Coluna Fernando Calmon | Os próximos carros chineses cotados para o Brasil
Com foco crescente no Brasil, montadoras chinesas exibem no Salão de Pequim novos SUVs, elétricos e híbridos para ampliar presença no País
César Tizo - maio 3, 2026
Coluna Fernando Calmon aborda temas de variado interesse na área automobilística: comportamento, mercado, avaliações de veículos, segredos, técnica, segurança, legislação, tecnologia e economia. A coluna semanal é reproduzida em mais de 80 sites, portais, jornais e revistas brasileiros. Começou em 1º de maio de 1999
Salão de Pequim: centro de gravidade da indústria por seu gigantismo
Com o fim do Salão de Frankfurt, por décadas o maior o mundo, Pequim (anos pares) e Shangai (anos ímpares) cresceram e hoje não há nada parecido. Auto China 2026 foi ampliado para quase 400.000 m², na capital do país, e se encerra após 10 dias em 3 de maio. Os chineses superaram a fase de inspiração — às vezes, simples cópias descaradas — nas marcas e veículos ocidentais para criar seus próprios produtos. Claro, trataram de contratar vários dos melhores desenhistas do mundo e avançaram no projeto de carros elétricos e híbridos. Até em motores a combustão passaram a surpreender.
Uma das razões que levaram as marcas chinesas a crescerem tanto foi a verticalização da produção, nunca bem vista pelos concorrentes ocidentais e em especial pelos sindicatos de metalúrgicos. Como não existem sindicatos na China e nem mesmo greves, a expansão foi bastante rápida.
Em 2025, o mercado de veículos leves e pesados atingiu quase 35 milhões de unidades, mais que o dobro do segundo maior, os EUA. Isso ilustra as barreiras levantadas por americanos e canadenses. Entretanto, a capacidade instalada na China supera 50 milhões de unidades anuais, distribuídas por estimadas 100 marcas, algo insustentável. Várias devem desaparecer.
Na Europa há menos resistências e a produção de origem da China é aceita com algumas restrições. BYD, por exemplo, acaba de pedir filiação à Acea (Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis, na sigla em francês). Não se sabe ainda se será acolhida porque a entidade abriga marcas basicamente europeias.
Das marcas chinesas em Pequim, IA seleciona alguns destaques entre 181 estreias e 71 protótipos. Dos modelos com foco no mercado brasileiro (confirmados ou cotados) estão:
BYD Song Pro (facelift): nova linguagem Dragon Face, com lançamento aqui previsto para junho próximo.
Arcfox T1: SUV compacto elétrico da BAIC, rival direto do BYD Dolphin.
MG 4 Urban: hatch elétrico compacto.
GWM Ora 5: SUV médio elétrico com foco em custo-benefício.
IM Motors (Grupo SAIC): marca de elétricos de luxo a ser confirmada para o mercado brasileiro.
Arcfox T1
Cuidados com crianças exigem maior atenção
Segurança veicular vai bastante além de comprar veículos com bons equipamentos de segurança ativa e passiva. Exige, obrigatoriamente, o seu uso correto por todos os ocupantes. Nova pesquisa indica um risco silencioso que afeta os passageiros mais vulneráveis. O estudo Ourse (Observando a Segurança Infantil nas Estradas, tradução livre da sigla em francês), liderado pela Prévention Routière (associação francesa, desde 1949, dedicada a educar, sensibilizar e prevenir acidentes de trânsito) revela que duas em cada três crianças não estão devidamente protegidas nos automóveis.
Números do Observatório Francês de Segurança Rodoviária alertam: 46 crianças perderam a vida no trânsito em 2024 – quase uma por semana. Como agravante, metade dessas fatalidades ocorreu com a criança como passageira do veículo. Observações de campo com 301 crianças expuseram um paradoxo inaceitável. Embora 89% dos pequenos com menos de dez anos usem o banquinho infantil, espantosos 62% desses dispositivos estavam instalados de forma incorreta.
A pesquisa catalogou os erros mais frequentes. Destacam-se cinto de segurança mal ajustado (com falhas de posicionamento e falta de tensionamento), fitas torcidas que perdem a eficácia no impacto e uso falho dos dois engates Isofix de cada um. A omissão na fixação do terceiro ponto de fixação no dorso dos encostos do banco traseiro, continua sendo uma ameaça crítica à firmeza do banquinho infantil no veículo.
Excesso de confiança dos adultos agrava o quadro. Entre os entrevistados, 78% tinham certeza de que os filhos estavam seguros, mas na prática 59% corriam perigo por falhas de instalação ou fixação. Análises de colisões fatais entre 2021 e 2023 atestam a gravidade: 46% das pequenas vítimas estavam mal protegidas por falhas involuntárias. Instalação correta, seguindo as instruções, reduziria a severidade das lesões na metade dos casos. Lamentavelmente, o erro humano ainda prejudica os esforços da engenharia automobilística.
No Brasil, banco infantil é obrigatório para crianças de até 10 anos ou que não tenham atingido 1,45 m de altura.
Yaris Cross XRX Hybrid deve em desempenho
SUV compacto da Toyota na versão híbrida flex leva uma vantagem frente aos concorrentes: economia de combustível (até 17,9 km/L). Outro ponto de destaque, o seu estilo inspirado no RAV4. O conjunto óptico é quase todo de LED, menos as setas direcionais. Teto solar bipartido e rodas de liga leve que deixam os discos de freio bem visíveis também agradam. Isso não é tudo, pois o preço alto reduz sua atratividade.
Logo ao entrar, há boa impressão inicial com luzes de cortesia azuis que iluminam o assoalho do lado do motorista e do acompanhante. Começa a destoar pelo excesso de materiais de acabamento ásperos. Quadro de instrumentos tem tela de sete pol. com informações pouco organizadas, mas a de multimídia de 10 pol. fica dentro dos padrões com Android Auto e Apple CarPlay de conexão sem fio, além de carregador de celular por indução. Um anteparo alto no lado direito do console incomoda o passageiro. Quem senta atrás tem bom espaço para as pernas. Porta-malas, no entanto, mesmo com estepe temporário estreito, perde em volume para os concorrentes.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.