Mercado de usados segue aquecido no Brasil, mas elétricos acumulam forte desvalorização
IBV Auto registra alta de 0,27% no mês e acumula avanço de 6,99% em 12 meses; elétricos continuam liderando perdas
César Tizo - maio 7, 2026
O mercado brasileiro de veículos usados apresentou desaceleração no ritmo de valorização em abril, embora continue operando em patamar considerado aquecido. É o que mostra o IBV Auto, índice desenvolvido pelo Banco BV para acompanhar a variação de preços dos automóveis leves usados no país.
Segundo o levantamento, o indicador avançou 0,27% em abril, abaixo da alta de 0,71% observada em março. No acumulado de 12 meses até abril, o índice registra valorização de 6,99%.
O resultado sugere uma acomodação nos preços após o mercado apresentar maior aquecimento no início de 2026, impulsionado principalmente pela forte demanda por modelos com elevada liquidez no segmento de usados.
Entre os veículos que mais contribuíram para a alta do índice em abril aparecem o Chevrolet Celta, o Fiat Palio e o Chevrolet Onix.
Fiat Palio: hatch segue com boa procura entre os usados
O Onix, em especial, segue como um dos destaques do mercado secundário. O hatch acumula valorização próxima de 5% no primeiro trimestre e registrou a maior alta do índice pelo terceiro mês consecutivo.
Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, o comportamento do indicador mostra que a demanda continua resiliente em praticamente todo o país.
“O comportamento dos preços em abril reforça que o mercado de veículos usados permanece aquecido, apesar da desaceleração na variação mensal. A alta disseminada entre os Estados, com 22 de 27 unidades da federação em terreno positivo, indica que o movimento não é restrito a locais específicos, mas reflete uma demanda ainda resiliente em nível nacional”, afirma o executivo.
Segundo ele, mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo, o mercado ainda demonstra capacidade de absorver reajustes de preços.
Já Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o setor começa a mostrar perda gradual de ritmo após um primeiro trimestre mais pressionado pela inflação automotiva.
“Trata-se de um mercado que perdeu um pouco de fôlego em abril, após um período de maior pressão inflacionária, mas ainda se mantém aquecido. O desempenho nos próximos meses dependerá da evolução da renda das famílias, do crédito e das condições financeiras”, explica.
Norte lidera valorização
Na análise regional, o Norte apresentou o maior avanço nos preços dos automóveis usados em abril, com valorização média de 1,35%.
Segundo o levantamento, praticamente todos os estados da região registraram altas superiores a 1% no período.
Na direção oposta, o Centro-Oeste foi a única região a registrar retração nos preços dos usados, puxada principalmente pelas quedas observadas em Mato Grosso do Sul (-0,57%) e Mato Grosso (-0,48%).
No acumulado de 12 meses, os estados com maior valorização foram:
Minas Gerais: 8,52%
Rio de Janeiro: 8,16%
Amazonas: 7,43%
Já os menores avanços foram registrados em:
Mato Grosso: 4,50%
Espírito Santo: 4,85%
Santa Catarina: 5,17%
Elétricos perdendo valor
O estudo também mostra que os automóveis elétricos seguem liderando a desvalorização no mercado de usados, cenário influenciado principalmente pela redução de preços dos veículos novos e pela rápida evolução tecnológica do segmento.
Modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 45,6% até abril de 2026.
No mesmo intervalo:
híbridos acumulam queda média de 25,2%;
veículos a combustão comparáveis recuam 19,3%.
Entre automóveis de 2022, o padrão se repete. Os elétricos registram perda acumulada de 49%, acima dos híbridos (-20,3%) e dos modelos a combustão (-13,5%).
Segundo o banco BV, o cenário reflete a pressão competitiva no segmento de eletrificados, além da intensa atualização dos modelos, que reduz a atratividade das unidades mais antigas no mercado secundário.
Como funciona o índice
O IBV Auto utiliza como base dados de financiamentos do banco BV para acompanhar a dinâmica de preços do mercado de usados no Brasil.
A metodologia considera volume de transações reais, critérios de amostragem, agrupamento técnico de modelos e ajustes por depreciação.
O indicador também pondera os veículos conforme o valor financeiro movimentado nas negociações, levando em conta tanto o preço quanto o volume comercializado de cada modelo.
Além disso, o índice compara mensalmente a desvalorização entre veículos a combustão, híbridos e elétricos considerando automóveis equivalentes em faixa de preço, categoria, porte e características gerais.
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