Carros pelo Mundo | Geely Monjaro EM-i é o primeiro SUV híbrido global da marca com tração integral elétrica
GAC Aion estreia sedã com tecnologia Huawei, enquanto receitas internacionais já respondem por 69% do faturamento da Chery
César Tizo - agosto 20, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
As fabricantes chinesas ampliam a ofensiva internacional com novos produtos e investimentos em eletrificação. A Geely prepara o lançamento global do Monjaro EM-i, primeiro SUV híbrido da marca destinado ao exterior com tração elétrica integral.
Na China, a BYD abriu a pré-venda de dois elétricos da Fang Cheng Bao, enquanto a GAC Aion apresentou um sedã equipado com motor, freios e tecnologias de controle fornecidos pela Huawei. Os resultados financeiros da Chery, por sua vez, mostram que a companhia já depende mais das receitas externas do que de seu mercado doméstico.
Monjaro EM-i será o primeiro SUV híbrido global da Geely com e-AWD
A Geely anunciou o Monjaro EM-i, definido como seu primeiro SUV híbrido global do segmento grande equipado com o sistema e-AWD de tração integral elétrica. A estreia internacional acontecerá no fim de agosto, no Egito, antes da expansão para outros mercados.
O modelo utiliza a arquitetura GEA Evo e deriva do Xingyue L vendido na China. O Monjaro também mantém uma relação direta com o mercado brasileiro: ele serve de base para o Renault Koleos comercializado no país, fruto da parceria entre Renault e Geely.
A Geely ainda não revelou potência, torque, capacidade da bateria, autonomia elétrica ou consumo da versão internacional.
A fabricante afirma que o sistema e-AWD pode responder em milissegundos às variações de aderência. A sigla EM-i identifica a tecnologia híbrida plug-in da companhia, enquanto o nome Monjaro já é utilizado em mercados da Rússia, Oriente Médio, Austrália e América Latina.
Essa ligação com o Koleos aumenta a relevância da novidade para o Brasil, embora não exista qualquer indicação, até o momento, de que o Renault venha a adotar o mesmo conjunto híbrido com tração integral.
O projeto também ganha importância porque a Geely estabeleceu a América Latina e a África como regiões prioritárias, com meta conjunta de aproximadamente 200 mil veículos. A empresa não confirmou o Monjaro EM-i para o Brasil, mas o caráter global e a estratégia regional tornam o SUV uma pauta importante para acompanhamento.
Geely Monjaro EM-i
BYD abre pré-venda de elétricos com até 666 cv
A Fang Cheng Bao, divisão da BYD, iniciou na China a pré-venda do Formula S e do Formula S GT. Os valores variam de 230 mil a 280 mil yuans, abaixo da faixa de 250 mil a 300 mil yuans estimada anteriormente pela imprensa chinesa.
O Formula S é um liftback de quatro portas com 5.060 mm de comprimento, 1.967 mm de largura, 1.483 mm de altura e 2.960 mm de distância entre-eixos.
O Formula S GT utiliza uma carroceria do tipo shooting brake. Ele mede 5.025 mm de comprimento, podendo chegar a 5.095 mm quando equipado com o engate opcional, além dos mesmos 1.967 mm de largura, 1.483 mm de altura e 2.960 mm de entre-eixos.
As configurações com tração traseira utilizam motores de 245 kW ou 300 kW, equivalentes a 333 cv e 408 cv. As versões com tração integral combinam um motor dianteiro de 190 kW e outro traseiro de 300 kW, alcançando 490 kW, aproximadamente 666 cv.
Há baterias LFP de 76,744 kWh e 92,093 kWh, com autonomias declaradas entre 730 km e 900 km pelo ciclo chinês CLTC. A fabricante deverá utilizar a segunda geração da bateria Blade e seu sistema de recarga ultrarrápida.
A apresentação pública acontecerá no Salão de Chengdu, que começa em 21 de agosto. Ainda não existe confirmação de exportação, nem de que os modelos serão comercializados internacionalmente com a marca Denza. Essa possibilidade é apenas uma projeção editorial baseada na estratégia global do grupo.
Fang Cheng Bao Formula S
GAC Aion Ray 7 estreia com motor e freios da Huawei
A GAC Aion apresentou oficialmente o Ray 7, primeiro modelo de uma nova família de elétricos e também o primeiro a adotar a identidade visual atualizada da marca.
O sedã mede 4.960 mm de comprimento, 1.900 mm de largura, 1.455 mm de altura e 2.920 mm de distância entre-eixos. A carroceria fastback possui coeficiente aerodinâmico de 0,22.
Instalado no eixo traseiro, o motor elétrico fornecido pela Huawei desenvolve 180 kW, equivalentes a 245 cv. A GAC anuncia autonomia de 700 km pelo ciclo CLTC e consumo energético de 9,7 kWh/100 km, mas ainda não informou a capacidade da bateria. As células serão fornecidas pela CATL, com a tecnologia estrutural Magazine Battery 2.0 da própria GAC.
O Ray 7 também estreia um sistema de frenagem eletromecânico da Huawei, sem ligação mecânica convencional entre o pedal e os freios. Segundo a fabricante, o sedã precisa de 33 m para parar completamente a partir de 100 km/h.
O conjunto de assistência à condução utiliza 27 sensores, incluindo LiDAR de 192 canais e três radares de ondas milimétricas 4D. Os algoritmos compartilham parte da base tecnológica empregada nos robotáxis de nível 4 da WeRide.
Preço e data de início das vendas ainda não foram anunciados. A GAC já possui operação comercial no Brasil, mas não confirmou a marca Aion nem o Ray 7 para o país.
GAC Aion Ray 7
Exterior já responde por 69% da receita da Chery
A Chery encerrou o primeiro semestre de 2026 com receita de 143,28 bilhões de yuans, crescimento anual de 1,2%. O lucro bruto avançou 25,1%, para 23,04 bilhões de yuans, e a margem bruta subiu de 13% para 16,1%.
A maior transformação ocorreu na distribuição geográfica dos negócios. A receita obtida fora da China aumentou 51%, chegando a 98,97 bilhões de yuans e representando aproximadamente 69% do total.
Os veículos eletrificados também ganharam participação. A receita dessa área cresceu 63,8%, para 59,28 bilhões de yuans, equivalentes a 41,4% do faturamento. Em sentido contrário, a receita com automóveis exclusivamente a combustão caiu 24,8%.
A Chery ampliou em 28,3% os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que chegaram a 6,67 bilhões de yuans. Os recursos foram direcionados a eletrificação, plataformas, assistência à condução e sistemas digitais para as cabines.
Apesar da melhora operacional, o lucro atribuído aos acionistas caiu 11,7%, para 8,57 bilhões de yuans. A companhia relacionou o resultado principalmente à redução dos ganhos cambiais e ao aumento das despesas administrativas e de desenvolvimento.
O grupo opera 12 grandes bases produtivas, três delas fora da China. Sua expansão afeta diretamente o mercado brasileiro, no qual tecnologias e produtos do conglomerado aparecem por meio de operações distintas, envolvendo CAOA Chery, Omoda & Jaecoo, Jetour e a futura iCAUR.
Os destaques mostram que a internacionalização deixou de ser apenas uma alternativa para as fabricantes chinesas. Mercados como América Latina, África e Europa assumem importância crescente tanto para novos produtos quanto para o desempenho financeiro dessas empresas.
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