Geely desafia a BYD e mira topo do mercado chinês neste ano
Com lucro recorde, montadora quer superar rival que hoje domina o maior mercado automotivo do mundo
César Tizo - março 19, 2026
A chinesa Geely elevou o tom da disputa com a BYD ao anunciar a meta de se tornar a marca mais vendida na China até o fim de 2026. O plano foi apresentado durante a divulgação dos resultados financeiros de 2025 e combina crescimento doméstico acelerado com uma ofensiva global mais agressiva — movimento que também repercute diretamente no Brasil, onde ambas já operam.
Liderança doméstica
Para alcançar a liderança no maior mercado automotivo do mundo, a Geely terá de superar a marca de cerca de 3,55 milhões de veículos vendidos pela BYD na China em 2025. A meta oficial global da empresa é atingir 3,45 milhões de unidades em 2026, embora objetivos internos sejam ainda mais ambiciosos — com foco claro no desempenho doméstico.
O anúncio vem na esteira de um ano forte: a Geely registrou receita de 345,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 50 bilhões) em 2025, alta de 25% na comparação anual. O lucro líquido avançou 36%, para 14,41 bilhões de yuans, enquanto o caixa cresceu 46%, reforçando a capacidade de investimento da companhia.
Modelos premium e elétricos
Um dos pilares da estratégia está na escalada da submarca premium Zeekr, também presente no Brasil, que vem sustentando margens mais elevadas. O modelo Zeekr 9X, por exemplo, teria margem próxima de 40%, contribuindo para elevar a margem bruta da Geely para 16,9% no quarto trimestre de 2025.
Outro indicativo da aceitação da linha mais sofisticada veio com o Zeekr 8X, que acumulou mais de 30 mil pedidos poucos dias após o início da pré-venda na potência asiática. A estratégia reforça o movimento da indústria chinesa em direção a produtos de maior valor agregado, especialmente no segmento de veículos eletrificados.
Expansão global
No exterior, a Geely pretende vender oficialmente 640 mil veículos em 2026, mas trabalha internamente com a meta de 750 mil unidades. Para isso, planeja ampliar sua rede para mais de 1.300 concessionárias fora da China e intensificar o uso de sinergias com marcas do grupo, como Volvo, Lotus, Smart e Lynk & Co.
Entre os próximos passos estão a introdução de modelos como Galaxy E5 e Starship 7 em mercados internacionais e a ampliação da presença da Lynk & Co na Europa. Já a Zeekr prepara a estreia do SUV 7X na Coreia do Sul ainda no primeiro semestre de 2026.
BYD segue forte, mas disputa se intensifica
Apesar da ofensiva da rival, a BYD mantém posição dominante e projeta vendas de até 5 milhões de veículos em 2026. Um ponto relevante é a crescente internacionalização da marca: em fevereiro, as exportações já superaram as vendas domésticas, indicando uma mudança de foco que pode abrir espaço para a Geely avançar dentro da China.
Outro fator de diferenciação é o portfólio: enquanto a BYD atua exclusivamente com veículos eletrificados, a Geely ainda mantém forte presença com modelos a combustão, que seguem competitivos — como o SUV Starray (Boyue L), um dos mais vendidos no segmento na China.
Reflexos para o Brasil
A disputa entre Geely e BYD ganha relevância adicional no mercado brasileiro, que pode ser beneficiado por investimentos ainda maiores.
No pano de fundo, o embate entre as duas gigantes evidencia uma nova dinâmica global: montadoras chinesas não apenas ampliam presença internacional, como também passam a competir entre si por liderança — inclusive com impactos diretos em mercados emergentes como o Brasil.
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