Carros pelo Mundo | China cobra testes rigorosos e publicidade sem exageros
Autoridades chinesas cobram avaliações de segurança e informações claras sobre os limites dos carros; edição também reúne Leapmotor, Li Auto e Mercedes-Benz
César Tizo - outubro 17, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A cobrança da China por testes rigorosos e publicidade sem exageros é o destaque desta edição de Carros pelo Mundo. A seleção do Guru dos Carros também reúne o início da produção europeia do Leapmotor B10, o investimento em chips da Li Auto e os planos de Mercedes-Benz e Nvidia para a condução automatizada.
Leapmotor B10 começa a ser produzido na Espanha
A Stellantis e a Leapmotor inauguraram em 16 de outubro a produção do B10 na fábrica de Zaragoza, na Espanha. O avanço transforma a parceria industrial em uma operação europeia efetiva para o SUV chinês, em vez de apenas uma intenção de fabricar o modelo no continente.
A unidade também produz Opel Corsa, Peugeot 208 e Lancia Ypsilon. As empresas destacam a experiência industrial, a qualidade e a capacidade disponível da instalação como fatores para a escolha. O comunicado não informa o volume inicial de B10 previsto para a linha.
A fabricação europeia deve ser distinguida da oferta brasileira. Por aqui, o B10 Ultra-Híbrido acaba de chegar às concessionárias. O anúncio sobre Zaragoza não estabelece exportações para o Brasil nem autoriza transferir preços, equipamentos ou especificações de uma configuração para a outra.
B10 amplia a presença industrial da Leapmotor na Europa
China cobra testes rigorosos e publicidade sem exageros
O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o MIIT, divulgou em 16 de outubro uma reunião realizada no dia anterior com fabricantes e outros órgãos públicos. O encontro reforçou a responsabilidade das empresas pela segurança dos veículos e pela informação transmitida aos consumidores.
Entre as orientações estão realizar verificações rigorosas antes da entrada de produtos no mercado, aprimorar o controle da cadeia de suprimentos e evitar publicidade exagerada. A comunicação deve apresentar corretamente as capacidades e os limites dos recursos oferecidos, sem incentivar comportamentos inseguros.
A discussão ocorre em meio à disputa tecnológica entre as marcas chinesas. Ela sucede a consulta sobre requisitos de segurança abordada nesta coluna, mas não deve ser confundida com a entrada em vigor de uma nova lei: a reunião também tratou de um texto regulatório ainda em elaboração.
Centro de testes de segurança da Geely, na China
Li Auto busca 1,625 bilhão de yuans para sua operação de chips
A Li Auto anunciou em 16 de outubro acordos de investimento de 1,625 bilhão de yuans na Shanghai Mahe Xin Technology, conhecida como MHX. A empresa desenvolve chips e controladores eletrônicos para veículos, componentes que ajudam a concentrar funções e processar informações a bordo.
Uma subsidiária integral da própria Li Auto participará com 1 bilhão de yuans; investidores externos aportarão os outros 625 milhões. O fechamento da operação depende do cumprimento de condições previstas nos acordos, portanto o anúncio não significa que todo o dinheiro já tenha sido recebido.
Há ainda uma opção de investimento adicional de até 500 milhões de yuans pela Hangzhou Jingtao até 31 de dezembro de 2026. Esse valor não está incluído no montante inicial. A Li Auto manterá o controle da MHX, que pretende acelerar pesquisa, desenvolvimento e comercialização, inclusive com possibilidades de aplicação fora do setor automotivo.
O movimento reforça a busca das fabricantes por domínio próprio de componentes eletrônicos. Não representa, porém, o lançamento imediato de um novo chip em série nem um anúncio de veículos da marca para o Brasil.
Li Auto amplia o investimento em sua operação de chips
Mercedes-Benz e Nvidia ampliam parceria para condução automatizada
Mercedes-Benz e Nvidia anunciaram em 16 de outubro uma ampliação de sua cooperação para desenvolver sistemas de assistência e condução altamente automatizada. O projeto combina o sistema operacional MB.OS com tecnologias de computação, sensores e inteligência artificial da Nvidia.
A proposta contempla assistência em trajetos urbanos, segurança ativa e estacionamento automatizado. A arquitetura também deverá servir de base a futuras aplicações de nível 4, incluindo serviços de transporte sem motorista em condições específicas. Trata-se de desenvolvimento, não de uma função já liberada para todos os carros da marca.
O conjunto reúne a plataforma Hyperion, o software Alpamayo Stack e recursos de segurança Halos. As empresas não definiram no comunicado quais modelos brasileiros receberão essas soluções nem uma data para sua disponibilidade no país. A possibilidade de operar sem motorista depende da aplicação, das condições de uso e das autorizações locais.
Resumo
A cobrança chinesa por testes rigorosos e publicidade responsável destaca a importância da segurança em meio à disputa tecnológica entre fabricantes. A reunião tratou também de uma minuta regulatória, não da entrada em vigor de uma nova lei. A edição reúne ainda o início da produção do B10 na Espanha, acordos de investimento da Li Auto e o desenvolvimento de condução automatizada por Mercedes-Benz e Nvidia, sem confirmação de aplicação dessas novidades no Brasil.
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