Produção de motos bate recorde em julho e vendas chegam a 199 mil unidades
Fábricas de Manaus produziram 190.794 motocicletas no mês, alta de 36%, enquanto emplacamentos alcançaram o melhor julho da história
César Tizo - agosto 11, 2026
A indústria brasileira de motocicletas registrou em julho o maior volume de produção já alcançado para o mês. Segundo dados divulgados pela Abraciclo, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 190.794 unidades, avanço de 36% sobre julho de 2025 e de expressivos 45,8% na comparação com junho deste ano.
O desempenho também levou a produção acumulada de 2026 ao melhor resultado para os sete primeiros meses de um ano desde 2008. De janeiro a julho, saíram das linhas de montagem 1.254.191 motocicletas, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
“O desempenho registrado em julho reforça a trajetória positiva do nosso setor ao longo de 2026 e confirma a força da indústria de motocicletas e a capacidade das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus de responder à demanda do mercado”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
Vendas também alcançam recorde
O forte ritmo da indústria vem acompanhado pelo avanço do mercado brasileiro.
Em julho foram licenciadas 199.236 motocicletas, melhor resultado da história para o mês. O volume representa crescimento de 3,1% em relação a julho do ano passado e de 2,6% sobre junho.
Considerando os 23 dias úteis do período, foram emplacadas, em média, 8.662 motocicletas por dia.
No acumulado de janeiro a julho, o mercado atingiu 1.373.580 unidades, alta de 12,3% sobre os sete primeiros meses de 2025 e também o melhor resultado histórico para o período.
Os números revelam ainda que o ritmo do varejo permanece superior ao crescimento da própria produção nacional: enquanto os emplacamentos avançaram 12,3% no acumulado, a fabricação cresceu 9,9%.
Motos Street respondem por mais da metade da produção
A categoria Street continuou dominando as linhas de montagem brasileiras. Foram produzidas 98.571 unidades apenas em julho, equivalentes a 51,7% de todas as motocicletas fabricadas no período.
No acumulado de 2026, a liderança também permanece ampla. As Street somaram 642.209 unidades, participação de 51,2% na produção nacional.
Na sequência aparecem as motocicletas Trail, com 248.628 unidades e 19,8% do total produzido entre janeiro e julho, e as motonetas, com 162.100 exemplares e participação de 12,9%.
Assim, as três categorias juntas responderam por quase 84% de toda a produção nacional de motocicletas nos sete primeiros meses do ano.
Baixa cilindrada ainda domina, mas motos maiores avançam
As motocicletas de baixa cilindrada continuam representando a maior parcela da indústria brasileira.
De janeiro a julho foram fabricadas 985.788 unidades dessa faixa, correspondentes a 78,6% da produção total.
As motocicletas de média cilindrada aparecem bem atrás, com 231.432 unidades e participação de 18,5%.
Apesar da participação ainda reduzida, o principal crescimento percentual veio justamente das motocicletas de alta cilindrada. A fabricação desse grupo avançou 30,7% em comparação aos sete primeiros meses de 2025, alcançando 36.971 unidades.
Elas representam atualmente 2,9% da produção brasileira.
A fotografia de julho reforça a predominância das motos menores. Das 190.794 unidades produzidas, 154.575 eram de baixa cilindrada, ou 81% do total. As médias responderam por 31.533 unidades (16,5%) e as de alta cilindrada, por 4.686 motocicletas (2,5%).
Exportações crescem quase 29% no ano
O desempenho das exportações também permanece positivo em 2026.
Em julho, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus embarcaram 3.289 motocicletas para outros mercados, aumento de 22,8% em comparação ao mesmo período de 2025.
No acumulado do ano, as exportações chegaram a 27.373 unidades, crescimento de 28,6%.
Apesar da evolução percentual expressiva, o mercado externo continua representando uma parcela pequena diante do volume produzido pelas fábricas brasileiras e da demanda interna.
Clima ainda preocupa fabricantes
Mesmo diante dos recordes, a Abraciclo afirma acompanhar as condições climáticas na região Norte, especialmente o nível dos rios e as condições de navegação.
A questão é relevante porque a logística das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus depende fortemente das rotas fluviais.
“As fabricantes estão monitorando, em conjunto com as autoridades, o nível dos rios e as condições de navegação. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para mitigar eventuais impactos na logística de transporte e abastecimento dos centros de produção”, explica Bento.
Por enquanto, contudo, os indicadores mostram uma indústria em forte expansão. Além do recorde de produção em julho, o mercado doméstico caminha em ritmo ainda mais acelerado e acumula mais de 1,37 milhão de motocicletas licenciadas somente nos sete primeiros meses de 2026.
Linha de produção da Honda na Zona Franca de Manaus
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