Carros pelo Mundo | Volvo aprimora XC60 e XC90 híbridos; Honda reforça qualidade
Volvo amplia o alcance de XC60 e XC90, Honda detalha o controle de qualidade e Porsche 718 ganha novas projeções
César Tizo - setembro 15, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Volvo apresentou novas configurações híbridas plug-in dos XC60 e XC90 para a Europa e os Estados Unidos. Com baterias maiores e motores elétricos mais potentes, os SUVs poderão alcançar, respectivamente, 200 km e 160 km de autonomia elétrica pelo ciclo WLTP.
A Honda, por sua vez, detalhou como tenta preservar a confiabilidade à medida que software, sensores e sistemas de assistência aumentam a complexidade dos automóveis. A fabricante mantém uma área de qualidade independente e afirma que cada etapa do desenvolvimento precisa ser validada antes do avanço à seguinte.
A edição acompanha ainda novas projeções do futuro Porsche 718 Boxster elétrico, a reorganização dos negócios da Toyota na China e projetos de veículos autônomos no Japão e na Alemanha.
Volvo XC60 e XC90 híbridos plug-in aprimorados
A Volvo desenvolveu novas versões híbridas plug-in de longo alcance para os XC60 e XC90. O primeiro poderá percorrer até 200 km sem utilizar o motor a combustão, enquanto o SUV de sete lugares chegará a 160 km.
Os números são preliminares e seguem o ciclo europeu WLTP. A autonomia em condições reais dependerá da temperatura, da velocidade, da utilização da climatização, do relevo e do nível de carga da bateria.
Segundo a fabricante, o alcance elétrico será mais de duas vezes e meia superior ao das configurações atuais. O avanço foi obtido por meio de uma bateria instalada no assoalho com maior capacidade e de um motor elétrico mais potente.
A Volvo ainda não divulgou capacidade, potência combinada, torque ou tempos de recarga das novas motorizações. Esses dados deverão ser apresentados durante a abertura das vendas nos diferentes mercados.
O XC60 também receberá mudanças na grade, no para-choque, no capô, nos para-lamas e nas rodas. A lista inclui faróis Matrix LED, sistemas atualizados de segurança e uma central multimídia de 11,2 polegadas com serviços do Google e integração do Gemini.
O XC90 preservará os sete lugares e também ganhará os novos recursos digitais. A produção das configurações de longo alcance começará durante o outono europeu, entre setembro e dezembro, com abertura inicial dos pedidos apenas em mercados selecionados.
Os dois SUVs são comercializados no Brasil. O XC60 híbrido plug-in atualmente oferecido no País possui 462 cv, bateria nominal de 18,8 kWh e autonomia de 48 km pelo Inmetro. A nova configuração global representaria uma mudança significativa, mas ainda não foi confirmada para o mercado brasileiro.
Volvo XC90 e XC60 ganham opção híbrida plug-in de maior alcance elétrico
Honda reforça controle de qualidade diante de carros mais complexos
Executivos da Honda explicaram ao site The Drive como a fabricante está atualizando seus processos de qualidade para acompanhar a expansão de software, sensores, processadores e sistemas de assistência à condução.
Noriya Kaihara, vice-presidente executivo da Honda Motor e antigo responsável global pelo controle de qualidade, afirmou que a área encarregada das verificações funciona separadamente dos departamentos de desenvolvimento. Toda nova tecnologia passa por essa equipe antes de avançar para a etapa seguinte.
O processo procura antecipar riscos relacionados ao uso do veículo, incluindo exposição a temperaturas elevadas ou baixas, condições ambientais e situações observadas da perspectiva do consumidor. A independência permite que os avaliadores questionem soluções mesmo quando elas já estão próximas da produção.
Eiji Fujimura, presidente e diretor-executivo da American Honda, reconheceu que a China lidera parte do desenvolvimento tecnológico e industrial. A Honda mantém equipes naquele país para acompanhar novas soluções de fabricação, software e sistemas de assistência, mas o executivo afirmou que a velocidade de lançamento não poderá comprometer a confiança dos clientes.
Os dirigentes também foram questionados sobre os problemas recentes dos motores V6 biturbo utilizados por picapes e SUVs da Toyota. Kaihara evitou apresentar a Honda como imune a falhas e destacou que, além da prevenção, a velocidade de resposta depois da identificação de um defeito é decisiva para limitar danos ao consumidor.
A própria Honda realizou diferentes campanhas de recall nos últimos anos. Por isso, as declarações descrevem um método de trabalho, e não uma garantia de ausência de problemas mecânicos ou eletrônicos.
A estratégia interessa diretamente ao mercado brasileiro, onde a Honda produz automóveis e concentra parte de seu posicionamento em confiabilidade e valor de revenda. A chegada de novos híbridos e sistemas conectados aumentará a quantidade de componentes que precisam ser validados, embora nenhuma mudança específica para a operação nacional tenha sido anunciada.
Honda afirma que a velocidade de lançamento não poderá comprometer a confiança dos clientes
Projeções antecipam o futuro Porsche 718 Boxster
O site Kolesa publicou novas projeções do futuro Porsche 718 Boxster, produzidas a partir dos protótipos com menor quantidade de camuflagem vistos recentemente em testes.
As imagens não foram divulgadas nem aprovadas pela Porsche. Elas representam uma interpretação editorial do desenho e devem ser tratadas como ilustrações, não como a aparência definitiva do automóvel de produção.
Na projeção, o conversível recebe faróis mais estreitos, inspirados nos utilizados pelo Taycan, e elementos verticais no para-choque dianteiro. As laterais aparecem mais limpas, com maçanetas convencionais e acabamento destacado nas saias.
Na traseira, o Kolesa prevê lanternas horizontais simplificadas e uma porta de recarga instalada no centro do para-choque. Rodas próprias e pequenas alterações nas proporções completam a interpretação baseada nas unidades de desenvolvimento.
A Porsche confirmou oficialmente que manterá um esportivo de duas portas totalmente elétrico no segmento do 718. A produção dos últimos Boxster e Cayman a combustão da geração 982 terminou em outubro de 2025, encerrando a disponibilidade regular da linha atual.
Segundo as estimativas publicadas pelo Kolesa, a nova família deverá começar com uma versão de motor único e tração traseira, seguida por configurações de dois motores e tração integral. A potência da alternativa mais forte poderia superar 600 cv, mas a fabricante não confirmou motores, baterias, autonomia ou desempenho.
A publicação russa espera uma apresentação em 2027. Essa data também não foi oficializada. A Porsche revisou sua estratégia para preservar modelos a combustão e híbridos plug-in por mais tempo, ao mesmo tempo que mantém o futuro elétrico do segmento 718.
Boxster e Cayman tiveram presença no Brasil, mas a nova geração não possui lançamento nacional confirmado. O posicionamento, a autonomia e a infraestrutura de recarga serão determinantes para a aceitação de um esportivo elétrico da marca no mercado local.
Projeção do futuro Porsche 718 Boxster, sem vínculo oficial com a fabricante. Projeção: Kolesa
GAC e FAW avançam em operação que poderá envolver a Toyota
A GAC assinou uma carta de intenção para adquirir parte da participação da FAW em uma fabricante de automóveis mantida em parceria com uma companhia estrangeira listada em bolsa.
A informação deixa de ser apenas uma especulação sobre uma possível associação entre GAC e FAW, pois agora existe uma estrutura preliminar de transação. Ainda não há, contudo, um contrato definitivo.
O nome da empresa envolvida foi omitido no documento oficial. O jornal estatal Economic Daily informou, citando fontes, que o alvo seria a FAW Toyota, mas GAC, FAW e Toyota não confirmaram essa identificação.
A operação seria realizada por meio da emissão de ações da GAC e de um aumento de capital. Caso seja concluída, a FAW deverá tornar-se a segunda maior acionista da GAC, sem alterar o controle final do grupo.
Reportagens chinesas também indicam a possibilidade de integrar as redes comerciais da FAW Toyota e da GAC Toyota. Uma nova estrutura teria Toyota com 50% e cada sócia chinesa com 25%, mas essa divisão permanece sem confirmação oficial.
As duas operações da Toyota responderam por 7% das vendas chinesas de automóveis de passeio nos oito primeiros meses de 2026, atrás de BYD, Geely e Volkswagen. Em 2021, elas ocupavam conjuntamente a segunda posição no mercado.
A rede da FAW Toyota caiu de 773 para 651 concessionárias desde 2022. A GAC Toyota passou de 693 para 620 pontos no mesmo período.
A GAC iniciou recentemente sua operação comercial no Brasil, enquanto a Toyota possui fábricas e uma rede consolidada no País. Nenhuma consequência local foi anunciada, mas a transação poderá alterar investimentos, desenvolvimento de produtos e prioridades internacionais dos dois grupos.
GAC GS9, um dos modelos da fabricante chinesa. Foto: Divulgação/GAC
Waymo quer lançar robotáxis sem motorista em Tóquio
Waymo, o aplicativo japonês GO e a empresa de táxis Nihon Kotsu pretendem iniciar em 2027 um serviço comercial de robotáxis totalmente autônomos em Tóquio.
A operação começará com uma frota pequena e poderá crescer para aproximadamente 100 automóveis nos principais bairros da capital japonesa. O cronograma depende da validação técnica e das autorizações regulatórias.
As empresas afirmam que o serviço será oferecido ao público sem motorista ou operador de segurança dentro do veículo desde o início. As viagens poderão ser solicitadas pelos aplicativos da Waymo e da GO.
A Waymo começou a coletar dados no Japão em 2025 com Jaguar I-Pace conduzidos por motoristas humanos. Esse foi o primeiro programa da companhia em vias públicas fora dos Estados Unidos.
Tóquio oferece condições diferentes das cidades norte-americanas, incluindo circulação pelo lado esquerdo, alta densidade de pedestres e ciclistas, vias estreitas e sinalização própria. O projeto também procura responder à falta de motoristas profissionais provocada pelo envelhecimento da população japonesa.
A operação ainda não está autorizada de forma definitiva. No Brasil, a Waymo não anunciou testes ou serviços comerciais, mas a experiência japonesa poderá ajudar a definir como sistemas autônomos são adaptados e homologados fora de seu mercado de origem.
Veículos autônomos da Waymo, que prepara um serviço comercial em Tóquio. Foto: Divulgação/Waymo
Caminhão sem cabine entra em operação regular na Alemanha
A Einride e a rede Lidl colocaram em circulação o primeiro caminhão autônomo sem cabine utilizado regularmente em vias públicas da Alemanha.
O veículo elétrico opera no Nível 4 de automação e transporta mercadorias entre um centro de distribuição e uma loja. Não há motorista ou operador de segurança dentro do caminhão.
A autorização foi concedida pela Autoridade Federal de Transporte Motorizado da Alemanha após um processo de validação para condições reais. Segundo as empresas, trata-se da primeira licença desse tipo emitida no país.
O Nível 4 permite que o veículo execute todas as tarefas de condução sem intervenção humana, mas somente dentro de rotas, velocidades e condições operacionais previamente delimitadas.
Einride e Lidl pretendem transformar o trajeto inicial em uma rota com diferentes paradas. Outras operações do Grupo Schwarz, proprietário da rede de supermercados, também poderão adotar a tecnologia.
No mesmo setor, a chinesa Pony.ai apresentou um caminhão elétrico autônomo desenvolvido com a GAC. A produção em volume está prevista para começar ainda em 2026, enquanto testes são negociados com portos e governos europeus.
A Pony.ai pretende levar sua divisão de caminhões autônomos à Europa e ao Oriente Médio durante os próximos dois anos. A empresa já mantém algumas centenas desses veículos em rotas chinesas, parte deles sem motoristas.
Não existe operação equivalente anunciada no Brasil. Antes de uma adoção comercial ampla, serão necessárias regras sobre responsabilidade, supervisão remota, seguros, segurança digital e circulação de veículos sem cabine em rodovias abertas.
Resumo
Os destaques desta edição mostram que confiabilidade, eletrificação e automação precisam avançar juntas. Baterias maiores e novos sistemas digitais ampliam as possibilidades dos veículos, mas também elevam a importância da validação, da resposta rápida a falhas e de regras adequadas a cada mercado.
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