Song Pro GS 2027 ou Jaecoo 7 Elite? Em SP, o IPVA pode fazer diferença na escolha
Com recarga residencial e uso urbano, SUVs são boas opções, mas a isenção de IPVA em São Paulo reforça os argumentos do BYD
César Tizo - agosto 12, 2026
Moro na região de Campinas (SP) e estou em dúvida entre o BYD Song Pro GS e o Jaecoo 7 Elite. Meu uso é predominantemente urbano e tenho ponto de recarga em casa. Qual você recomenda? – pergunta enviada por Tomaz
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Tomaz, obrigado por enviar sua dúvida e participar do Guru dos Carros!
Você está comparando duas opções que, apesar da proximidade em preço e da proposta híbrida plug-in, apresentam algumas diferenças importantes. E, no seu caso específico, o fato de possuir um ponto de recarga em casa torna essa escolha ainda mais interessante, porque permitirá aproveitar de maneira efetiva parte da propulsão elétrica dos dois SUVs.
Considerando seu perfil de utilização e também o fato de morar no Estado de São Paulo, eu tenderia hoje ao novo BYD Song Pro GS 2027 com motorização térmica flex, embora reconheça que o Jaecoo 7 Elite possui argumentos bastante fortes e seja até superior ao BYD em alguns aspectos.
Vamos às razões.
Conjuntos propulsores
O Jaecoo 7 Elite utiliza o sistema híbrido plug-in SHS, com motor 1.5 turbo de 135 cv associado a um propulsor elétrico de 204 cv. A fabricante informa potência combinada de 279 cv.
O Song Pro GS 2027 também é um híbrido plug-in, porém sua nova configuração flex entrega 219 cv de potência combinada e 30,6 kgfm de torque. Nesse aspecto, portanto, o Jaecoo oferece uma reserva de potência consideravelmente maior.
Isso não significa necessariamente que essa diferença será decisiva no trânsito urbano, onde a resposta imediata do motor elétrico é muito mais perceptível que a potência máxima do conjunto. Ainda assim, para retomadas e situações de maior solicitação, o Jaecoo possui vantagem técnica.
Importância da recarga
Aqui entra justamente o detalhe mais importante da sua pergunta.
Como você possui possibilidade de recarga residencial e utiliza o carro predominantemente na cidade, poderá explorar esses dois SUVs da maneira para a qual um híbrido plug-in foi concebido: recarregando frequentemente a bateria e utilizando o motor elétrico na maior parte dos deslocamentos cotidianos.
O Song Pro GS possui bateria Blade de 18,3 kWh e oferece até 72 km de autonomia exclusivamente elétrica pelo padrão PBEV do Inmetro. A recarga, apenas em corrente alternada, pode chegar a 6,6 kW.
O Jaecoo 7 utiliza uma bateria de capacidade praticamente idêntica, com 18,4 kWh. A ficha técnica oficial registra 79 km de autonomia elétrica pelo Inmetro.
É uma vantagem, ainda que pequena, para o Jaecoo.
Se sua rotina diária estiver, por exemplo, na casa dos 30, 40 ou 50 km de deslocamento total, é provável que você consiga passar muitos dias praticamente sem utilizar gasolina em qualquer um dos dois SUVs, desde que crie o hábito de conectá-los ao carregador ao chegar em casa.
Nesse cenário, eu não daria tanto peso ao consumo de gasolina em utilização híbrida. Para você, a capacidade de percorrer o trajeto diário com propulsão elétrica será muito mais relevante.
Dimensões
Há uma diferença importante em termos de porte.
O Song Pro mede 4,74 m de comprimento, 1,86 m de largura e possui 2,71 m de distância entre-eixos. O porta-malas comporta 530 litros. O Jaecoo 7 é mais curto, com 4,50 m, embora tenha praticamente a mesma largura. Seu entre-eixos é de 2,67 m e o porta-malas oferece 500 litros de capacidade.
O Song, portanto, oferece um pouco mais de espaço e área para bagagens. Por outro lado, os 24 cm a menos de comprimento do Jaecoo também podem ser vistos como vantagem para quem circula predominantemente em ambiente urbano e utiliza garagens apertadas.
Nesse quesito, escolheria conforme sua prioridade: Song Pro para maximizar espaço interno; Jaecoo para facilitar um pouco a convivência na cidade.
Custo-benefício
Os dois modelos avaliados aqui são muito bem equipados e, por uma diferença de R$ 10 mil, o SUV médio-grande da BYD oferece uma relação custo-benefício mais favorável considerando sua lista de itens de série.
Por ser o catálogo topo de linha, o Song Pro GS (R$ 199.990) traz teto solar panorâmico, bancos dianteiros com ajustes elétricos, carregador por indução ventilado de 50 W, sistema de câmeras 360°, central multimídia com tela de 12,8″, ar-condicionado de duas zonas, mecanismo elétrico de abertura e fechamento do porta-malas, vidros dianteiros laminados e um pacote ADAS de Nível 2 bastante abrangente, com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitoramento de pontos cegos e alerta e frenagem para tráfego cruzado traseiro, entre outros recursos.
O Jaecoo 7 Elite (R$ 189.990) é muito bem servido, entretanto, por ser a configuração de entrada do modelo, deve muitos recursos presentes no Song Pro GS. De qualquer forma, o Jaecoo 7 Elite chega ao país com central multimídia de 13,2″, bancos dianteiros elétricos, carregador por indução refrigerado, iluminação ambiente, ar-condicionado com duas zonas, rodas de liga leve aro 19″ e pacote ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma e assistente de permanência em faixa, entre outros itens.
Economia com o IPVA
Aqui chegamos a um dos pontos que merecem atenção especial, sobretudo quando colocamos na conta o custo de propriedade de cada um dos SUVs.
O fato de o Song Pro 2027 ser flex, podendo utilizar também etanol, traz uma consequência financeira relevante para quem mora no Estado de São Paulo.
Até este ano, por força da Lei 18.065/2024, proprietários de veículos híbridos bicombustíveis ou movidos exclusivamente a etanol e equipados com sistema elétrico de alta tensão (pelo menos 150 V), contam com isenção total do IPVA, desde que o automóvel também respeite o teto de valor, atualmente fixado em R$ 261.154,45.
Além disso, pela regra em vigor, esses veículos passam a recolher apenas 1% de IPVA em 2027, 2% em 2028 e 3% em 2029, retornando à alíquota tradicional de 4% somente em 2030.
Colocando essa diferença na ponta do lápis, apenas como referência, um Jaecoo 7 Elite adquirido em agosto de 2026 teria uma despesa de R$ 3.166 com o IPVA proporcional ainda neste ano, enquanto o Song Pro flex, enquadrado no benefício paulista, estaria isento.
Se, em um exercício hipotético, mantivéssemos congelados os preços atuais dos dois SUVs, a diferença de IPVA seria de aproximadamente R$ 5.600 em 2027, R$ 3.600 em 2028 e R$ 1.600 em 2029. Nesse cenário meramente ilustrativo, a economia do proprietário do BYD chegaria perto de R$ 14 mil até o fim de 2029.
Naturalmente, os valores efetivamente pagos serão diferentes, já que o IPVA dos próximos anos será calculado sobre o valor venal de cada veículo de acordo com a tabela divulgada pela Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo.
O Jaecoo 7 Elite comercializado atualmente no Brasil, por sua vez, não é flex, aceitando somente gasolina. A Omoda & Jaecoo já anunciou que trabalha no desenvolvimento de novos sistemas híbridos compatíveis com etanol, mas essa tecnologia está prevista para chegar ao mercado somente a partir de 2027 nos modelos da empresa.
BYD Song Pro GS Flex 2027
Prazos de garantia
A Omoda & Jaecoo oferece 7 anos ou 150.000 km de garantia para o veículo e 8 anos ou 150.000 km para a bateria de alta tensão. As revisões do Jaecoo 7 PHEV ocorrem a cada 12 meses ou 10.000 km.
No Song Pro, a BYD oferece 6 anos ou 200.000 km de garantia para uso particular ao veículo completo, enquanto a bateria Blade possui cobertura de 8 anos ou 200.000 km.
Ou seja, o Jaecoo leva vantagem em tempo de garantia geral, enquanto a BYD oferece uma franquia de quilometragem significativamente maior.
Nossa recomendação
Colocando apenas os carros frente a frente, eu diria que o resultado é equilibrado.
O Jaecoo 7 Elite custa menos, é significativamente mais potente e oferece alguns quilômetros adicionais de autonomia elétrica. Em contrapartida, não é tão equipado quanto o concorrente, e a diferença de preço entre os dois não chega a compensar plenamente a ausência de alguns itens de série relevantes.
Ainda assim, mesmo que o Jaecoo 7 apresentasse um custo-benefício mais agressivo, seria difícil ignorar a vantagem tributária proporcionada pelas regras atuais do IPVA para determinados modelos híbridos licenciados no Estado de São Paulo, aspecto que pesa bastante a favor do Song Pro GS flex.
Somando esse benefício ao maior espaço interno e de porta-malas, à autonomia elétrica de 72 km, já plenamente suficiente para um uso predominantemente urbano com recarga em casa, e ao ótimo nível de equipamentos na faixa dos R$ 200 mil, nossa recomendação nesta disputa fica com o representante da BYD.
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