Financiamento de veículos tem melhor julho no Brasil desde 2008
Operações somaram 674.735 unidades no mês, alta de 5,6% sobre julho de 2025; prazo médio dos contratos também aumentou
César Tizo - agosto 24, 2026
O financiamento de veículos alcançou em julho o maior volume para o mês no Brasil em 18 anos. Foram 674.735 unidades financiadas entre automóveis, comerciais leves, motocicletas e veículos pesados, resultado que não era registrado para julho desde 2008.
Naquele ano, 794.843 veículos haviam sido financiados no mês. Em relação a julho de 2025, o resultado deste ano representa crescimento de 5,6%.
Os dados são da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a dados e inteligência de mercado. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, os financiamentos chegaram a 4,452 milhões de unidades, avanço de 10% sobre o mesmo intervalo do ano passado.
Automóveis e comerciais leves lideram operações
O maior volume continua concentrado nos automóveis e comerciais leves. A categoria respondeu por 479.987 unidades financiadas em julho, crescimento de 6,1% na comparação anual.
Desse total, 124.933 operações envolveram veículos novos, enquanto os usados responderam por 355.054 financiamentos.
Na prática, aproximadamente três em cada quatro automóveis e comerciais leves financiados no período eram usados.
Segundo Bruno Saldanha, gerente de Produtos da Trillia, o mercado registrou em julho uma média superior a 21 mil veículos financiados por dia, reforçando a trajetória de crescimento das operações de crédito no setor automotivo.
Motos e pesados também avançam
As motocicletas registraram 163.587 financiamentos em julho. Foram 118.318 unidades novas e 45.269 usadas.
Na comparação com julho do ano passado, o segmento apresentou crescimento de 8,8%.
O avanço proporcional foi ainda maior entre os veículos pesados. Caminhões e outros modelos enquadrados na categoria somaram 30.005 financiamentos, alta de 15,5% sobre julho de 2025.
Desse volume, 14.670 operações envolveram veículos novos e 15.335 usados.
Prazo dos financiamentos fica maior
O levantamento também aponta uma mudança importante no perfil do crédito contratado pelos consumidores.
O prazo médio total dos financiamentos passou de 45 meses em julho de 2025 para 47 meses em julho deste ano.
Os contratos mais longos foram observados entre veículos com até três anos de uso e aqueles entre quatro e oito anos, ambos com prazo médio de 51 meses. Entre os veículos novos, a média ficou em 43 meses.
Ao mesmo tempo, houve diferenças relevantes no comportamento dos financiamentos conforme a idade do veículo.
Entre os automóveis e comerciais leves novos, as operações cresceram 21% em relação a julho de 2025. Os financiamentos de veículos com até três anos avançaram 11,8%, enquanto aqueles com mais de 12 anos registraram aumento de 15,9%.
Na direção oposta, houve queda de 5,2% entre os veículos com quatro a oito anos e recuo de 11,3% na faixa entre nove e 12 anos.
São Paulo concentra maior número de financiamentos
O Sudeste permaneceu como principal mercado do país para o crédito automotivo.
São Paulo registrou 171.408 financiamentos em julho e liderou com ampla vantagem. Minas Gerais apareceu na sequência, com 61.433 operações.
Entre os cinco estados com maior volume também ficaram Paraná, com 52.624 unidades, Santa Catarina, com 46.957, e Rio de Janeiro, com 34.593.
Preços dos veículos caíram em julho
Apesar do aumento das operações de financiamento, os preços efetivamente praticados no mercado recuaram durante julho, segundo a Tabela Auto B3.
Entre os veículos 0 km, a queda média nas transações foi de aproximadamente 1,2% em comparação com junho.
As picapes compactas apresentaram a maior redução, de 2,3%, seguidas pelas picapes derivadas de automóveis, com queda de 1,5%, e pelos hatchbacks, com recuo de 1,4%.
Considerando os últimos 12 meses, os preços de transação dos veículos novos acumulam retração média de aproximadamente 4,7%.
O comportamento foi semelhante entre os usados. Os preços recuaram em média 1% apenas em julho.
Os SUVs tiveram a maior queda mensal, de 1,6%, enquanto crossovers recuaram 1,5% e picapes médias, 1%.
Em 12 meses, os usados também acumulam redução média de aproximadamente 4,7%. Nesse intervalo, as maiores quedas foram registradas pelos SUVs, com 8,2%, além de picapes compactas e crossovers, ambos com retração de 7,6%.
Os números mostram um cenário em que o acesso ao crédito continua avançando e alcança patamares que não eram vistos há quase duas décadas, ao mesmo tempo em que os consumidores encontram preços médios de transação mais baixos tanto entre os veículos novos quanto no mercado de usados.
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