Carros pelo Mundo | BYD Yuan Pro evolui na China; Volvo prepara 13 lançamentos
BYD atualiza Yuan Up com até 501 km pelo ciclo CLTC, e Volvo anuncia 13 modelos até 2030
César Tizo - setembro 17, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A BYD lançou na China uma nova configuração do Yuan Up, modelo comercializado como Yuan Pro no Brasil. A linha 2027 passa a oferecer por lá até 501 km de autonomia de acordo com o ciclo chinês CLTC, 100 km a mais que o limite anterior.
A Volvo, por sua vez, prepara 13 novos modelos até 2030 e pretende ampliar a utilização de componentes compartilhados com a Geely. O objetivo é reduzir custos, aumentar a participação de mercado e recuperar a rentabilidade.
A edição acompanha ainda as pressões europeias sobre os híbridos plug-in produzidos na China, uma nova associação entre Leapmotor e FAW, as dúvidas sobre o futuro da Seat e a ampliação da infraestrutura para caminhões elétricos nos Estados Unidos.
BYD Yuan Up passa a oferecer 501 km de autonomia
A BYD lançou nesta quinta-feira (17) a linha 2027 do Yuan Up no mercado chinês. O SUV elétrico recebeu novas versões com 501 km de autonomia pelo ciclo CLTC, além das configurações já existentes de 301 km e 401 km.
O alcance máximo cresceu 100 km, aproximadamente 25% diante dos 401 km oferecidos anteriormente. As novas versões utilizam uma bateria Blade de fosfato de ferro-lítio com 51,13 kWh.
As opções de 301 km possuem bateria de 32 kWh, enquanto as configurações de 401 km utilizam um pacote de 45,12 kWh. A recarga de 30% a 80% pode ser concluída em 30 minutos, segundo as informações divulgadas.
Todos os cinco modelos da série Feichi adotam um motor elétrico dianteiro de 70 kW, equivalentes a aproximadamente 95 cv, e 18,4 kgfm. Algumas versões anteriores do Yuan Up continuavam disponíveis com motor de 130 kW, cerca de 177 cv.
A mudança indica que a BYD priorizou autonomia, eficiência e preço na nova gama. A configuração de 501 km, portanto, não combina o alcance ampliado com o motor mais potente utilizado anteriormente.
Os preços variam de 74.800 a 104.800 yuans. A opção de 401 km mais acessível passou a custar 81.800 yuans, redução de 18 mil yuans diante do preço inicial anterior. Compradores que atendam às condições estabelecidas pela fabricante também podem receber um subsídio de troca de 5 mil yuans.
O pacote de assistência varia conforme a versão. Algumas configurações possuem o sistema DiPilot C, com navegação assistida em rodovias e vias expressas, controle de velocidade adaptativo e estacionamento automatizado. As funções continuam exigindo supervisão do motorista.
As dimensões foram preservadas: 4.310 mm de comprimento, 1.830 mm de largura, 1.675 mm de altura e 2.620 mm de distância entre-eixos. A atualização acrescenta duas opções de cor, volante de dois raios e rodas de 17 polegadas nas versões superiores.
O Yuan Up é comercializado como Atto 2 em diferentes mercados e, como já explicamos na abertura do boletim de hoje, está relacionado ao Yuan Pro vendido no Brasil. A configuração brasileira possui especificações próprias, e a BYD ainda não confirmou a chegada da bateria de 51,13 kWh ou da autonomia ampliada ao País.
Yuan Up passa a oferecer até 501 km de autonomia pelo ciclo CLTC
Volvo prepara 13 novos modelos até 2030
A Volvo pretende lançar 13 novos modelos até 2030. O planejamento reúne seis veículos destinados prioritariamente à China e sete desenvolvidos para Europa, Estados Unidos e outros mercados ocidentais.
A gama combinará automóveis totalmente elétricos e híbridos. A empresa não apresentou a lista completa dos produtos, seus nomes ou um cronograma detalhado de lançamento.
Os veículos destinados aos mercados ocidentais utilizarão principalmente as plataformas SPA2 e SPA3. Na China, a fabricante aprofundará o desenvolvimento conjunto com a Geely Auto, empresa pertencente ao mesmo grupo controlador.
A Volvo pretende elevar de aproximadamente 10% para 30% a quantidade de componentes compartilhados com a Geely. A medida deverá proporcionar uma economia de cerca de 5% nos custos de materiais até 2030, segundo a companhia.
O plano prevê maior regionalização. Produtos, sistemas eletrônicos e equipamentos serão definidos conforme as necessidades de cada mercado, reduzindo a quantidade de adaptações realizadas depois que o desenvolvimento estiver concluído.
A fabricante também executa um programa de redução de custos e preservação de caixa estimado em 18 bilhões de coroas suecas. A meta é dobrar sua participação de mercado e elevar a margem operacional para mais de 8% até 2030, ante 3,5% em 2025.
A Volvo possui operação consolidada no Brasil, com uma gama formada principalmente por SUVs eletrificados. Entretanto, a empresa não informou quais dos 13 futuros modelos serão vendidos no mercado nacional.
Volvo prevê 13 novos modelos até 2030 e maior compartilhamento com a Geely
Europa discute limitar híbridos plug-in produzidos na China
A União Europeia procura negociar com a China uma limitação voluntária às exportações de híbridos produzidos no país asiático, segundo informações publicadas pelo Financial Times e repercutidas pela Reuters.
A proposta estabeleceria como referência uma participação máxima de 15% no mercado europeu. Caso não seja alcançado um acordo, autoridades poderão estudar tarifas adicionais ou outras medidas comerciais.
Não existe uma decisão aprovada. A negociação permanece em andamento e poderá sofrer alterações antes de qualquer aplicação prática.
Os automóveis elétricos chineses já enfrentam tarifas adicionais na União Europeia, criadas após uma investigação sobre os subsídios concedidos às fabricantes. Os híbridos plug-in, porém, não foram incluídos inicialmente nessas alíquotas específicas.
Essa diferença incentivou empresas chinesas a ampliar sua oferta de híbridos na região. Os modelos conseguem atender consumidores que ainda não desejam depender exclusivamente da infraestrutura de recarga e, ao mesmo tempo, escapam das tarifas adicionais aplicadas aos elétricos.
O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, defendeu publicamente que as medidas sejam estendidas aos híbridos plug-in chineses. Ele também pediu regras mais rígidas de conteúdo local para proteger empregos e investimentos industriais europeus.
Uma eventual restrição poderá acelerar a construção de fábricas chinesas no continente ou a formação de parcerias com grupos locais. Como consequência possível, fabricantes também poderão direcionar mais produtos para América Latina, Oriente Médio e outros mercados, mas esse efeito ainda é uma inferência editorial.
Seal U DM-i exemplifica a expansão dos híbridos plug-in chineses na Europa
Leapmotor e FAW desenvolverão baterias e sistemas híbridos
A Leapmotor pretende participar como investidora estratégica de uma rodada de financiamento da Qixin Power, subsidiária de sistemas de propulsão pertencente ao grupo estatal chinês FAW.
A carta de intenção foi assinada em Huzhou, na província de Zhejiang. O valor do possível investimento e a participação que poderá ser adquirida não foram divulgados.
As empresas estudarão o compartilhamento de recursos e o desenvolvimento de motores híbridos, sistemas de tração elétrica e extensores de autonomia. A documentação ainda é preliminar e não equivale à conclusão do investimento.
Paralelamente, a Leapmotor e a divisão de baterias da FAW assinaram um acordo tecnológico. A cooperação abrangerá células totalmente sólidas, baterias de manganês ricas em lítio, tecnologia de sódio e pacotes de fosfato de ferro-lítio com recarga ultrarrápida.
A parceria amplia uma relação iniciada em 2025, quando a Leapmotor concordou em fornecer uma plataforma elétrica para um futuro modelo da Hongqi, marca de maior valor agregado da FAW destinada também aos mercados internacionais.
No Brasil, a Leapmotor comercializa os SUVs B10 e C10 por meio da Stellantis. O grupo também confirmou a futura produção dos dois modelos no Polo Automotivo de Goiana (PE) e o desenvolvimento de uma tecnologia elétrica de alcance estendido compatível com etanol.
Não foi anunciado efeito direto do novo acordo sobre os veículos brasileiros. A cooperação, contudo, poderá ampliar o conjunto de baterias e sistemas de propulsão disponíveis à Leapmotor durante sua expansão internacional.
Leapmotor amplia a cooperação com a FAW em baterias e sistemas de propulsão
Volkswagen ainda avalia o futuro da Seat depois de 2030
A Volkswagen informou que continua avaliando diferentes possibilidades para a Seat depois do atual ciclo de produtos, que se estende até 2030.
A marca espanhola não apresenta um modelo inteiramente novo desde 2020 e ainda não possui um automóvel elétrico próprio. Em 2025, respondeu por menos de 3% das entregas mundiais do Grupo Volkswagen.
No mesmo período, a Cupra superou a Seat em vendas anuais e assumiu uma parcela crescente dos investimentos destinados a novos produtos. A marca já oferece três veículos elétricos e deverá receber outros projetos durante a próxima década.
Fontes ouvidas pela Reuters indicaram que futuros automóveis deverão ser concentrados na Cupra à medida que os atuais modelos a combustão da Seat chegarem ao fim de seus ciclos. Analistas consideram provável uma retirada gradual, mas a Volkswagen não anunciou o encerramento da marca.
O grupo afirma que diferentes cenários permanecem em análise. A Seat também possui atividades de mobilidade e pode assumir outras funções mesmo que deixe de receber novos automóveis.
A marca não possui uma operação comercial relevante no Brasil. O caso interessa por mostrar como os grupos tradicionais estão reduzindo sobreposições e concentrando investimentos nas divisões consideradas mais adequadas à eletrificação e à competição com fabricantes chinesas.
Seat Ibiza integra a gama atual da marca espanhola
Tesla instalará recarga pública para caminhões elétricos
A Tesla operará estações públicas de recarga em três novos centros para caminhões elétricos da Forum Mobility na Califórnia, nos Estados Unidos.
As instalações acrescentarão conjuntamente 30 MW de capacidade. Elas utilizarão o padrão Megawatt Charging System da Tesla e também terão conectores CCS, permitindo atender veículos comerciais de diferentes fabricantes.
Os centros contarão com corredores que permitem a passagem dos caminhões sem a necessidade de desconectar os semirreboques. Essa configuração reduz manobras e facilita a utilização por frotas durante operações logísticas.
As novas estações serão instaladas em Ontario e Oakland. A Tesla também adicionou dois carregadores ao centro FM Harbor, localizado próximo ao Porto de Long Beach e em funcionamento desde dezembro de 2024.
Outra unidade em Rancho Dominguez já recebeu compromissos relacionados a mais de 330 unidades do Tesla Semi. A infraestrutura também será disponibilizada a outros clientes comerciais.
Não existe operação anunciada do Tesla Semi no Brasil. O projeto norte-americano demonstra, entretanto, que a eletrificação de caminhões dependerá de centros públicos de alta potência, compatibilidade entre marcas e instalações que respeitem as dimensões dos conjuntos rodoviários.
Resumo
Os destaques desta edição reforçam a aproximação entre tecnologia e reorganização industrial. Maior autonomia e baterias avançadas continuam importantes, mas preço, escala, alianças, tarifas e compartilhamento de componentes determinam quais soluções conseguem chegar a novos mercados.
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