Carros elétricos: especialista rebate mitos sobre incêndios, enchentes e campos eletromagnéticos
Engenheiro eletricista afirma que boa parte das preocupações envolvendo veículos elétricos não encontra respaldo técnico
César Tizo - maio 4, 2026
Com o avanço da eletrificação automotiva no Brasil e no mundo, cresce também a disseminação de dúvidas e informações equivocadas sobre os carros elétricos. Questões relacionadas a incêndios, explosões durante a recarga, circulação em dias de chuva e até supostos riscos de radiação ainda cercam os modelos eletrificados, apesar dos avanços tecnológicos e dos rígidos protocolos de segurança adotados pela indústria.
Segundo Jones Poffo, engenheiro eletricista e CEO da P3 Engenharia, grande parte dessas preocupações não se sustenta quando analisada sob critérios técnicos e estatísticos. Um dos principais mitos, de acordo com o especialista, envolve a suposta maior probabilidade de incêndios em veículos elétricos.
Dados levantados pelo site americano Auto Insurance REZA apontam que veículos movidos a gasolina apresentam risco de incêndio até 60 vezes maior em comparação aos modelos elétricos. A explicação está diretamente relacionada à natureza dos combustíveis fósseis, altamente inflamáveis, enquanto os automóveis elétricos utilizam baterias de íon-lítio equipadas com sofisticados sistemas de segurança.
Entre os recursos empregados pelos fabricantes estão monitoramento térmico constante, sensores eletrônicos e desligamento automático da energia em caso de colisões severas. Segundo Poffo, o nível de controle eletrônico dos veículos elétricos é significativamente superior ao encontrado em modelos convencionais.
“Os carros elétricos são projetados com múltiplas camadas de segurança justamente para evitar situações críticas. Existe um nível de controle e monitoramento muito mais sofisticado do que nos veículos tradicionais”, explica o especialista.
Outro ponto frequentemente associado aos elétricos envolve o carregamento das baterias. Segundo o engenheiro, tanto os veículos quanto as estações de recarga contam com sistemas de proteção contra sobrecarga, superaquecimento e falhas elétricas.
Poffo ressalta que problemas mais graves normalmente estariam ligados a situações muito específicas, como defeitos de fabricação ou uso de equipamentos inadequados. Por isso, ele recomenda sempre utilizar carregadores homologados e infraestrutura elétrica certificada.
As dúvidas sobre a utilização de veículos elétricos em dias de chuva ou em regiões alagadas também são comuns. Nesse aspecto, o especialista afirma que os automóveis eletrificados não oferecem riscos adicionais em relação aos modelos a combustão.
Detalhes de alguns módulos que compõem as baterias de carros elétricos
Os componentes elétricos são completamente selados para evitar infiltrações e curtos-circuitos. Além disso, a ausência de escapamento pode até representar uma vantagem em áreas alagadas, já que elimina o risco de entrada de água no sistema de exaustão, algo que pode comprometer motores convencionais.
Outro equívoco recorrente envolve a suposta emissão constante de gases tóxicos pelas baterias. Conforme o engenheiro, as baterias de íon-lítio são estruturas seladas e não liberam vapores durante a operação normal do veículo.
Casos de emissão de substâncias tóxicas podem ocorrer apenas em situações extremas, como incêndios que atinjam diretamente o conjunto de baterias. Ainda assim, Poffo destaca que a probabilidade desse cenário é considerada baixa graças às diversas camadas de proteção adotadas nos projetos atuais.
A teoria de que carros elétricos emitiriam “radiação” prejudicial à saúde também não possui respaldo científico. Assim como celulares, computadores e eletrodomésticos, os veículos geram campos eletromagnéticos, porém em níveis inferiores aos limites considerados nocivos por organismos internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além dos sistemas embarcados de segurança, os veículos elétricos precisam atender a rigorosas normas internacionais antes de chegarem ao mercado. Entre elas estão regulamentações da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE) e da Comissão Europeia, que exigem extensivos testes estruturais, elétricos e térmicos.
Na prática, os automóveis eletrificados atuais contam com soluções como corte automático de energia em colisões, monitoramento contínuo da bateria e proteção contra sobrecarga durante o carregamento.
Para aumentar ainda mais a segurança e preservar a durabilidade do veículo, o especialista recomenda priorizar recargas lentas sempre que possível, utilizar equipamentos certificados e evitar adaptações elétricas improvisadas.
“Os carros elétricos representam não só uma evolução em eficiência, mas também em segurança. Quando utilizados corretamente, são extremamente confiáveis e preparados para diferentes situações do dia a dia”, conclui Poffo.
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