HEV e HEV Flex avançam no Brasil, enquanto elétricos puros caem 18,1% ante agosto; eletrificados somam 53.126 emplacamentos no mês
César Tizo - outubro 6, 2026

Os híbridos plenos (HEV) tiveram um desempenho diferente dos carros 100% elétricos no mercado brasileiro em setembro de 2026. Enquanto as categorias HEV e HEV Flex renovaram seus recordes mensais de emplacamentos, os modelos movidos exclusivamente a bateria recuaram em relação a agosto, segundo balanço da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Somados, os híbridos sem recarga externa chegaram a 10.678 unidades, alta de 10,3% sobre o mês anterior. Já os elétricos puros, conhecidos também pela sigla em inglês BEV, tiveram 22.246 registros, queda de 18,1%. Apesar do recuo mensal, os BEV continuaram à frente de cada uma das demais tecnologias acompanhadas pela entidade.
O conjunto dos eletrificados leves encerrou setembro com 53.126 emplacamentos, 7,4% abaixo do recorde de agosto. Na comparação com setembro de 2025, porém, o avanço foi de 148,9%. O resultado foi o terceiro maior volume mensal da série histórica do segmento.
Os HEV Flex somaram 5.786 unidades em setembro, crescimento de 10,4% sobre agosto e de 101,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Os híbridos convencionais não flex, agrupados pela ABVE na categoria HEV, alcançaram 4.892 emplacamentos, com altas de 10,1% e 131,6%, respectivamente. As duas categorias atingiram seus maiores volumes mensais.
Esses veículos combinam motor a combustão e propulsão elétrica, sem depender de uma tomada para recarregar a bateria. A energia é reposta durante o funcionamento do conjunto, inclusive por recuperação nas desacelerações. A tecnologia se diferencia dos híbridos plug-in, cuja bateria também pode receber energia de uma fonte externa, como explicamos nesta comparação sobre o uso de híbridos com e sem recarga externa.
Juntos, HEV e HEV Flex responderam por 20,1% dos eletrificados vendidos no mês. Os dados divulgados pela ABVE neste balanço apresentam os totais por tecnologia, sem um ranking individual de modelos.

A queda mensal dos BEV ocorreu depois dos 27.166 emplacamentos registrados em agosto. Mesmo com a acomodação para 22.246 unidades, setembro ficou 172,3% acima do mesmo mês de 2025 e representou o terceiro maior resultado mensal da tecnologia.

Os híbridos plug-in (PHEV) tiveram oscilação menor: passaram de 20.535 para 20.202 unidades, recuo de 1,6%. Na comparação anual, a categoria cresceu 146,5%.
| Tecnologia | Setembro de 2026 | Sobre agosto | Sobre setembro de 2025 |
|---|---|---|---|
| 100% elétricos (BEV) | 22.246 | −18,1% | +172,3% |
| Híbridos plug-in (PHEV) | 20.202 | −1,6% | +146,5% |
| Híbridos autorrecarregáveis (HEV) | 4.892 | +10,1% | +131,6% |
| Híbridos autorrecarregáveis flex (HEV Flex) | 5.786 | +10,4% | +101,8% |
| Total de eletrificados | 53.126 | −7,4% | +148,9% |
Considerados em conjunto, BEV e PHEV somaram 42.448 unidades e concentraram 79,9% dos eletrificados vendidos no país em setembro. A participação foi menor que os 83,1% de agosto, acompanhando o crescimento dos autorrecarregáveis.
A participação dos eletrificados nas vendas totais de veículos leves ficou em 19,8% em setembro, ante 21,8% em agosto. Um ano antes, esse grupo representava 9,2% do mercado, diferença de 10,6 pontos percentuais.
O mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves somou 268.721 unidades no mês, segundo a referência da Fenabrave utilizada pela ABVE. Houve crescimento de 2,2% sobre agosto e de 16,2% em relação a setembro de 2025. Assim, o recuo mensal dos eletrificados ocorreu em um período de avanço do mercado total.
No acumulado de janeiro a setembro, os eletrificados chegaram a 381.609 unidades, alta de 158,9% sobre os 147.413 emplacamentos do mesmo intervalo de 2025. Os BEV responderam por 165.820 registros, seguidos pelos PHEV, com 137.637.
| Tecnologia | Janeiro a setembro de 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| 100% elétricos (BEV) | 165.820 | +210,6% |
| Híbridos plug-in (PHEV) | 137.637 | +104,6% |
| Híbridos autorrecarregáveis (HEV) | 37.424 | +172,5% |
| Híbridos autorrecarregáveis flex (HEV Flex) | 40.728 | +212,7% |
| Total de eletrificados | 381.609 | +158,9% |
Os micro-híbridos (MHEV) são contabilizados separadamente pela ABVE. Desde janeiro de 2025, o critério da entidade exclui esses veículos do total de eletrificados por não oferecerem tração elétrica autônoma. A classificação principal reúne BEV, PHEV, HEV e HEV Flex.
Em setembro, os MHEV somaram 8.869 emplacamentos, crescimento de 33,0% sobre agosto e de 53,5% na comparação anual. Desse total, 4.621 unidades utilizavam sistemas de 48 V e 4.248, de 12 V.
Se eletrificados e micro-híbridos fossem reunidos em uma mesma conta, o resultado seria de 61.995 unidades, equivalentes a 23,1% do mercado de leves. Esse percentual, portanto, adota um universo mais amplo que os 19,8% informados para os eletrificados.
O fechamento de setembro consolidou a marca de mais de um milhão de veículos leves eletrificados emplacados no Brasil desde janeiro de 2012, início da série histórica da ABVE. A entidade já havia anunciado a passagem por esse patamar em 24 de setembro.
Segundo a associação, foram necessários 13 anos e sete meses para atingir as primeiras 500 mil unidades, em julho de 2025. O segundo meio milhão foi acrescentado em apenas 14 meses, entre agosto de 2025 e setembro de 2026. O total representa a soma histórica dos emplacamentos, e não as vendas de um único ano.
A expansão também aparece na infraestrutura: o levantamento mais recente da Tupi Mobilidade divulgado pela ABVE aponta pelo menos 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos no país.
São Paulo concentrou 14.250 emplacamentos de eletrificados em setembro, equivalentes a 26,8% do total nacional. Minas Gerais apareceu em segundo lugar, com 4.346 unidades, à frente do Distrito Federal, com 4.158. Paraná, com 3.403, e Rio de Janeiro, com 3.166, completaram os cinco primeiros.
Entre as regiões, o Sudeste respondeu por 43,5% das vendas, seguido por Nordeste (20,8%), Sul (16,9%), Centro-Oeste (13,6%) e Norte (5,3%). O Norte foi a única região a crescer em relação a agosto, com avanço de 3,6%.
O balanço mostra que a evolução da eletrificação brasileira precisa ser observada por tecnologia. Setembro combinou recordes de híbridos autorrecarregáveis e queda mensal dos elétricos puros, mas ambos os grupos permaneceram em forte expansão frente ao mesmo período de 2025.




