O que fez um BYD perder o motor na China? Marca explica
Fabricante afirma que SUV atingiu um objeto submerso durante travessia de área inundada e nega falha de fabricação
César Tizo - julho 14, 2026
A BYD se manifestou oficialmente sobre o caso que chamou atenção nas redes sociais nos últimos dias, quando um exemplar do SUV grande Tang foi flagrado trafegando pelas ruas alagadas de Shenyang, na China, com o conjunto do motor elétrico traseiro desprendido da carroceria.
Segundo a fabricante, o incidente não foi causado por uma falha de fabricação, mas por um forte impacto sofrido na parte inferior do veículo ao atingir um objeto submerso durante a travessia da área alagada.
A explicação foi divulgada pelo atendimento oficial da montadora em entrevista ao portal chinês Langzhang News. De acordo com a BYD, os dados do veículo e os danos observados nos pontos de fixação indicam que o conjunto do motor elétrico traseiro foi arrancado após uma colisão severa com um obstáculo escondido pela água.
A empresa informou ainda que entrou em contato com o proprietário do veículo e providenciou uma inspeção para avaliar os danos.
Repercussão
O episódio ganhou grande repercussão após vídeos mostrarem o SUV arrastando o conjunto mecânico sob a traseira. Nas redes sociais chinesas, usuários chegaram a brincar que o modelo teria “dado à luz”, diante da forma como a peça permanecia presa ao veículo enquanto era arrastada pela rua.
Como a BYD inicialmente não havia se pronunciado, surgiram especulações sobre uma possível falha estrutural ou problema de projeto.
Com o esclarecimento da fabricante, a hipótese defendida pela empresa é de que o desprendimento ocorreu em razão de um impacto excepcional, e não por defeito do sistema de fixação.
Riscos dos alagamentos
O episódio também reacende uma discussão que vem ganhando força nos últimos meses: os riscos de trafegar por áreas alagadas, especialmente com veículos eletrificados.
Curiosamente, a explicação da BYD está alinhada a um alerta feito poucos dias antes pelo vice-presidente executivo da empresa, He Zhiqi. Segundo o executivo, embora a bateria Blade e os sistemas de alta tensão atendam aos elevados padrões de proteção contra água (IP67 e IP68, dependendo do componente), isso não significa que o veículo deva atravessar enchentes profundas.
O principal risco, segundo a fabricante, não é necessariamente a entrada de água nos componentes elétricos, mas a possibilidade de colisões com pedras, guias, buracos ou outros obstáculos ocultos sob a lâmina d’água. Esses impactos podem causar danos severos à estrutura inferior do veículo, incluindo componentes da suspensão, bateria ou conjunto motriz.
Na prática, trata-se da mesma recomendação válida para automóveis equipados com motores a combustão: sempre que possível, deve-se evitar atravessar áreas alagadas, principalmente quando não é possível visualizar as condições do piso.
SUV é vendido no Brasil
O SUV envolvido no incidente é comercializado no mercado brasileiro com o nome BYD Tan. Diferentemente da China, onde também existe uma versão híbrida plug-in, o utilitário é oferecido no Brasil exclusivamente com propulsão 100% elétrica.
Posicionado como um dos modelos mais sofisticados da marca no País, o BYD Tan tem preço sugerido de R$ 426.800 e se destaca pelo espaço interno para 7 ocupantes e o sistema de tração integral proporcionada por dois motores elétricos.
Apesar da ampla repercussão do caso em escala global, a matriz chinesa da BYD afirma que, até o momento, as evidências apontam para um dano provocado por um impacto externo em condições extremas de uso, e não para um problema relacionado à qualidade ou ao projeto do veículo.
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