Carros pelo Mundo | Irmão do novo Duster, Nissan Tekton ganha mais mercados; Mercedes admite risco de fechar fábricas na Alemanha
Nissan lança Tekton, Mercedes alerta para risco industrial na Alemanha e nova geração do BYD Han é flagrada na China
César Tizo - setembro 22, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Nissan iniciou na África do Sul as vendas do Tekton, SUV produzido na Índia e equipado com motores 1.0 e 1.3 turbo. O lançamento faz parte da tentativa da fabricante de recuperar espaço no mercado sul-africano depois de encerrar a produção local e vender sua fábrica para a Chery.
Na Alemanha, a Mercedes-Benz admitiu que duas unidades poderão ser fechadas caso não consiga elevar a produtividade e reduzir os custos de fabricação. A companhia afirma que pretende preservar as instalações, mas considera a produção alemã pouco competitiva diante de outros países.
A edição acompanha ainda o primeiro flagra da possível terceira geração do BYD Han, modelo já comercializado no Brasil, a previsão de uma queda de 20% no mercado chinês, os primeiros automóveis da saudita Ceer e a produção experimental de células da CATL na Hungria.
Nissan Tekton estreia na África do Sul com até 156 cv
A Nissan lançou o Tekton na África do Sul com preços a partir de 339.999 rands. O SUV é produzido na Índia, e o mercado sul-africano está entre os primeiros a receber o modelo depois de sua apresentação internacional.
A versão de entrada possui motor 1.0 turbo de três cilindros, com 74 kW, aproximadamente 101 cv, e 16,3 kgfm. A transmissão é manual de seis marchas.
Nissan Tekton estreia na África do Sul com motores 1.0 e 1.3 turbo. Foto: Divulgação/Nissan
As demais configurações utilizam um motor 1.3 turbo de quatro cilindros, com 115 kW, equivalentes a cerca de 156 cv, e 26,5 kgfm. Nesse caso, o câmbio automatizado de dupla embreagem possui seis marchas e embreagens banhadas a óleo.
O Tekton mede 4.349 mm de comprimento, 1.815 mm de largura e 1.674 mm de altura com as barras de teto. A distância livre do solo é de 212 mm, enquanto o porta-malas comporta 518 litros até a cobertura.
A lista de série começa com seis airbags, controle eletrônico de estabilidade, monitoramento da pressão dos pneus, assistente de partida em rampas e câmera de ré.
Nas versões superiores, a relação pode reunir mais de 17 recursos de assistência à condução. Entre eles estão controle de velocidade adaptativo, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa.
O lançamento ocorre depois que a Nissan encerrou a fabricação de veículos na África do Sul e vendeu sua unidade de Pretória para a Chery. A operação sul-africana passou a depender de importações como parte da reestruturação mundial da companhia.
A Nissan não anunciou o Tekton para o Brasil, embora a proposta do SUV faça bastante sentido em nosso mercado. A marca prepara outros lançamentos para o mercado nacional, mas não informou se o novo SUV indiano poderá integrar essa programação.
Detalhe do Nissan Tekton já comercializado na Índia
Mercedes admite que duas fábricas alemãs poderão fechar
A Mercedes-Benz afirmou que sua produção na Alemanha deixou de ser competitiva em relação a outros países, principalmente por causa dos custos trabalhistas.
O diretor de produção Michael Schiebe alertou funcionários durante uma reunião em Sindelfingen que a falta de avanços em produtividade e redução de despesas poderá resultar no fechamento de uma fábrica de veículos e de uma unidade de sistemas de propulsão.
A companhia não identificou quais instalações estariam ameaçadas. Também não existe uma decisão aprovada sobre os encerramentos, e a fabricante afirma que pretende preservar suas unidades e seus postos de trabalho na Alemanha.
O alerta foi feito em meio às manifestações organizadas pelo sindicato IG Metall contra demissões e possíveis transferências de produção. Trabalhadores de diferentes fabricantes e fornecedores participaram dos protestos.
A indústria alemã enfrenta demanda mais fraca na China, tarifas nos Estados Unidos, custos elevados de energia e mão de obra e concorrência crescente dos veículos chineses.
Nenhuma mudança foi comunicada para a operação brasileira da Mercedes-Benz. A pressão sobre as fábricas alemãs poderá, entretanto, influenciar futuras decisões sobre investimentos, utilização das unidades e fornecimento internacional de componentes.
Factory 56 da Mercedes-Benz em Sindelfingen, na Alemanha. Foto: Divulgação/Mercedes-Benz
Nova geração do BYD Han aparece com LiDAR
Um protótipo camuflado apontado como a próxima geração do BYD Han foi fotografado durante testes na China. A fabricante ainda não confirmou oficialmente o projeto, suas especificações ou a data de apresentação.
Fontes chinesas afirmam que o veículo corresponde à terceira geração do sedã. As imagens mostram a continuidade da identidade visual Dragon Face, uma faixa luminosa traseira e um sensor LiDAR instalado no teto.
O equipamento indica que o automóvel poderá receber um sistema mais avançado de assistência à condução. A expectativa publicada pelo CarNewsChina é de utilização do DiPilot 300, também conhecido como God’s Eye B, mas essa configuração ainda não foi confirmada pela BYD.
O interior fotografado possui acabamento predominantemente branco, central multimídia instalada no centro do painel e uma fileira de comandos físicos no console.
A futura gama deverá oferecer configurações elétricas e híbridas plug-in. Reportagens chinesas também apontam a possibilidade de adoção da segunda geração da bateria Blade, recarga rápida e sistemas de suspensão DiSus-C e DiSus-A.
O DiSus-C controla eletronicamente a rigidez dos amortecedores, enquanto o DiSus-A acrescenta suspensão a ar, ajuste de altura e controle da inclinação da carroceria.
Existe ainda a expectativa de um preço inicial próximo de 200 mil yuans. Todas essas informações permanecem extraoficiais, pois a BYD não apresentou a gama, os sistemas de propulsão, as baterias ou a tabela de preços.
O modelo atual mede 4.995 mm de comprimento, 1.910 mm de largura e 1.495 mm de altura, com 2.920 mm de distância entre-eixos. Na China, seus preços variam de 168.800 a 225.800 yuans.
A relevância da novidade para o mercado nacional está no fato de o Han já integrar a linha brasileira da BYD. A configuração oferecida no País é elétrica, possui tração integral, acelera de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos e alcança 349 km de autonomia pelo PBEV do Inmetro.
A BYD não confirmou a terceira geração do Han para o Brasil. O surgimento do protótipo, contudo, antecipa possíveis mudanças em um dos modelos de maior valor agregado da atual gama nacional.
Protótipo camuflado apontado como a nova geração do BYD Han. Foto: CarNewsChina
Volkswagen prevê queda de 20% no mercado chinês
O mercado chinês de automóveis de passeio poderá encolher aproximadamente 20% em 2026, segundo Ralf Brandstaetter, principal executivo do Grupo Volkswagen no país.
A estimativa foi apresentada pelo próprio dirigente e não corresponde a uma projeção oficial do governo chinês ou de uma associação setorial. Brandstaetter comparou a intensidade da retração aos efeitos observados durante a pandemia.
As vendas domésticas estavam em queda havia 11 meses consecutivos até agosto. Ao mesmo tempo, as exportações continuavam avançando, criando um contraste entre a procura interna enfraquecida e a expansão internacional das fabricantes chinesas.
A redução afeta marcas estrangeiras e empresas locais. Para Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW e Porsche, a retração se soma à perda de participação para concorrentes chinesas e à diminuição das margens obtidas no país.
A Volkswagen procura responder com veículos desenvolvidos localmente, arquiteturas eletrônicas criadas com a Xpeng e produtos adaptados aos preços e às tecnologias exigidos pelo consumidor chinês.
Uma retração próxima de 20% poderá aumentar a pressão para que as fabricantes locais direcionem mais veículos aos mercados externos. O possível crescimento da oferta na América Latina é uma inferência editorial, e não uma consequência já anunciada pelas empresas.
Volkswagen prevê forte retração no mercado chinês de automóveis em 2026. Foto: Divulgação/Volkswagen
Ceer apresenta seus primeiros carros elétricos
A Ceer apresentou seus primeiros dois automóveis na Arábia Saudita. A família Exobot é formada por um sedã e um SUV elétricos, ambos com início das vendas previsto para o começo de 2027.
Os veículos possuem portas com abertura vertical e uma estrutura sem a coluna central convencional entre as portas dianteiras e traseiras. Segundo a empresa, materiais de alta resistência compensam a ausência desse elemento estrutural.
A Ceer ainda não revelou capacidade da bateria, potência, torque, autonomia, tempo de recarga ou preços. O evento representou principalmente a apresentação do desenho e da estratégia comercial da fabricante.
A companhia é uma associação entre o fundo soberano saudita Public Investment Fund e a Foxconn. A empresa taiwanesa forneceu a arquitetura elétrica, enquanto a BMW participou dos trabalhos de engenharia.
Fornecedores como Lear, Benteler, Shin Young e Fangxin estão instalando unidades na Arábia Saudita, estimulados por incentivos governamentais e pela tentativa de criar uma cadeia automotiva local.
Embora tenha sido criada inicialmente como uma fabricante exclusivamente elétrica, a Ceer pretende oferecer também híbridos plug-in e modelos a combustão. Outros cinco veículos destinados a segmentos de maior volume serão lançados entre 2028 e 2030.
A expansão internacional deverá começar em 2028 pelos países próximos e avançar posteriormente pelo Oriente Médio e pelo norte da África. Não existem planos anunciados para América Latina ou Brasil.
Ceer Exobot marca a estreia dos primeiros automóveis da fabricante saudita. Foto: Divulgação/Ceer
CATL inicia produção experimental de células na Hungria
A CATL iniciou em 22 de setembro a produção experimental de células em sua fábrica de Debrecen, na Hungria.
As duas primeiras linhas entraram em operação para configurar equipamentos, validar processos e preparar a futura produção em série. A companhia não informou quando essa próxima etapa começará.
A unidade já havia obtido a licença de ocupação e as demais autorizações ambientais e operacionais. Segundo a CATL, problemas identificados anteriormente pelas autoridades foram corrigidos antes do início dos testes.
A fábrica deverá alcançar uma capacidade anual de 100 GWh quando todas as instalações estiverem prontas. Com esse volume, Debrecen será a maior base produtiva da CATL fora da China.
A empresa fabricava módulos de bateria no local desde 2024 e declara ter produzido 537 mil unidades. A fabricação das células reduz a dependência de componentes importados da Ásia e aproxima a fornecedora das montadoras europeias.
A CATL não anunciou uma fábrica equivalente no Brasil. O projeto húngaro mostra, contudo, como a produção local de células se tornou parte importante das políticas industriais e das estratégias destinadas a reduzir riscos logísticos e comerciais.
Resumo
Os movimentos desta edição mostram uma indústria pressionada em diferentes direções. Enquanto fabricantes como Nissan e Ceer buscam novos mercados, os grupos alemães tentam reduzir custos e as empresas chinesas aceleram a renovação de produtos e a expansão internacional.
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