Carros pelo Mundo | Denza Z9 GT ganha versão mais barata na China; Dongfeng terá bateria semissólida ainda em 2026
Denza reduz o preço do Z9 GT de três motores, e GWM desenvolve um Tank 700 com 5.445 mm e seis lugares
César Tizo - setembro 9, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Denza lançou na China uma versão mais barata do Z9 GT elétrico, preservando o conjunto de três motores com 1.156 cv. A redução de 40 mil yuans foi obtida principalmente pela substituição dos discos de freio de carbono-cerâmica por componentes convencionais de ferro fundido.
Outra novidade chinesa de grandes proporções é o Tank 700 com entre-eixos alongado. Revelado em documentos regulatórios, o SUV da GWM possui seis lugares, 5.445 mm de comprimento e opções híbrida plug-in ou equipada com motor V6.
A edição acompanha ainda o cronograma da Dongfeng para instalar baterias semissólidas em veículos, a pressão do governo norte-americano sobre as parcerias chinesas da Ford e uma nova configuração do BMW iX3 desenvolvida especificamente para a China.
Denza Z9 GT de 1.156 cv ganha versão mais barata
A Denza lançou nesta quarta-feira (9) uma nova configuração do Z9 GT elétrico na China com o sistema e3 Flash Charge. O modelo custa 329.800 yuans, uma redução de 40 mil yuans diante da versão Performance, tabelada em 369.800 yuans.
O conjunto utiliza um motor dianteiro de 230 kW e dois traseiros de 310 kW cada. A potência combinada é de 850 kW, equivalentes a 1.156 cv, enquanto o torque alcança 123,4 kgfm.
A aceleração de 0 a 100 km/h leva 2,8 segundos. O modelo também possui esterçamento independente das rodas traseiras, suspensão pneumática DiSus-A e raio de giro declarado de 4,62 m.
A bateria Blade de segunda geração proporciona autonomia de 860 km pelo ciclo chinês CLTC. A Denza também informa 600 km pelo padrão WLTP.
Quando conectado a uma estação compatível com a tecnologia Flash Charging, o Z9 GT pode completar a carga em nove minutos, segundo a fabricante. Esse desempenho depende de infraestrutura específica, temperatura adequada e condições favoráveis da bateria.
A principal diferença mecânica está nos freios. A configuração Performance utiliza discos de carbono-cerâmica, enquanto a nova alternativa recebe componentes ventilados de ferro fundido. Alguns equipamentos internos também foram retirados ou simplificados.
O modelo conserva os 5.195 mm de comprimento e os 3.125 mm de distância entre-eixos. As funções de assistência à condução são processadas pelo sistema DiPilot 5.0 e continuam sujeitas à supervisão do motorista.
O Z9 GT integra a gama anunciada pela Denza para o mercado brasileiro, mas a nova versão de 1.156 cv não está confirmada para o país. A estratégia chinesa mostra, contudo, uma possibilidade de ampliar a oferta sem modificar o conjunto propulsor, reduzindo custos em equipamentos de desempenho e conveniência.
Denza Z9 GT elétrico
GWM desenvolve Tank 700 de 6 lugares
Documentos publicados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China revelaram uma versão alongada do Tank 700. O novo modelo oferece 6 lugares em disposição 2+2+2, com dois assentos individuais na fileira central.
O SUV mede 5.445 mm de comprimento, 2.126 mm de largura e 2.021 mm de altura, com 3.150 mm de distância entre-eixos. Em comparação com o Tank 700 convencional, o comprimento aumentou 340 mm e o entre-eixos cresceu 150 mm.
O peso em ordem de marcha varia de 3.396 kg a 3.480 kg, dependendo da configuração. A capacidade homologada de reboque com sistema de frenagem é de 2.500 kg.
Uma das motorizações utiliza o sistema híbrido plug-in Hi4-Z. O motor 2.0 turbo desenvolve 252 cv e 39,3 kgfm, trabalhando com dois motores elétricos e uma bateria ternária de 59,05 kWh fornecida pela Svolt.
A autonomia exclusivamente elétrica chega a 190 km pelo ciclo WLTC. A potência combinada do sistema híbrido não aparece no documento regulatório consultado.
Também foi registrada uma opção com motor 3.0 V6 biturbo de 360 cv. O arquivo inicial não esclarece se essa alternativa terá algum tipo de eletrificação nem apresenta seus dados de torque.
O registro no ministério representa uma etapa de homologação, mas não substitui o lançamento comercial. A GWM ainda não divulgou preços ou a data de chegada às concessionárias chinesas.
No Brasil, a fabricante chinesa comercializa o Tank 300 e confirmou a vinda do Tank 400 ainda para este ano. O Tank 700 convencional e a nova carroceria alongada não possuem lançamento nacional anunciado.
GWM Tank 700 terá opção com carroceria alongada
Dongfeng colocará bateria semissólida em veículos ainda em 2026
A Dongfeng pretende apresentar em outubro sua bateria semissólida com densidade energética de 350 Wh/kg. A instalação em veículos produzidos em série está prevista para o quarto trimestre de 2026, segundo o vice-presidente do grupo, You Zheng.
A empresa havia utilizado anteriormente a expressão “bateria de estado sólido”. A denominação foi alterada para “bateria híbrida sólido-líquido”, classificação aplicada na China às células semissólidas que ainda preservam uma parcela de eletrólito líquido.
A distinção é importante porque essa tecnologia enfrenta menos dificuldades industriais do que uma célula totalmente sólida. Ao mesmo tempo, seus ganhos de segurança e densidade energética não devem ser automaticamente equiparados aos esperados para baterias sem componentes líquidos.
Segundo informações divulgadas anteriormente pela Dongfeng, a célula pode viabilizar autonomia superior a 1.000 km. O ciclo de medição utilizado nessa projeção não foi esclarecido, portanto o resultado não deve ser comparado diretamente com números do Inmetro, WLTP ou EPA.
Em testes de baixa temperatura, a bateria teria preservado mais de 72% de sua energia a -30 °C. A célula também foi submetida a uma câmara térmica de 170 °C, acima dos 130 °C previstos pelo padrão chinês mencionado pela fabricante.
A linha-piloto possui capacidade anual de 0,2 GWh. A meta inicial é colocar 100 veículos de demonstração em circulação até o fim de 2026 e alcançar 50 mil automóveis equipados com baterias desenvolvidas internamente durante 2027.
O cronograma para as células totalmente sólidas é mais longo. A Dongfeng pretende iniciar a produção em pequena escala por volta de 2030, com aplicação mais ampla a partir de 2035.
A Dongfeng inaugurou recentemente sua operação de automóveis de passeio no Brasil, onde vai atuar sob a designação DFM. A evolução tecnológica interessa ao mercado porque baterias semissólidas poderão chegar primeiro por meio de marcas chinesas e funcionar como transição até que as células totalmente sólidas alcancem escala industrial. A conferir.
Bateria semissólida da Dongfeng
Governo dos Estados Unidos pressiona Ford por acordos chineses
O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, pediu que a Ford reduza seus vínculos com CATL, Geely e BYD. A solicitação foi apresentada em uma carta enviada ao presidente-executivo da fabricante, Jim Farley.
O governo questionou principalmente o uso de tecnologia licenciada da CATL na fábrica de baterias da Ford em Marshall, no estado de Michigan. A unidade pertence à fabricante norte-americana, que controla as operações e emprega diretamente os trabalhadores.
Duffy também criticou a decisão de continuar produzindo o Lincoln Nautilus na China até 2030. Segundo o secretário, a estratégia mantém a marca dependente da capacidade industrial chinesa durante mais quatro anos.
A Ford classificou a carta como equivocada e afirmou que está investindo na fabricação de baterias dentro dos Estados Unidos, enquanto concorrentes continuam importando componentes completos.
CATL, BYD e Geely não haviam respondido aos pedidos de manifestação citados na apuração da Reuters. A carta também não representa uma ordem formal para encerrar contratos.
O episódio amplia a pressão política sobre fabricantes ocidentais que utilizam componentes, plataformas ou conhecimento tecnológico chinês. O Congresso norte-americano já discute tornar permanentes as restrições aos veículos conectados relacionados à China.
Embora essas regras não sejam aplicáveis ao Brasil, elas poderão reorganizar investimentos e cadeias de fornecimento. Tecnologias impedidas de chegar aos Estados Unidos poderão ser direcionadas a Europa, América Latina e outros mercados com menos restrições de origem.
Projeto da fábrica de baterias da Ford em Michigan – Imagem: Michigan Business
BMW iX3 chinês terá bateria LFP e entre-eixos alongado
O BMW iX3 30L apareceu em documentos regulatórios chineses antes do início das entregas, previsto para novembro. O modelo utiliza a plataforma Neue Klasse e foi desenvolvido especificamente para o mercado local.
A carroceria mede 4.885 mm de comprimento, 1.895 mm de largura e 1.634 mm de altura. A distância entre-eixos é de 3.005 mm, 108 mm maior que a encontrada na configuração internacional.
O motor elétrico traseiro desenvolve 235 kW, equivalentes a 320 cv. A velocidade máxima homologada é de 180 km/h.
A bateria utiliza células de fosfato de ferro-lítio fornecidas por uma subsidiária da CATL. Capacidade, consumo energético e autonomia da configuração 30L ainda não foram divulgados.
Os preços antecipados começam em 269.900 yuans. A gama chinesa também terá versões 40L xDrive e 50L xDrive, tabeladas inicialmente em 299.900 e 339.900 yuans, respectivamente.
O sistema de assistência à condução foi desenvolvido com a chinesa Momenta. A cabine também integra serviços da Huawei, inteligência artificial do Alibaba e tecnologias da DeepSeek.
O registro está aberto a comentários públicos e ainda não constitui a aprovação definitiva para comercialização. A produção ocorrerá na fábrica da BMW Brilliance em Shenyang.
A configuração de entre-eixos alongado não foi anunciada para o Brasil. Seu desenvolvimento mostra como fabricantes estrangeiras estão adotando baterias, programas e parceiros chineses para competir com marcas locais, justamente enquanto os Estados Unidos procuram limitar essas relações.
Destaques
Os destaques desta edição mostram duas forças simultâneas. A China permanece como centro de desenvolvimento de veículos, baterias e sistemas digitais, mas o acesso a essas tecnologias passa a depender cada vez mais das relações políticas e das exigências regulatórias de cada mercado.
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