Geely estreia sistema híbrido com consumo de até 45 km/l e eficiência térmica recorde
Nova geração de tecnologia híbrida da montadora chinesa será aplicada em modelos estratégicos já a partir deste ano
César Tizo - abril 20, 2026
A Geely anunciou oficialmente na China sua nova geração do sistema híbrido convencional (HEV) da empresa, batizado de i-HEV “Intelligent Energy”, destacando números expressivos de eficiência energética e consumo.
Segundo a fabricante, a tecnologia alcançou consumo homologado de até 45 km/l, além de atingir 48,4% de eficiência térmica — índice que figura entre os mais elevados do mundo para motores a combustão produzidos em série, com certificação do Guinness World Records.
O novo conjunto será adotado em modelos de alto volume da marca, como o Geely Monjaro e o Geely Preface, com expansão prevista ao longo de 2026 para outros produtos da linha, incluindo o sedã Emgrand e o Boyue. Nenhum deles, ao menos até o momento, é oferecido no Brasil.
Primeiros modelos da Geely oferecidos na China com a tecnologia i-HEV
A estratégia da Geely acompanha um movimento mais amplo da indústria chinesa, que volta a priorizar os híbridos convencionais como solução intermediária entre veículos a combustão e elétricos, sobretudo diante do custo elevado das baterias maiores utilizadas em EVs e híbridos plug-in.
No caso do i-HEV, a marca destaca o uso de gerenciamento energético baseado em inteligência artificial, capaz de elevar a eficiência geral em mais de 10%. O sistema combina motores dedicados ao uso híbrido — nas configurações 1.5, 1.5 turbo e 2.0 turbo — com uma unidade elétrica integrada “11 em 1”.
Outro ponto relevante está no desempenho. O conjunto elétrico entrega até 230 kW (cerca de 313 cv) de potência, com foco em respostas rápidas no uso urbano e maior capacidade de regeneração de energia.
Nos modelos já anunciados, os números também chamam atenção. O Preface i-HEV registra consumo de 3,98 l/100 km (25 km/l) no ciclo WLTC, enquanto o Monjaro i-HEV alcança 4,75 l/100 km (21 km/l).
Os dois modelos com a nova configuração mecânica mais sofisticada mantêm o design atual, com leves atualizações estéticas, e oferecem cabine com telas duplas, sistema multimídia Flyme Auto e integração com smartphones, incluindo Huawei HiCar. Versões mais completas adicionam head-up display, bancos ventilados com função de massagem e maior flexibilidade no banco traseiro.
A ofensiva da Geely ocorre em um momento de mudança no ambiente regulatório chinês, com redução de incentivos a híbridos plug-in e maior neutralidade tecnológica nas políticas públicas. Esse cenário tende a favorecer os HEVs, que utilizam baterias menores — entre 1 e 2 kWh — e, portanto, têm menor exposição ao custo de matérias-primas.
Globalmente, os híbridos seguem relevantes. A Toyota, por exemplo, vendeu cerca de 4,4 milhões de veículos híbridos em 2025, o equivalente a aproximadamente 42% de seu volume total, reforçando a demanda consistente por essa tecnologia.
Além dos híbridos, a Geely também mantém investimentos em combustíveis alternativos, como o metanol. O presidente da companhia, Li Shufu, voltou a defender a solução, afirmando que o combustível apresenta densidade energética significativamente superior à das baterias de íons de lítio, com impactos em peso e eficiência no transporte.
Com vendas superiores a 476 mil veículos apenas no primeiro bimestre de 2026, a Geely sinaliza que a nova tecnologia híbrida será peça central em sua estratégia de escala global, combinando eficiência energética, desempenho e custo competitivo — fatores que devem influenciar diretamente o posicionamento da marca tanto em mercados emergentes, como o brasileiro, quanto em países maduros.
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