Eletrificados podem atingir 33% das vendas no Brasil até 2030
Projeção da MegaDealer aponta avanço de híbridos e elétricos e mudanças nos preços dos usados e no atendimento das concessionárias
César Tizo - outubro 14, 2026
Os veículos eletrificados poderão responder por 33% das vendas no Brasil até 2030, segundo projeção divulgada pela MegaDealer. A estimativa coloca híbridos e elétricos em cerca de um terço do mercado e aponta uma transformação que também alcança o preço dos usados, a negociação nas lojas e os serviços oferecidos pelas concessionárias.
O número integra o “Relatório de Tendências Dealers”, apresentado em 1º de outubro, em São Paulo, por Fábio Braga, country manager da consultoria. De acordo com o comunicado enviado à imprensa nesta quarta-feira (14), o trabalho reuniu dados e análises ao longo de três meses, com a colaboração de mais de 20 especialistas do setor.
A divulgação não detalha as premissas estatísticas da projeção, a participação esperada de cada tecnologia ou se o recorte inclui os micro-híbridos, conhecidos pela sigla MHEV. Por isso, os 33% devem ser lidos como uma estimativa da MegaDealer, sem pressupor equivalência automática com todas as estatísticas atuais de eletrificação.
Eletrificados já ganham peso nas vendas
No levantamento da Fenabrave de janeiro a agosto de 2026, a categoria ampla de eletrificados somou 371.231 emplacamentos, equivalentes a 19,7% do mercado de automóveis e comerciais leves. Essa contagem inclui os micro-híbridos.
Somente em agosto, foram 64.055 unidades, cerca de 24% dos emplacamentos de veículos leves. O percentual se refere ao mercado total, que reúne varejo e vendas diretas. Já a ABVE, que exclui os MHEV de sua classificação de eletrificados, contabilizou 57.386 unidades no mesmo mês.
A expansão das marcas chinesas ajuda a explicar esse movimento. BYD e GWM ganharam espaço com elétricos e híbridos, em uma mudança que também aparece no ranking de marcas e modelos mais vendidos. Para a MegaDealer, a concorrência crescente exige uma revisão da forma como as redes compram, vendem e atendem seus clientes.
Dolphin Mini é um dos destaques entre os elétricos
Concorrência também pressiona os usados
O efeito vai além da disputa pelo comprador do carro zero-quilômetro. Segundo a consultoria, a pressão sobre os preços dos modelos novos altera o valor residual dos seminovos, com reflexos na avaliação do veículo oferecido na troca e nos custos de locadoras e serviços por assinatura.
Esse ponto ganha importância porque, de acordo com o estudo, 65% dos compradores usam um carro como parte do pagamento. A evolução dos preços dos usados entra, assim, na composição do negócio ao lado do desconto anunciado para o modelo novo.
“O que funcionou no passado não garante os resultados futuros”, afirmou Braga. Na avaliação do executivo, os concessionários precisam adaptar seus modelos de operação ao novo ambiente de concorrência.
Compra começa na internet e muda o papel da loja
O relatório também aponta redução das visitas presenciais às concessionárias e informa que 70% dos compradores fazem pesquisas aprofundadas em plataformas digitais antes de ir à loja. Nesse cenário, o vendedor passa a ter um papel mais consultivo, ajudando o cliente a comparar alternativas e resolver as etapas da negociação.
A MegaDealer identifica ainda espaço para ampliar receitas com financiamento, seguros e serviços por assinatura. A diversificação é apresentada como resposta à pressão sobre as margens da venda de automóveis novos.
Na área de tecnologia, o trabalho cita o uso de inteligência artificial no agendamento de serviços e de sistemas de visão computacional para inspeções de veículos. A retenção de profissionais qualificados e a integração entre os canais digital e presencial também aparecem entre os desafios das redes.
Para quem pretende trocar de carro, a transformação reforça a importância de avaliar a proposta completa: preço do novo, valor oferecido pelo usado, condições de financiamento e estrutura de atendimento depois da compra.
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