Anfavea eleva projeção para 2026 e Brasil pode voltar a superar 3 milhões de veículos vendidos após 12 anos
Entidade revisa estimativas diante do aquecimento do mercado, mas alerta para crescimento limitado da produção nacional
César Tizo - julho 8, 2026
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para cima suas projeções para o mercado brasileiro em 2026. Com o desempenho acima do esperado no primeiro semestre, a entidade agora estima que o país ultrapassará a marca de 3 milhões de veículos emplacados neste ano, resultado que não é registrado desde 2014.
Caso a previsão se confirme, o mercado encerrará 2026 com crescimento de 11,7% em relação ao ano passado, percentual bem superior aos 2,7% projetados pela Anfavea no início do ano. O principal responsável pela revisão é o segmento de automóveis e comerciais leves, cuja expectativa de expansão passou para 12,6%. Já caminhões e ônibus deverão fechar o ano com retração de 6%.
Apesar do forte aquecimento da demanda interna, a produção nacional não acompanhará o mesmo ritmo. A entidade elevou sua estimativa de crescimento da fabricação de veículos de 3,7% para 5,8%, o que representa um volume próximo de 2,8 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019.
Segundo a Anfavea, o avanço mais contido da produção é consequência da maior participação dos veículos importados no mercado brasileiro e da forte retração das exportações.
“Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção, que vem se refletindo em ligeira elevação do nível de empregos. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação“, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Melhor primeiro semestre desde antes da pandemia
Os números consolidados entre janeiro e junho reforçam o bom momento do mercado brasileiro. No período, foram produzidos 1,372 milhão de veículos, alta de 8,8% na comparação com o primeiro semestre de 2025, configurando o melhor desempenho desde 2019.
As vendas de automóveis foram o principal motor desse crescimento, com avanço de 23,7%, o equivalente a 208 mil unidades adicionais em relação ao mesmo período do ano passado.
Desse total, cerca de 73 mil veículos foram comercializados graças ao programa Carro Sustentável, voltado aos modelos de entrada. Outros 130 mil emplacamentos adicionais vieram do crescimento dos veículos eletrificados, sendo aproximadamente 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados.
A participação dos eletrificados também atingiu um novo recorde em junho, quando esses modelos responderam por 20,9% das vendas de veículos leves no país.
Caminhões e ônibus ainda enfrentam dificuldades
Enquanto o segmento de veículos leves mantém ritmo acelerado, o mercado de pesados segue em recuperação mais lenta, mesmo com os estímulos da segunda fase do programa Move Brasil.
No acumulado do semestre, as vendas de caminhões recuaram 10,5%, enquanto os ônibus registraram queda de 11,6%. Embora junho tenha apresentado o melhor desempenho do ano para ambos os segmentos, a Anfavea considera improvável uma recuperação suficiente para reverter a expectativa de retração em 2026.
Exportações caem e importações ganham espaço
O cenário externo continua sendo um dos principais desafios para a indústria automotiva brasileira. Em junho, as exportações recuaram 26,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do semestre, os embarques totalizaram 216,6 mil unidades, queda de 21,2%.
A Argentina, principal destino dos veículos produzidos no Brasil, respondeu pela maior parte dessa retração, com redução próxima de 60 mil unidades importadas no período. Segundo a Anfavea, além da desaceleração do mercado argentino, os modelos brasileiros vêm perdendo espaço para veículos fabricados na China e no México.
Ao mesmo tempo, as importações seguem em forte expansão. Entre janeiro e junho, foram emplacados 280,6 mil veículos importados, dos quais metade teve origem na China. Em apenas um ano, o volume de veículos chineses enviados ao Brasil dobrou, passando de 70 mil para 140 mil unidades.
Com esse movimento, o país voltou a registrar déficit na balança comercial do setor automotivo. No primeiro semestre, entraram no Brasil 63 mil veículos a mais do que o total exportado, evidenciando a crescente participação dos importados no mercado nacional.
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