Estados Unidos discutem ampliar bloqueio aos carros chineses, enquanto Voyah apresenta minivan de 755 cv e Li Auto avança no Oriente Médio
César Tizo - setembro 6, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A corrida por baterias de estado sólido ganhou um novo capítulo com a ProLogium, que anunciou o início da produção em escala de sua célula Gen 3.5, com densidade energética de 381 Wh/kg. A tecnologia deixa o estágio de laboratório e piloto para avançar em uma plataforma industrial que poderá atender aplicações automotivas.
A edição de hoje também traz novidades importantes da China e dos Estados Unidos. A Denza prepara para 14 de setembro a estreia do N8L totalmente elétrico com autonomia declarada de 960 km, enquanto a Voyah abriu a pré-venda da minivan Dream 9 com até 755 cv. A Li Auto, por sua vez, iniciou vendas oficiais no Oriente Médio, e grandes fabricantes pressionam o Congresso norte-americano por regras ainda mais duras contra carros chineses.
A ProLogium anunciou que sua bateria cerâmica de lítio Gen 3.5 entrou em produção em sua unidade industrial de escala Giga em Taiwan. A célula de grande formato, com 185,4 Ah, alcançou 381 Wh/kg de densidade gravimétrica e 903 Wh/L de densidade volumétrica em testes realizados pela TÜV.
Segundo a empresa, ensaios independentes da UL Solutions também enquadraram a tecnologia como uma bateria totalmente de estado sólido de acordo com a norma chinesa GB/T 43568-2026. A fabricante destaca que a solução combina maior densidade energética com capacidade de produção em escala, ponto considerado um dos principais desafios para a adoção comercial desse tipo de bateria.
A ProLogium afirma ter enviado mais de 2,4 milhões de células desde 2013 em diferentes aplicações. A futura geração Gen 4 deverá manter a mesma arquitetura básica de produção, exigindo, segundo a companhia, alterações em cerca de 10% das linhas existentes. Entre os mercados-alvo estão veículos elétricos, data centers, aplicações marítimas e aeroespaciais.
Até o momento, não há confirmação de aplicação dessa bateria em veículos destinados ao mercado brasileiro.

A Denza, marca premium da BYD, confirmou para 14 de setembro o lançamento na China da versão totalmente elétrica do N8L. O SUV de seis lugares será equipado com uma bateria LFP Blade de 130,15 kWh e terá autonomia declarada de até 960 km pelo ciclo CLTC.
A configuração homologada para produção utiliza um motor elétrico traseiro de 370 kW, equivalente a 503 cv, e velocidade máxima de 240 km/h. O N8L elétrico mede 5.200 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.820 mm de altura, com 3.075 mm de entre-eixos e peso em ordem de marcha de 3.110 kg.
A retirada do motor a combustão da versão híbrida plug-in abriu espaço para um porta-malas dianteiro de 208 litros, com abertura elétrica e dreno para facilitar a limpeza. O modelo também contará com suspensão a ar DiSus-A, esterçamento das rodas traseiras e o conjunto de assistência à condução DiPilot 300.
A Denza já atua no mercado brasileiro, mas ainda não anunciou a chegada do N8L elétrico ao país.

A Alliance for Automotive Innovation, entidade que representa fabricantes como General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Hyundai, Honda e Stellantis, pediu ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação ainda em 2026 de uma legislação que torne permanente o bloqueio a veículos chineses, além de software e hardware automotivos desenvolvidos ou fornecidos por empresas ligadas à China.
Uma proposta já avançou no Comitê de Comércio do Senado, mas ainda precisa superar etapas legislativas antes de se tornar lei. O objetivo é transformar em legislação regras de segurança nacional que já restringem a entrada de determinados sistemas de conectividade e de veículos chineses no mercado norte-americano.
A entidade também defende impedir autorizações específicas que poderiam abrir exceções para fabricantes como BYD, Chery e SAIC. O texto, entretanto, ainda poderá ser ajustado, já que uma das versões em discussão estabelece restrições relacionadas à participação acionária chinesa e poderia atingir empresas de outras origens, como a Mercedes-Benz.
Se aprovado nos moldes defendidos pelas fabricantes, o pacote tornará o mercado norte-americano ainda mais fechado à expansão das marcas chinesas e de suas tecnologias conectadas.

A Voyah, marca premium da Dongfeng, abriu na China a pré-venda da Dream 9. A minivan de luxo será oferecida em cinco configurações, com preços antecipados entre 429.900 e 529.900 yuans, combinando versões híbridas plug-in e totalmente elétricas.
Nas configurações plug-in, o conjunto formado por um motor 1.5 turbo e dois motores elétricos entrega 555 kW, equivalentes a 755 cv. A bateria tem 65 kWh e suporta recarga 5C, com a marca declarando recuperação de 20% a 80% da carga em 12 minutos.
As versões elétricas utilizam bateria de 120 kWh e dois motores, com 175 kW no eixo dianteiro e 300 kW no traseiro, totalizando 646 cv. A autonomia declarada chega a 701 km no ciclo CLTC. Todas as versões usam arquitetura de 800 V.
A Dream 9 mede 5.325 mm de comprimento, 1.998 mm de largura e tem 3.200 mm de entre-eixos. Entre os destaques estão quatro sensores LiDAR, sistema Huawei Qiankun ADS 5, cockpit HarmonySpace 6, suspensão a ar de três câmaras e esterçamento das rodas traseiras.
A DFM já sinalizou interesse em avaliar a Voyah para o Brasil, mas não existe confirmação de lançamento da Dream 9 por aqui.

A Li Auto lançou oficialmente o novo L9 nos Emirados Árabes Unidos, marcando a entrada da fabricante chinesa no mercado do Golfo. O SUV com extensor de autonomia será oferecido nas versões Ultra e Livis, com preços a partir de 319.900 e 359.900 dirhams, respectivamente.
O L9 utiliza a terceira geração do sistema elétrico com extensor de autonomia da marca. A Li Auto declara até 420 km de alcance exclusivamente elétrico e até 1.650 km de autonomia combinada pelo ciclo CLTC, considerando bateria carregada e tanque cheio.
Para o mercado dos Emirados Árabes Unidos, o modelo recebeu calibrações específicas para altas temperaturas, poeira, padrões locais de recarga e gerenciamento térmico da cabine. A fabricante também prevê interface em árabe e abrirá sua primeira unidade oficial de vendas e serviços em Dubai ainda em setembro.
A expansão para o Oriente Médio sucede a entrada da Li Auto em mercados da Ásia Central. Até agora, a companhia não anunciou planos de venda de seus veículos no Brasil.

Os movimentos desta edição mostram duas frentes que avançam ao mesmo tempo na indústria global: a aceleração tecnológica dos fabricantes asiáticos, com baterias mais densas e modelos de alta autonomia, e a crescente reação regulatória de mercados que tentam limitar a expansão chinesa.



