Etanol fica até 43,7% mais barato que a gasolina; veja onde vale a pena abastecer
Indicador de Custo-Benefício Flex atingiu o menor nível desde 2017; biocombustível foi a opção mais vantajosa em oito unidades da Federação
César Tizo - julho 30, 2026
O litro do etanol ficou até 43,7% mais barato que o da gasolina comum em julho de 2026, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis, elaborado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A diferença em questão foi observada no estado de Mato Grosso, onde o preço médio do etanol correspondeu a 56,3% do valor cobrado pela gasolina.
Na média das unidades da Federação, a relação entre os preços do etanol e da gasolina caiu para 66,7%, menor nível desde o início da série histórica do monitor, em janeiro de 2017. Quanto menor esse percentual, maior tende a ser a vantagem financeira do combustível renovável.
Com base no desempenho esperado de um veículo flex, o levantamento apontou o etanol como a escolha mais vantajosa em oito unidades da Federação: Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais e Bahia.
A referência tradicionalmente utilizada considera o etanol vantajoso quando seu preço corresponde a até 70% do valor da gasolina. O ponto de equilíbrio real, contudo, pode variar de acordo com o veículo, as condições de tráfego e o estilo de condução.
É importante ressaltar que os 66,7% representam a média dos indicadores calculados separadamente para as UFs. O resultado, portanto, não corresponde à divisão direta entre os preços médios nacionais do etanol e da gasolina.
No início da série, em janeiro de 2017, o indicador estava em 82,2%, situação largamente favorável à gasolina. Entre os menores níveis anteriores aparecem os 66,9% registrados em setembro de 2018 e os 66,8% de fevereiro de 2024. Em junho deste ano, a relação estava em 67,9%.
Elaboração: Guru dos Carros com base em dados do Monitor de Preços de Combustíveis
Queda do etanol ajuda a explicar vantagem recorde
A ampliação da competitividade do etanol está relacionada ao comportamento oposto dos preços dos dois combustíveis ao longo deste ano.
Em julho, o etanol hidratado ficou 2,3% mais barato em relação ao mês anterior, enquanto a gasolina comum recuou apenas 0,5%. No acumulado de 2026, a diferença torna-se mais evidente: o combustível renovável registra queda de 7%, ao passo que a gasolina acumula alta de 6,6%.
Nos últimos 12 meses, o etanol também apresenta redução de 2,2%, enquanto a gasolina comum ficou 6,4% mais cara.
O litro do etanol custou, em média, R$ 4,163 no país em julho. Já a gasolina comum foi comercializada por R$ 6,693. A gasolina aditivada alcançou R$ 6,821 por litro.
Elaboração: Guru dos Carros com base em dados do Monitor de Preços de Combustíveis
Veja onde vale a pena abastecer com etanol
As diferenças regionais mostram que o etanol não é necessariamente a melhor escolha em todo o país. Como já explicado, o combustível renovável apresentou a relação mais favorável em Mato Grosso, onde custou o equivalente a apenas 56,3% do preço da gasolina.
São Paulo aparece na sequência, com uma relação de 59,5%. Também apresentaram indicadores favoráveis ao etanol Mato Grosso do Sul (62,2%), Goiás (62,6%), Paraná (63,9%), Distrito Federal (64,5%), Minas Gerais (66,7%) e Bahia (69,3%).
Na outra extremidade, a gasolina permaneceu mais vantajosa principalmente em estados das regiões Norte e Nordeste. O maior indicador foi registrado no Rio Grande do Norte, onde o preço do etanol correspondeu a 77,8% do valor da gasolina.
Também favoreceram a gasolina Maranhão (77,3%), Pará (77%), Ceará (76,5%), Sergipe (76,5%), Rondônia (75,9%), Rio Grande do Sul (75,8%) e Alagoas (75,6%).
Entre esses extremos, o relatório classificou como indiferente a escolha entre os combustíveis em estados como Pernambuco, Paraíba, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Piauí, Tocantins, Roraima, Amazonas, Santa Catarina e Acre. Nesses casos, as características de cada veículo tornam-se ainda mais relevantes para a decisão.
Não foram apresentados resultados válidos para o Amapá devido à indisponibilidade de informações.
Elaboração: Guru dos Carros com base em dados do Monitor de Preços de Combustíveis
Diferenças entre as capitais
Na média das capitais, o Indicador de Custo-Benefício Flex ficou em 67,2%, também entre os menores níveis da série histórica.
Cuiabá apresentou a situação mais favorável ao etanol, com uma relação de 55,9%. Na cidade de São Paulo, o indicador ficou em 60,4%, enquanto Campo Grande registrou 62,1%, Brasília alcançou 64,5%, Goiânia marcou 65,5% e Belo Horizonte encerrou julho em 65,9%.
Em sentido contrário, a gasolina mostrou maior vantagem em Natal (77,1%), São Luís (76%), Belém (75,9%), Porto Alegre (75,6%), Aracaju (75,5%) e Maceió (75,1%).
Preços elevados no Norte e Nordeste
As diferenças regionais também ficam evidentes quando considerados os preços absolutos.
A gasolina comum atingiu R$ 7,124 por litro na região Norte e R$ 7,020 no Nordeste. Os menores valores foram encontrados no Sul, com média de R$ 6,498, e no Sudeste, onde o litro custou R$ 6,545.
Entre as unidades da Federação, Roraima teve a gasolina mais cara do país, a R$ 7,808 por litro. Na sequência aparecem Acre (R$ 7,528), Rondônia (R$ 7,366), Sergipe (R$ 7,328) e Amazonas (R$ 7,177).
Os menores preços foram registrados no Distrito Federal (R$ 6,319), Rio Grande do Sul (R$ 6,364), Minas Gerais (R$ 6,442), Santa Catarina (R$ 6,488) e São Paulo (R$ 6,536).
No caso do etanol, os maiores valores regionais também foram encontrados no Norte, a R$ 5,185 por litro, e no Nordeste, a R$ 5,039. As médias mais baixas apareceram no Sudeste, a R$ 4,023, e no Centro-Oeste, a R$ 4,100.
Diesel ainda acumula forte alta no ano
Cinco dos seis combustíveis acompanhados pelo monitor ficaram mais baratos em julho. Além das quedas da gasolina e do etanol, o diesel comum recuou 2,1%, o diesel S-10 caiu 1,8% e a gasolina aditivada ficou 0,7% mais barata.
O GNV foi a única exceção, com alta mensal de 4%.
Apesar do recuo em julho, o diesel continua apresentando as maiores altas acumuladas. O diesel S-10 ficou 13% mais caro desde o início do ano e 13,8% nos últimos 12 meses. Seu preço médio nacional alcançou R$ 6,981 por litro.
O diesel comum, comercializado por R$ 6,833 por litro, acumula aumentos de 11,6% em 2026 e de 12,4% nos últimos 12 meses. Já o GNV atingiu a média nacional de R$ 4,846 por m³, com avanço de 4,3% no ano.
Abastecimento e renda domiciliar
O relatório também atualizou o Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, que calcula a parcela da renda domiciliar necessária para abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum.
No primeiro trimestre de 2026, o abastecimento correspondeu a 5,5% da renda média domiciliar das famílias brasileiras. No mesmo período de 2025, a proporção era de 5,8%.
Na média das capitais, o comprometimento da renda diminuiu de 3,8% para 3,7%. Segundo o estudo, os resultados indicam uma melhora relativa do poder de compra, situando o indicador entre os menores níveis para um primeiro trimestre desde 2017.
As desigualdades regionais, entretanto, permanecem expressivas. Abastecer o mesmo volume de gasolina exigiu o equivalente a 8,5% da renda domiciliar no Nordeste e 7,5% no Norte. A proporção caiu para 4,7% no Sul, 4,6% no Sudeste e 4,5% no Centro-Oeste.
O Monitor de Preços de Combustíveis utiliza dados transacionais da Veloe, levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e resultados do IPC-Fipe. O cálculo do poder de compra também considera informações de renda divulgadas pelo IBGE.
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