Toyota estuda híbridos em série feitos na China, e projeto brasileiro tenta reduzir a dependência global de terras raras chinesas
César Tizo - setembro 20, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Toyota prepara sua entrada no segmento chinês de veículos híbridos em série, segundo informações publicadas pelo Nikkei Asia. A produção começaria em abril de 2027 e poderia alcançar aproximadamente 400 mil unidades durante 2028.
No Brasil, um projeto de mineração de terras raras em Minas Gerais tenta ocupar parte de um mercado atualmente dominado pela China. A empresa responsável pretende iniciar a produção no fim de 2028 e alcançar o equivalente a 5% da oferta mundial.
A edição acompanha ainda o plano internacional da Dongfeng, que prevê 50 bilhões de yuans em investimentos, e dois novos SUVs desenvolvidos dentro do ecossistema automotivo da Huawei.
A Toyota pretende iniciar em abril de 2027 a produção chinesa de veículos híbridos em série de autonomia estendida, segundo uma reportagem do Nikkei Asia repercutida pelo CnEVPost.
A informação ainda não foi confirmada oficialmente pela fabricante. Modelo, bateria, motor a combustão, potência, autonomia, preço e fábrica envolvida não foram divulgados.
Nesse tipo de sistema, amplamente utilizado pela Leapmotor, por exemplo, somente os motores elétricos movimentam as rodas. O propulsor a combustão funciona apenas como gerador, permitindo continuar a viagem depois que a energia inicialmente armazenada na bateria se esgota.
O funcionamento é diferente daquele dos híbridos convencionais da Toyota, em paralelo, nos quais o motor a combustão também pode transmitir força diretamente às rodas. Também se distingue dos elétricos puros, pois o motorista pode reabastecer o veículo quando não houver um carregador disponível.
A produção começaria com algumas centenas de unidades mensais e seria acelerada para aproximadamente 200 mil veículos ao longo de 2027. A projeção para 2028 chega a cerca de 400 mil unidades.
A estratégia procura ampliar as alternativas da Toyota no competitivo mercado chinês sem entrar exclusivamente na disputa de preços dos automóveis elétricos. Entretanto, os próprios híbridos em série enfrentam desaceleração.
As vendas chinesas da categoria somaram 616 mil unidades entre janeiro e agosto de 2026, retração de 15,85% sobre o mesmo período do ano anterior. Em agosto, esses modelos representaram 8,06% das vendas de veículos eletrificados no varejo, ante 9,08% um ano antes.
Não existe indicação de que os futuros modelos serão exportados ou oferecidos no Brasil. A Toyota possui uma operação brasileira concentrada em híbridos flex, mas não anunciou um veículo nacional com tração exclusivamente elétrica e motor a combustão utilizado como gerador.

A mineradora Viridis Mining and Minerals abriu uma unidade de demonstração em Minas Gerais para desenvolver a produção de terras raras destinadas, entre outras aplicações, à indústria automotiva.
Esses elementos são empregados na fabricação de ímãs permanentes utilizados em motores elétricos, sistemas eletrônicos e outros componentes. A concentração do processamento na China tornou o fornecimento uma questão estratégica para fabricantes e governos.
Segundo o executivo Rafael Moreno, a Viridis pretende começar a produção comercial no fim de 2028. A meta declarada é alcançar uma participação equivalente a aproximadamente 5% do mercado mundial de terras raras.
O projeto brasileiro deverá produzir um material intermediário, posteriormente separado e processado para isolar os diferentes elementos. A empresa trabalha com a francesa Solvay em uma possível cadeia de processamento destinada ao mercado europeu.
A China controla entre 80% e 90% das matérias-primas e dos produtos processados relacionados às terras raras, segundo as estimativas mencionadas na reportagem do jornal The Guardian.
Restrições chinesas às exportações afetaram fabricantes de automóveis na Europa, nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão a partir de 2025. A possibilidade de novas limitações mantém montadoras e fornecedores em busca de fontes alternativas.
O projeto ainda precisa avançar da demonstração para a escala comercial. Não foram divulgados contratos firmes de fornecimento com fabricantes de automóveis, volumes anuais detalhados ou o investimento total necessário para alcançar a participação pretendida.

A Dongfeng anunciou um plano de expansão internacional que prevê um investimento acumulado de 50 bilhões de yuans nos mercados externos.
A fabricante pretende lançar mais de 50 modelos fora da China, construir dez grandes bases internacionais de produção e instalar cinco centros de pesquisa e desenvolvimento.
A meta é alcançar vendas de 1,5 milhão de veículos no exterior em 2030. A companhia, porém, não informou quais países receberão as fábricas e os centros de engenharia nem apresentou um cronograma para cada investimento.
O programa faz parte de um planejamento mais amplo que estabelece uma meta global de 5 milhões de veículos em 2030. Os modelos eletrificados deverão representar mais de 70% desse volume.
A Dongfeng também levará seu robô humanoide Xiaodong às fábricas em outubro. A primeira aplicação envolverá separação de materiais e inspeção de qualidade.
Uma produção experimental em pequenos lotes deverá começar no fim de 2026. A empresa pretende aproximar a capacidade operacional do robô à de trabalhadores humanos até o término de 2027, mas essa meta ainda precisará ser validada em condições industriais contínuas.
O planejamento internacional poderá ampliar a presença de produtos chineses em regiões como América Latina, Europa, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Aqui no Brasil, a Dongfeng já opera sob a designação DFM e comercializa inicialmente os modelos Box e Vigo.

A Epicland lançará em 24 de setembro o X9, primeiro modelo da marca criada em colaboração pela Dongfeng e pela Huawei.
O X9 é um SUV de seis lugares distribuídos em três fileiras. A pré-venda chinesa começou com preços entre 299.800 e 379.800 yuans.
Segundo a marca, mais de 20 mil reservas foram registradas nas primeiras 24 horas. O número representa manifestações iniciais de interesse e não deve ser interpretado como vendas concluídas ou veículos já entregues.
O SUV mede 5.301 mm de comprimento, 2.015 mm de largura e 1.820 mm de altura, com 3.120 mm de distância entre-eixos.
O conjunto híbrido em série utiliza uma bateria de 74 kWh. A fabricante declara até 465 km de autonomia elétrica e alcance combinado superior a 1.500 km, mas o ciclo empregado nesses cálculos não foi identificado na fonte consultada.
Todas as versões terão o sistema de assistência Huawei Qiankun ADS 5, com um LiDAR de dupla trajetória óptica e três sensores LiDAR de estado sólido. As funções continuam classificadas como assistência e não eliminam a responsabilidade do motorista.
O X9 também possui suspensão a ar com câmaras duplas e esterçamento das rodas traseiras em até 14 graus. O raio de giro declarado é de 5,3 m, apesar das dimensões externas do veículo.
A Epicland planeja operar mais de 300 lojas em 79 cidades chinesas. Não foi anunciada a exportação do X9 ou a entrada da marca no mercado brasileiro.

A Luxeed, marca desenvolvida pela Huawei em parceria com a Chery, acrescentou uma configuração de entrada ao SUV elétrico RX.
A nova versão possui bateria de 81 kWh e preço antecipado de 269.800 yuans. O valor é 30 mil yuans, ou 10%, inferior ao preço inicial das configurações anteriormente apresentadas com bateria de 100 kWh.
O RX mede 5.020 mm de comprimento, 2.007 mm de largura e 1.585 mm de altura, com 3.000 mm de distância entre-eixos. A gama terá versões com motor traseiro e configurações de tração integral com dois motores.
O SUV utiliza uma nova geração do sistema elétrico da Huawei e possui 38 sensores. A relação inclui um LiDAR de 896 canais e três unidades LiDAR de estado sólido.
Uma das versões possui arquitetura eletrônica apresentada como preparada para condução de nível 3. Essa descrição não significa que o automóvel já possa funcionar comercialmente sem supervisão, pois a utilização dependerá da homologação, dos programas ativados e das regras de cada região.
A família RX alcança até 852 km de autonomia pelo ciclo chinês CLTC com uma das configurações disponíveis. A autonomia específica da nova opção de 81 kWh não foi informada no anúncio.
A ligação da Luxeed com a Chery não representa uma confirmação de que o veículo ou suas tecnologias serão oferecidos pela CAOA Chery no Brasil. O lançamento comercial chinês está previsto para o outono do Hemisfério Norte.
Os movimentos desta edição mostram como a eletrificação modifica simultaneamente produtos, matérias-primas e estratégias industriais. As fabricantes procuram novos sistemas de propulsão e parcerias tecnológicas, enquanto países e fornecedores disputam os minerais necessários para sustentar essa expansão.




