Carros pelo Mundo | Suzuki quer acelerar desenvolvimento de novos modelos
Suzuki anuncia mudanças na engenharia e na produção; Mazda atualiza o EZ-60 e elétricos ampliam participação na Europa
César Tizo - setembro 27, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Suzuki quer reduzir pela metade o prazo de desenvolvimento de novos veículos até 2030. A meta faz parte de uma estratégia apresentada em 25 de setembro que também prevê mudanças nas fábricas e maior capacidade de produção na Índia, país que abastece mercados internacionais.
Na China, a Mazda lançou em 26 de setembro a linha 2027 do EZ-60 com quatro versões equipadas com LiDAR. A edição acompanha ainda os dados europeus de emplacamentos: elétricos e híbridos ganharam participação entre janeiro e agosto, enquanto as marcas chinesas avançaram na região.
Suzuki quer reduzir pela metade o prazo de desenvolvimento
A Suzuki pretende cortar pela metade, até 2030, o tempo necessário para desenvolver um novo veículo, tomando como referência o ano fiscal de 2020. Segundo informações divulgadas pela Reuters após a apresentação da estratégia, a fabricante busca levar para aproximadamente 24 meses um processo que atualmente pode durar de 40 a 48 meses em projetos que compartilham plataforma.
A meta vem acompanhada de ganhos de 30% na eficiência do desenvolvimento e de 50% na eficiência da produção. A empresa pretende aproximar as equipes de engenharia e fabricação, ampliar o uso de ferramentas digitais e compartilhar mais componentes entre projetos.
A Suzuki também planeja desenvolver híbridos em série, um novo sistema híbrido identificado provisoriamente como Super Ene Charge e motores turbo de injeção direta. A estratégia mantém diferentes soluções de propulsão conforme as necessidades de cada mercado, sem indicar ainda quais modelos receberão cada tecnologia.
A Índia terá papel central na execução do plano. A fabricante quer alcançar capacidade anual de aproximadamente 4 milhões de veículos no país a partir do ano fiscal de 2030, reforçando sua função como base de produção e exportação.
No Brasil, a Suzuki apresentou neste ano o SUV elétrico e Vitara. A nova estratégia global interessa à operação nacional porque poderá acelerar futuras atualizações e ampliar a oferta internacional da marca. A empresa, porém, não anunciou novos produtos brasileiros como consequência direta do plano.
Suzuki e Vitara apresentado no Brasil em 2026
Mazda EZ-60 ganha versões com LiDAR e preço promocional
A joint venture Changan Mazda lançou na China a linha 2027 do EZ-60, SUV que serve de base para o CX-6e oferecido em mercados europeus. A principal novidade são quatro versões com sensor LiDAR instalado no teto.
O equipamento fornecido pela Hesai tem alcance de detecção declarado de até 200 m. Ele trabalha com três radares, 11 câmeras e 12 sensores ultrassônicos. Segundo a fabricante, o conjunto permite navegação assistida em rodovias e vias urbanas, além de funções de estacionamento. O motorista continua responsável pela condução.
A gama reúne nove configurações, com preços oficiais de 119.900 a 172.900 yuans. Uma promoção temporária reduz os valores para 113.900 a 166.900 yuans. Nas versões comparáveis, o LiDAR acrescenta 12 mil yuans ao preço.
As opções elétricas utilizam bateria de 77,94 kWh, motor traseiro de aproximadamente 258 cv e autonomia declarada de 600 km pelo ciclo chinês CLTC. As versões de autonomia estendida combinam tração elétrica com um motor 1.5 usado como gerador. Nesse caso, a bateria de 31,73 kWh oferece até 200 km de autonomia elétrica pelo mesmo ciclo.
O EZ-60 mede 4.850 mm de comprimento, 1.935 mm de largura e 1.620 mm de altura, com 2.902 mm de distância entre-eixos. A Mazda não anunciou a venda do SUV no Brasil. Tampouco confirmou que as novas versões chinesas com LiDAR serão oferecidas no CX-6e de outros mercados.
Mazda EZ-60 2027 com LiDAR. Imagem: Changan Mazda
Elétricos chegam a 21,7% dos emplacamentos na União Europeia
Os automóveis totalmente elétricos responderam por 21,7% dos novos registros na União Europeia entre janeiro e agosto de 2026, ante 15,8% no mesmo período de 2025. Foram 1.641.333 unidades, segundo dados publicados pela associação europeia de fabricantes, a ACEA, em 24 de setembro.
Os híbridos sem recarga externa lideraram entre os tipos de propulsão, com 36,6% do mercado. Os híbridos plug-in alcançaram 10%. Somados, os automóveis a gasolina e a diesel recuaram de 37,5% para 29% de participação em um ano.
No mercado europeu ampliado, que inclui também o Reino Unido e países da Associação Europeia de Livre Comércio, a participação conjunta das marcas chinesas passou de 7,1% para 11,3% em agosto, conforme levantamento divulgado pela Reuters. Os recortes geográficos são diferentes e, por isso, esses percentuais não devem ser comparados diretamente aos da União Europeia.
Os números ajudam a explicar por que fabricantes chinesas presentes no Brasil, como BYD, Chery e Leapmotor, investem simultaneamente em expansão europeia e latino-americana. Eles não indicam, por si só, alterações anunciadas para preços, produção ou lançamentos no mercado brasileiro.
Os três movimentos apontam para a mesma pressão competitiva: desenvolver produtos mais depressa, incorporar tecnologia e adaptar a produção a mercados que mudam em ritmos diferentes.
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