Governo não descarta elevar teor de etanol na gasolina acima de 35%
Escalada das cotações internacionais leva Ministério da Fazenda a postergar análise sobre a retirada do benefício de R$ 0,44 por litro
César Tizo - julho 10, 2026
O Ministério da Fazenda adiou para a próxima semana a decisão sobre o eventual encerramento do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina após uma nova alta das cotações internacionais do petróleo, registrada na quinta-feira (9). Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o cenário de incerteza provocado pela escalada das tensões no Oriente Médio exige cautela antes de qualquer mudança na política de preços dos combustíveis.
A intenção inicial do governo era anunciar ainda nesta semana a retirada da subvenção. No entanto, o aumento do preço do barril de petróleo para cerca de US$ 80, impulsionado pela retomada dos ataques militares entre Estados Unidos e Irã, levou a equipe econômica a reavaliar a medida.
“Ontem [quarta-feira, 8], o preço do barril do petróleo voltou a subir para US$ 80, então, temos que ter cautela para retirar o subsídio“, afirmou Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.
Segundo o ministro, a análise será retomada na próxima semana e a retirada do benefício poderá ocorrer de forma parcial ou integral, dependendo da evolução do mercado internacional.
“Vou analisar a retirada na próxima semana e, dependendo da situação, eu gostaria de retirar o subsídio da gasolina, parcial ou totalmente“, acrescentou.
De acordo com Durigan, a manutenção temporária da subvenção busca reduzir os impactos da alta do petróleo sobre os consumidores brasileiros, evitando que um eventual aumento no preço da gasolina pressione a inflação e encareça produtos e serviços.
Apesar da instabilidade no mercado internacional de energia, o ministro garantiu que o governo mantém os planos de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz nacional.
A chamada Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) prevê que a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina C poderá variar entre 27% e 35%, enquanto a participação do biodiesel no diesel fóssil deverá alcançar 20% até 1º de março de 2030.
Segundo Durigan, o atual cenário reforça a importância da estratégia brasileira de ampliar o uso de combustíveis renováveis, reduzindo a dependência das oscilações do mercado internacional de petróleo. O ministro afirmou ainda que o governo não descarta discutir, futuramente, percentuais de mistura superiores aos previstos na legislação atual.
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