Chevrolet estuda novo hatch elétrico para enfrentar BYD e Geely no Brasil
GM assina protocolo com a chinesa SGMW para desenvolver oportunidades na América do Sul; saiba mais detalhes
César Tizo - agosto 31, 2026
A Chevrolet pode ampliar sua gama de carros elétricos na América do Sul com um hatch compacto inédito e, em um passo ainda mais relevante, avalia até mesmo realizar a montagem final do futuro modelo no Brasil.
A confirmação foi feita nesta segunda-feira (31) por Thomas Owsianski, presidente e diretor-geral da General Motors América do Sul. Em viagem à China, o executivo assinou um protocolo de intenções com a SGMW, joint venture formada pela SAIC Motor, General Motors e Guangxi Automobile Group, que controla a Wuling.
Segundo Owsianski, o acordo permitirá avançar na avaliação de novos produtos e oportunidades para a região. Entre os projetos em estudo está justamente um “hatch compacto inédito da Chevrolet”, destinado a ampliar a oferta de veículos elétricos da marca na América do Sul.
Wuling Bingo Pro é forte candidato
A Chevrolet não revelou qual automóvel da SGMW servirá de base para o novo projeto. Entretanto, informações que circulam na imprensa especializada brasileira apontam o recém-lançado Wuling Bingo Pro como um dos principais candidatos.
Caso essa hipótese seja confirmada, a Chevrolet passaria a contar com um concorrente direto para modelos como BYD Dolphin e Geely EX2, justamente alguns dos elétricos de maior apelo comercial no mercado brasileiro atualmente.
O Bingo Pro mede 4.050 mm de comprimento, 1.758 mm de largura, 1.580 mm de altura e possui 2.560 mm de distância entre-eixos. Portanto, apesar da proposta compacta, suas dimensões já o aproximam de hatches maiores disponíveis no mercado brasileiro.
Na China, o modelo utiliza motor elétrico dianteiro de 65 kW, equivalentes a 88 cv, com 11,2 kgfm de torque.
São oferecidas baterias de 31,9 kWh e 37,9 kWh. Pelo ciclo chinês CLTC, mais otimista do que o padrão utilizado pelo Inmetro, elas permitem ao Bingo Pro autonomias declaradas de 330 km e 403 km, respectivamente.
A configuração de maior capacidade admite ainda recarga rápida de 30% a 80% em aproximadamente 15 minutos, segundo os dados divulgados para o modelo chinês.
É importante reforçar, porém, que nenhuma dessas especificações pode ser considerada definitiva para um eventual Chevrolet brasileiro. A GM sequer citou que o Bingo Pro estaria envolvido com o projeto.
Wuling Bingo Pro lançado neste ano na China
Chevrolet acelera parceria com a China
A assinatura do protocolo reforça uma estratégia que já começou a produzir efeitos concretos na linha brasileira da Chevrolet.
Tanto o Spark EUV quanto o Captiva EV têm origem em projetos da estrutura chinesa ligada à GM. O Spark deriva do Baojun Yep Plus, enquanto o Captiva EV tem como base o Wuling Starlight S. Ambos já contam com operação de montagem final na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte.
Na prática, a GM está usando o acesso às plataformas, tecnologias e à velocidade de desenvolvimento de suas joint ventures chinesas para acelerar a renovação do portfólio sul-americano.
O movimento ganha especial importância diante da expansão de fabricantes chinesas no Brasil. BYD e Geely, por exemplo, já contam com produtos de elevado volume justamente na faixa dos elétricos compactos, segmento no qual a Chevrolet ainda não dispõe de um hatch propriamente dito.
Hoje, o Spark EUV ocupa a parte mais acessível da gama elétrica da marca, mas é apresentado como um SUV compacto. Um hatch poderia permitir à Chevrolet buscar preço e posicionamento ainda mais agressivos.
Interior do Wuling Bingo Pro
Produção no Brasil ainda não está definida
A GM afirma que a montagem do novo hatch no Brasil está “entre as possibilidades em análise”. Portanto, não existe até o momento uma confirmação de fabricação.
Também não foi informado onde essa operação ocorreria caso o projeto avance.
A PACE aparece naturalmente como uma possibilidade pelo fato de já realizar a etapa final de montagem do Spark EUV e do Captiva EV, ambos derivados de produtos chineses. A unidade vem ampliando sua capacidade e a GM já informou que sua estrutura poderá chegar futuramente a 50 mil veículos por ano.
Por outro lado, a companhia também possui uma extensa estrutura industrial própria no Brasil, com unidades em Gravataí (RS), São Caetano do Sul e São José dos Campos (SP). Assim, qualquer definição sobre a localização do novo projeto depende de uma decisão futura da fabricante.
Um novo Chevrolet de entrada?
Outro ponto ainda indefinido é o nome que o hatch adotaria.
Rumores já associaram o projeto tanto ao histórico nome Celta quanto à denominação Joy, esta última utilizada anteriormente pela Chevrolet em diferentes mercados. Até agora, entretanto, a montadora não confirmou nenhum desses batismos.
O que passa a ser oficial a partir da declaração de Thomas Owsianski é a existência de um projeto para um hatch compacto elétrico Chevrolet voltado à América do Sul e o fato de que uma operação industrial brasileira faz parte dos cenários estudados.
Se concretizado, o modelo também reforçará uma mudança importante na estratégia regional da General Motors: recorrer de maneira cada vez mais intensa às suas parcerias chinesas para responder justamente ao avanço das fabricantes daquele país no mercado brasileiro.
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