Carros pelo Mundo | Geely lança híbrido “irmão” do Renault Koleos; Honda e Nissan unem software
Denza prepara SUV elétrico de 1.003 km, enquanto Volvo fechará escritório especializado em software e inteligência artificial
César Tizo - agosto 31, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Geely iniciou pelo Egito a expansão internacional do Monjaro EM-i, SUV híbrido relacionado ao projeto que deu origem ao Renault Koleos vendido no Brasil. O lançamento amplia a ofensiva global da fabricante chinesa em segmentos superiores e apresenta pela primeira vez sua tração elétrica integral em um modelo de exportação.
No Japão, Honda e Nissan formalizaram o desenvolvimento conjunto de componentes eletrônicos e programas para veículos definidos por software. A edição acompanha ainda o novo Denza N8, elétrico com autonomia declarada superior a 1.000 km, e a decisão da Volvo de concentrar em Gotemburgo atividades hoje realizadas por um escritório tecnológico em Estocolmo.
Geely Monjaro EM-i inicia expansão global pelo Egito
A Geely apresentou no Cairo, em 29 de agosto, o Monjaro EM-i, primeiro SUV híbrido do segmento D criado pela marca especificamente para uma expansão internacional.
O modelo utiliza a arquitetura GEA Evo, preparada para diferentes configurações de propulsão e para uma estrutura eletrônica centralizada. O sistema EM-i combina um motor 1.5 turbo desenvolvido para aplicações híbridas com unidades elétricas.
A configuração Ultra AWD possui tração integral elétrica e acelera de 0 a 100 km/h em 5,8 segundos. A Geely ainda não detalhou na comunicação global a potência combinada, a capacidade da bateria, a autonomia elétrica ou os preços.
O SUV possui 2.845 mm de distância entre-eixos e aproximadamente 4,8 m de comprimento. A cabine emprega o sistema multimídia Flyme Auto, desenvolvido a partir da tecnologia da Meizu, além do sistema de áudio Flyme Sound.
O Monjaro é a versão internacional do Geely Xingyue L. Esse projeto também serviu como ponto de partida para o Renault Grand Koleos desenvolvido e produzido na Coreia do Sul, comercializado no mercado brasileiro como Koleos E-Tech.
Isso não significa que os dois veículos sejam idênticos. A Renault modificou desenho, equipamentos e calibrações, enquanto o novo Monjaro EM-i utiliza uma evolução da plataforma voltada aos eletrificados da Geely.
Ainda não existe confirmação de lançamento brasileiro do Monjaro. A presença da Geely no país, sua associação industrial com a Renault e o parentesco com o Koleos, entretanto, tornam o modelo especialmente relevante para acompanhar possíveis ampliações da gama local.
A expansão internacional também ganhou importância financeira. A Geely exportou 474.228 veículos no primeiro semestre de 2026, crescimento de 157,6%, e elevou sua meta anual de exportações de 640 mil para 920 mil unidades.
Geely Monjaro EM-i
Honda e Nissan desenvolverão juntas a eletrônica dos futuros carros
Honda e Nissan assinaram um acordo para desenvolver conjuntamente unidades eletrônicas de controle e programas destinados a veículos definidos por software.
As empresas pretendem estabelecer especificações comuns para os principais computadores da arquitetura elétrica, sistemas operacionais, componentes intermediários de software e programas responsáveis pelo controle do automóvel.
Os primeiros veículos com a tecnologia compartilhada estão previstos para o ano fiscal japonês de 2029, iniciado em abril daquele ano.
A padronização poderá reduzir investimentos duplicados e acelerar o lançamento de atualizações remotas, assistentes de condução, serviços conectados e novas funções digitais.
Veículos definidos por software concentram mais funções em computadores centrais, permitindo modificar características e acrescentar recursos sem substituir módulos físicos. Essa arquitetura já ocupa posição central nas estratégias de fabricantes chinesas, Tesla e diferentes grupos europeus.
A parceria deriva de estudos iniciados em 2024 e continuará mesmo depois do encerramento das negociações de fusão entre Honda e Nissan. A Mitsubishi avalia participar do projeto, mas ainda não confirmou sua adesão.
As duas fabricantes mantêm operações relevantes no Brasil. A adoção da arquitetura compartilhada poderá chegar futuramente a produtos destinados ao país, embora nenhum modelo tenha sido anunciado até o momento.
Denza N8 terá até 1.210 cv e 1.003 km pelo CLTC
A Denza divulgou a primeira imagem da cabine do N8, grande SUV elétrico de cinco lugares que será lançado na China.
O modelo mede 5.150 mm de comprimento, 1.999 mm de largura, 1.820 mm de altura e possui 3.075 mm de distância entre-eixos.
A versão inicial utiliza um motor traseiro de 320 kW, equivalentes a aproximadamente 435 cv. Outra configuração com tração traseira eleva a potência para 370 kW, cerca de 503 cv.
Denza N8
No topo da gama, três motores elétricos entregam uma potência instalada de 890 kW, equivalentes a aproximadamente 1.210 cv. As baterias de fosfato de ferro-lítio possuem 105,792 kWh ou 130,15 kWh.
Dependendo da configuração, a autonomia declarada varia de 800 km a 1.003 km pelo ciclo chinês CLTC. Esses valores não devem ser comparados diretamente com resultados do Inmetro, WLTP ou EPA, que utilizam procedimentos diferentes.
O N8 também terá a tecnologia de recarga ultrarrápida da BYD. A fabricante declara que baterias compatíveis podem passar de 10% a 97% em nove minutos quando conectadas às estações Flash Charging.
Na cabine, uma tela panorâmica com 1,1 m de largura percorre a base do para-brisa. Outra tela de 30 polegadas concentra as funções da central multimídia. Bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem também aparecem nas informações preliminares.
A Denza já mantém operação própria no Brasil, com os modelos B5 e Z9 GT, além da futura minivan D9. O N8 não está confirmado para o país, mas seria uma alternativa da marca para disputar o segmento de grandes SUVs elétricos de luxo.
Denza N8: modelo contará com tela panorâmica de 1 m no painel
Volvo fechará escritório de tecnologia em Estocolmo
A Volvo Cars fechará em 1º de março de 2027 seu escritório de Estocolmo, onde trabalham atualmente cerca de 450 pessoas.
As atividades serão transferidas principalmente para a sede da fabricante em Gotemburgo. Segundo a empresa, a concentração em menos endereços deverá reduzir a complexidade, acelerar a colaboração entre departamentos e diminuir custos.
O escritório de Estocolmo participou da construção de equipes especializadas em desenvolvimento de software, inteligência artificial e experiências digitais para clientes.
A companhia não informou quantos profissionais serão dispensados ou transferidos. Portanto, o fechamento não deve ser interpretado automaticamente como a demissão de todos os 450 funcionários.
A decisão integra uma reorganização mais ampla. A Volvo havia anunciado a eliminação de aproximadamente 3 mil postos, principalmente administrativos, em resposta à demanda mais fraca, aos custos de desenvolvimento e às incertezas comerciais.
A Volvo é controlada majoritariamente pelo grupo Geely, mas mantém administração, engenharia e posicionamento próprios. A reorganização mostra que até fabricantes com forte presença em veículos conectados estão revendo como distribuir suas equipes tecnológicas.
O mercado brasileiro não foi citado na decisão. Ainda assim, eventuais mudanças no ritmo de desenvolvimento de software e serviços conectados podem alcançar produtos vendidos globalmente, inclusive automóveis importados pela operação nacional.
Os destaques desta edição mostram duas tendências simultâneas. Fabricantes ampliam o compartilhamento de plataformas, eletrônica e programas para controlar custos, enquanto as marcas chinesas aceleram a chegada de SUVs híbridos e elétricos de alta potência aos mercados internacionais.
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