Brasil e Argentina firmam agenda conjunta para fortalecer indústria automotiva no Mercosul
Entidades dos dois países avançam em proposta de integração produtiva e atualização do acordo bilateral
César Tizo - abril 15, 2026
O setor automotivo de Brasil e Argentina deu um passo relevante rumo à convergência estratégica ao firmar, durante a Automechanika Buenos Aires 2026, um compromisso conjunto para fortalecer a integração produtiva e atualizar as bases da política automotiva bilateral. O movimento ocorre em meio a um cenário global marcado por sobreoferta, transformação tecnológica acelerada e aumento da competição industrial.
Representantes de entidades como ANFAVEA, ABIPEÇAS, ADEFA e AFAC acordaram aprofundar a cooperação público-privada com foco na modernização do Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14), que rege o comércio automotivo entre os dois países.
A iniciativa parte do entendimento de que o Mercosul precisa evoluir de um papel predominantemente comercial para uma plataforma integrada de produção e exportação. Nesse contexto, o bloco reúne um mercado estimado em 350 milhões de pessoas, com capacidade potencial de produção de até 5 milhões de veículos por ano e investimentos superiores a US$ 22 bilhões realizados nos últimos três anos.
Além da relevância econômica, o setor automotivo tem peso significativo na indústria dos dois países. No Brasil, representa cerca de 20% do PIB industrial, enquanto na Argentina responde por 8,4%. O comércio bilateral também se destaca, com participação entre 55% e 70% nas exportações de produtos industrializados entre as duas nações. Juntas, as cadeias automotivas empregam mais de 1,9 milhão de pessoas, direta e indiretamente.
A chamada “Declaração de Buenos Aires” estabelece diretrizes para uma agenda comum, com destaque para a especialização produtiva entre os países, o fortalecimento das cadeias de valor regionais e o estímulo ao desenvolvimento tecnológico local, especialmente na produção de autopeças de maior complexidade. Outro ponto central é a harmonização de regulamentos técnicos e o reconhecimento mútuo de normas, incluindo aquelas aplicáveis ao mercado de reposição.
O documento também prevê avanços na facilitação aduaneira, com o objetivo de tornar mais ágil o fluxo de mercadorias entre os países. Segundo as entidades, a adoção de uma abordagem pragmática será essencial para garantir competitividade e assegurar a atração equilibrada de investimentos no bloco.
A meta estabelecida é clara: até 2029, Brasil e Argentina pretendem consolidar um novo ambiente regulatório capaz de sustentar o crescimento da indústria automotiva regional diante dos desafios impostos pela transição tecnológica e pela reconfiguração das cadeias globais de produção.
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