Bentley apresenta o Torcal elétrico, Renault reinventa o Gordini e Geely mostra recarga de 10% a 70% em quatro minutos e meio
César Tizo - setembro 24, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Bentley apresentou o Torcal, primeiro automóvel totalmente elétrico da fabricante britânica. O SUV possui 821 cv, bateria de 113,2 kWh e autonomia declarada de até 600 km.
A Renault recuperou o nome Gordini em um cupê elétrico de dois lugares e 270 cv. Embora seja um exemplar único, o conceito possui interesse especial para o público brasileiro, que conheceu o Gordini fabricado pela Willys a partir de 1962.
Na China, a Geely mostrou uma tecnologia capaz de elevar a carga de 10% a 70% em quatro minutos e 30 segundos. A edição acompanha ainda o novo Changan Nevo Q06, um possível investimento bilionário da Honda, o avanço dos eletrificados na Europa e os desafios industriais enfrentados pela África do Sul.
A Bentley apresentou o Torcal, seu primeiro veículo totalmente elétrico. O novo modelo é um SUV com dois motores, tração integral e uma bateria de 113,2 kWh.
O conjunto desenvolve 604 kW, equivalentes a 821 cv, além de 117,8 kgfm. Segundo a fabricante, o Torcal acelera de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos e alcança 250 km/h.

A autonomia declarada chega a 600 km. Em uma estação compatível, a recarga de 10% a 80% pode ser concluída em 16 minutos, enquanto dez minutos conectados acrescentariam até 357 km de alcance.
O Torcal mede 5.008 mm de comprimento, 2.025 mm de largura com os retrovisores recolhidos, 1.677 mm de altura e 3.023 mm de distância entre-eixos. O peso sem carga informado pela Bentley é de 2.795 kg.

O preço inicial no Reino Unido será de 173 mil libras. A Bentley investiu 350 milhões de libras na fábrica de Crewe para produzir o veículo.
O Torcal chega depois de a marca abandonar a meta de vender somente automóveis elétricos em 2030. A Bentley continuará oferecendo modelos híbridos enquanto avalia a procura dos clientes de alto luxo pela nova tecnologia.
A fabricante possui representação comercial no Brasil, mas ainda não divulgou preço, data de lançamento ou especificações locais para o Torcal.

A Renault apresentou o 8 Gordini Concept, uma interpretação elétrica e contemporânea do automóvel esportivo lançado pela marca francesa em 1964.
O novo conceito possui carroceria de cupê, dois lugares, tração traseira e um motor elétrico de 199 kW, equivalentes a 270 cv. Capacidade da bateria, autonomia, desempenho e potência de recarga não foram divulgados.
O protótipo mede 4.120 mm de comprimento, 1.880 mm de largura e 1.270 mm de altura. As rodas possuem 19″ no eixo dianteiro e 20″ no traseiro.

O desenho preserva elementos associados ao modelo histórico, como a pintura azul, as duas faixas brancas, os para-lamas de formas retangulares e os faróis circulares. O conceito possui seis elementos de iluminação na dianteira e lanternas traseiras integradas à carroceria, praticamente invisíveis quando estão apagadas.
A cabine adota bancos individuais, revestimentos de Alcantara, peças de alumínio escovado e instrumentos digitais circulares. A Renault afirma que mais de 300 desenhos foram apresentados durante uma competição interna que definiu o projeto.

O automóvel homenageado pelo conceito é o Renault 8 Gordini europeu. No Brasil, entretanto, o nome ficou conhecido por meio do Gordini derivado do Dauphine, produzido sob licença pela Willys-Overland a partir de 1962.
Apesar dessa diferença, os dois modelos estavam ligados ao trabalho do preparador Amédée Gordini e ajudaram a associar o nome a automóveis pequenos, acessíveis e de proposta esportiva. O Gordini brasileiro também participou da história inicial da Renault no mercado nacional e tornou-se um dos carros mais reconhecidos da década de 1960.
A Renault esclarece que o novo 8 Gordini Concept é um exemplar único e não antecipa diretamente um modelo de produção. Depois da apresentação em Paris, o veículo deverá integrar o futuro museu Renault Collections, em Flins, na França.
O conceito também será exibido no Salão do Automóvel de Paris, programado para ocorrer entre 12 e 18 de outubro de 2026.

A Geely apresentou uma estação de recarga capaz de fornecer até 2.250 kW por conector. O equipamento faz parte do sistema Smart Charge, que combina carregador, bateria de alta potência e gerenciamento térmico por inteligência artificial.
Em um teste certificado pelo China Automotive Technology and Research Center, um Lynk & Co 10 recebeu um pico de 1.093 kW. Portanto, a potência máxima anunciada para a estação não corresponde necessariamente ao valor efetivamente absorvido pelo veículo.
A bateria de 12C pode passar de 10% a 70% em quatro minutos e 30 segundos. A carga de 10% a 97% levaria aproximadamente oito minutos e 40 segundos em condições normais de temperatura.
O “C” em uma bateria representa a taxa C (ou C-rate), que indica a velocidade máxima com que uma bateria pode ser carregada ou descarregada com segurança em relação à sua capacidade total.
A bateria de 12C, no caso, significa que ela pode fornecer uma corrente de descarga equivalente a 12 vezes a sua capacidade nominal (em Ah ou mAh) em apenas uma hora (ou fração proporcional).
Essa configuração será utilizada inicialmente pelo Lynk & Co 10 e pelo Zeekr 001. A Geely apresenta os resultados como uma nova referência para a indústria, mas a reprodução dos tempos dependerá da temperatura, da bateria, do estado de carga e da disponibilidade de infraestrutura compatível.
O sistema acompanha a temperatura das células e antecipa suas variações em até 30 segundos. A empresa afirma que o gerenciamento consegue manter a temperatura média abaixo de 55 °C e limitar o pico a 65 °C durante a recarga de alta potência.
A Geely pretende instalar mais de 100 mil conectores na China até o fim de 2027. Desse total, pelo menos 50 mil deverão utilizar a tecnologia Smart Charge.

A tecnologia de recarga também chegou à atualização do Galaxy E5, nome utilizado na China para o Geely EX5. O SUV foi lançado em cinco versões com preços entre 97.800 e 137.800 yuans.
As quatro configurações superiores adotam arquitetura de 800 V, bateria de 6C e motor traseiro de 245 kW, equivalentes a 333 cv. A versão de entrada preserva a arquitetura de 400 V, a tração dianteira e o motor de 160 kW, cerca de 218 cv.
A nova bateria de 6C pode passar de 10% a 70% em aproximadamente oito minutos e 25 segundos. Ela não alcança os quatro minutos e 30 segundos anunciados para a bateria de 12C utilizada em outros modelos do grupo.
Os pacotes possuem capacidades de 60,22 kWh, 61,52 kWh e 70,01 kWh. As autonomias variam entre 530 km e 635 km pelo ciclo chinês CLTC. As equivalências divulgadas pelo site CarNewsChina ficam entre 429 km e 514 km pelo WLTP.
A atualização acrescenta tração traseira, LiDAR, porta-malas dianteiro de 160 litros e um conjunto de assistência capaz de atuar em vias urbanas e rodoviárias. Essas funções continuam exigindo supervisão do motorista.
O EX5 já é comercializado no Brasil, mas com tração dianteira, arquitetura de 400 V e especificações diferentes. A Geely ainda não confirmou a chegada da atualização, da bateria de 6C ou do motor traseiro ao País.

A Changan iniciou as vendas chinesas do Nevo Q06, SUV médio que será oferecido em configurações elétricas e híbridas em série.
Os preços variam de 139.900 a 169.900 yuans. O modelo mede 4.837 mm de comprimento, 1.970 mm de largura e 1.670 mm de altura, com 2.940 mm de distância entre-eixos.
A versão elétrica de entrada utiliza um motor traseiro de 225 kW, aproximadamente 306 cv, e uma bateria de 66 kWh. A autonomia declarada chega a 602 km pelo ciclo CLTC.
As configurações com bateria de 80 kWh oferecem até 700 km pelo CLTC. A alternativa mais potente combina dois motores no eixo traseiro, alcança 330 kW, equivalentes a cerca de 449 cv, e acelera de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos.
O híbrido em série utiliza um motor 1.5 aspirado como gerador. Dois motores elétricos traseiros entregam conjuntamente 270 kW, aproximadamente 367 cv. A bateria de 28,39 kWh proporciona até 200 km de autonomia elétrica pelo ciclo CLTC.
O pacote de assistência reúne um LiDAR de 256 linhas, 11 câmeras, três radares e um processador com capacidade declarada de 560 trilhões de operações por segundo. Os recursos não transformam o Q06 em um veículo autônomo.
Segundo o CarNewsChina, o SUV está previsto para mercados internacionais, mas os países ainda não foram detalhados. A possibilidade interessa porque a Changan já possui produção e rede comercial no Brasil em parceria com a CAOA.
O Q06 não foi confirmado para o mercado nacional. Entretanto, o plano brasileiro da empresa prevê uma gama crescente de veículos híbridos e eletrificados, apoiada por um ciclo de R$ 5 bilhões em investimentos entre 2026 e 2028.

A Honda está nos estágios finais de preparação para construir uma nova fábrica de veículos híbridos no estado norte-americano de Ohio, segundo informações publicadas pelo jornal Nikkei e repercutidas pela Reuters.
O investimento estimado varia de 300 bilhões a 400 bilhões de ienes, aproximadamente US$ 1,9 bilhão a US$ 2,53 bilhões. A produção começaria em 2030.
A fabricante ainda não confirmou oficialmente o projeto, os modelos envolvidos, a capacidade anual ou a localização exata da unidade. Portanto, os números devem ser tratados como informações de imprensa, não como um investimento aprovado e anunciado.
O projeto reforçaria a mudança de estratégia da Honda diante da procura por híbridos nos Estados Unidos. A empresa reduziu algumas ambições para automóveis exclusivamente elétricos e passou a destinar mais recursos a veículos que combinam motores elétricos e a combustão.
Não foi indicado nenhum impacto sobre as fábricas brasileiras. A Honda possui planos próprios para ampliar a eletrificação de sua gama local, mas uma unidade norte-americana poderá aumentar a escala mundial de componentes e sistemas híbridos.

Os emplacamentos de automóveis novos na União Europeia cresceram 5,3% em agosto, alcançando 832.637 unidades, segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.
Os elétricos a bateria avançaram 52,2% diante de agosto de 2025. Os híbridos plug-in cresceram 13,5%, enquanto os híbridos convencionais registraram alta de 3,4%.
Somadas, as três categorias eletrificadas responderam por mais de 73% dos registros. No mesmo período, os automóveis a gasolina recuaram 23,5%, e os modelos a diesel diminuíram 23,1%.
As fabricantes chinesas também ganharam espaço. No conjunto formado por União Europeia, Reino Unido e países da Associação Europeia de Livre Comércio, a participação das marcas chinesas passou de 7,1% para 11,3%.
BYD, Chery e Leapmotor venderam entre aproximadamente duas e três vezes mais que um ano antes. Geely e SAIC cresceram mais de 25% e 32%, respectivamente.
O movimento ajuda a explicar a pressão europeia por novas regras de conteúdo local e eventuais restrições aos híbridos produzidos na China. As mesmas fabricantes estão ampliando suas operações no Brasil, tornando o desempenho europeu uma referência importante para estratégias globais de produto e produção.
A organização belga de segurança viária Johanna.be afirmou que o sistema Full Self-Driving da Tesla cometeu erros frequentes ao interpretar limites de velocidade durante um teste de aproximadamente 400 km.
A avaliação foi realizada durante três dias em julho. Segundo o grupo, o sistema superou o limite na maioria dos trechos de 30 km/h analisados nos arredores de Bruxelas, mantendo uma média de 44 km/h.
Em alguns casos, o automóvel identificou corretamente uma placa de 30 km/h, mas mostrou 50 km/h como limite permitido na tela. O sistema também tentou ultrapassar ciclistas em ruas onde a manobra era proibida.
A organização reconheceu que o veículo se comportou de forma cautelosa diante de pedestres e ciclistas em diferentes situações, mas considerou que esses resultados não compensam os erros relacionados às regras de circulação.
O FSD permanece classificado como um sistema supervisionado. O motorista continua responsável por controlar o veículo e cumprir as leis, mesmo quando o programa executa direção, aceleração e frenagem.
A Tesla e o órgão holandês responsável pela homologação não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. A organização belga solicitou que as aprovações concedidas ao sistema sejam reavaliadas antes de uma possível votação europeia em 6 de outubro.

A África do Sul criou uma dedução tributária equivalente a 150% dos investimentos elegíveis em instalações e equipamentos destinados à produção de veículos elétricos ou a hidrogênio.
O incentivo entrou em vigor em março, mas nenhuma fabricante anunciou até agora um projeto diretamente vinculado à medida. Executivos ouvidos pela Reuters afirmam que benefícios fiscais não compensam problemas de infraestrutura, energia, logística e incerteza regulatória.
A indústria automotiva responde por 23,8% da produção industrial sul-africana. Cerca de 67% dos veículos fabricados no país são exportados, principalmente para a União Europeia e o Reino Unido.
A transição desses mercados para modelos de menor emissão coloca em risco fábricas dependentes de produtos a combustão. A Nissan já encerrou sua produção no país, enquanto a Toyota escolheu a Tailândia para fabricar a versão elétrica da Hilux.
O caso oferece uma referência para outros polos exportadores, inclusive o Brasil. Incentivos financeiros podem ajudar a atrair projetos, mas decisões de longo prazo também dependem da cadeia de fornecedores, do custo da energia, da logística e da previsibilidade das políticas industriais.
Os destaques mostram que a competição automotiva avança simultaneamente em produtos, recarga e localização industrial. Tempos menores de carregamento ganham espaço nas campanhas das fabricantes, mas escala, infraestrutura e capacidade de produzir perto dos mercados consumidores continuam determinantes.

Sobre o Bentley, MUITO FEIO.