PIS/Cofins do diesel e preço pode cair até R$ 0,64 por litro
Medidas buscam conter escalada do petróleo por causa da guerra no Irã; confira principais detalhes
César Tizo - março 12, 2026
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote emergencial para conter o impacto da alta do petróleo sobre o preço do diesel no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto que zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do combustível, além de uma medida provisória que institui subvenção temporária para produtores e importadores.
Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a combinação das duas medidas pode resultar em redução de até R$ 0,64 por litro do diesel. Desse total, cerca de R$ 0,32 por litro viriam do corte dos tributos federais, enquanto outros R$ 0,32 seriam decorrentes da subvenção direta ao setor.
Durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula afirmou que o objetivo das medidas é impedir que o aumento das cotações internacionais do petróleo chegue ao consumidor final.
“O que queremos é garantir que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, que não encareça o prato de comida do povo”, afirmou o presidente.
Medida emergencial
As iniciativas foram anunciadas comotemporárias (até 31 de dezembro deste ano) e fazem parte da resposta do governo à escalada recente do preço do petróleo no mercado internacional, influenciada pela guerra envolvendo o Irã e pelas tensões geopolíticas que levaram diversos países a liberar estoques estratégicos de energia.
O pacote foi detalhado em entrevista coletiva com a presença de ministros e integrantes da equipe econômica, entre eles Fernando Haddad, da Fazenda, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia.
De acordo com Haddad, a subvenção será concedida apenas mediante comprovação de que o benefício foi efetivamente repassado ao preço final do diesel para consumidores e empresas de transporte.
A não cobrança do PIS e Confins, somada à subvenção destinada a produtores e importadores, deverá custar R$ 30 bilhões aos cofres públicos.
Financiamento e fiscalização
Para arcar com as medidas, o governo criará um imposto sobre a exportação de petróleo, com alíquota de 12%. O tributo também terá a função de direcionar parte do óleo bruto que seria enviado ao exterior — em razão dos preços mais elevados no mercado internacional — para as refinarias brasileiras, ampliando a oferta interna do combustível.
Além disso, o pacote inclui mecanismos de fiscalização e transparência para evitar aumentos considerados abusivos no preço dos combustíveis. Segundo Haddad, caberá à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) definir critérios objetivos para identificar práticas especulativas.
Entre as situações que poderão ser investigadas estão armazenamento injustificado de combustíveis ou reajustes considerados excessivos.
Política de preços da Petrobras
Apesar das medidas emergenciais, o ministro da Fazenda destacou que a política de preços da Petrobras não será alterada. A estatal continuará operando segundo sua estratégia atual de definição de valores dos combustíveis.
O governo aposta que a combinação de redução tributária, subsídio temporário e fiscalização do mercado ajudará a suavizar os efeitos da volatilidade internacional sobre um combustível essencial para o transporte de cargas e para a logística de alimentos no país.
Com as medidas, Ministério da Fazenda estima redução de até R$ 0,64 por litro no diesel comercializado no país
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