Carros pelo Mundo | Toyota vai modernizar fábricas; BYD anuncia recall de 183 mil carros na China
Toyota calcula o custo da automação fabril, e BYD convoca modelos Qin e Tang por falha relacionada ao pedal de freio
César Tizo - setembro 18, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Toyota calcula que a modernização das fábricas do grupo e de seus principais fornecedores poderá exigir 400 mil robôs. O investimento potencial, que ainda não representa um orçamento aprovado, chegaria ao equivalente a US$ 6,4 bilhões por ano, mais de R$ 30 bilhões, a partir de 2028.
Na China, a BYD convocará 183.211 automóveis das famílias Qin e Tang para substituir gratuitamente um componente relacionado ao pedal de freio. O defeito não impede diretamente a frenagem, mas pode manter as luzes traseiras acesas mesmo depois que o motorista solta o pedal.
A edição acompanha ainda os planos da Xpeng para licenciar tecnologias a outras fabricantes, a criação de uma frota europeia de 25 mil robotáxis e uma parceria entre CATL e DHL para eletrificar o transporte rodoviário.
Toyota calcula necessidade de 400 mil robôs nas fábricas
A Toyota estima que a modernização de suas fábricas, empresas controladas e principais fornecedores poderá exigir aproximadamente 400 mil robôs.
O investimento necessário seria de até 1 trilhão de ienes por ano, cerca de US$ 6,4 bilhões (R$ 32 bilhões), a partir de 2028. A fabricante não confirmou que esse valor será efetivamente aplicado nem informou por quantos anos o programa poderia continuar.
A projeção contempla tanto a substituição de equipamentos existentes quanto a instalação de novos sistemas. A relação inclui robôs industriais convencionais, veículos automatizados para logística interna e máquinas humanoides.
A empresa também estuda formas de colaboração entre pessoas e robôs dentro das linhas de produção. O objetivo é reduzir custos, modernizar instalações antigas e compensar a falta de trabalhadores em determinadas funções.
O volume de 400 mil unidades não representa somente máquinas destinadas às fábricas da Toyota. O cálculo reúne necessidades do próprio grupo e de grandes fornecedores que participam de sua cadeia industrial.
A iniciativa acompanha um movimento de outras fabricantes. A Hyundai pretende utilizar robôs humanoides Atlas, desenvolvidos pela Boston Dynamics, em sua fábrica no estado norte-americano da Geórgia a partir de 2028.
A Toyota não anunciou investimentos equivalentes em suas unidades brasileiras. Entretanto, processos validados globalmente poderão ser gradualmente aplicados em fábricas de diferentes regiões, especialmente nas áreas de movimentação de componentes, inspeção e ergonomia.
Robô colaborativo em aplicação industrial apresentada pela Toyota, em foto de arquivo
BYD fará recall de 183.211 carros na China
A BYD convocará 183.211 veículos das famílias Qin e Tang produzidos entre 2014 e 2022. O recall foi anunciado pela Administração Estatal de Regulação do Mercado da China.
A campanha envolve um componente de retenção do pedal de freio que pode rachar ou se soltar com o passar do tempo. Em situações extremas, a falha pode fazer com que as luzes de freio permaneçam acesas quando o pedal não estiver sendo pressionado.
Essa condição poderá transmitir uma informação incorreta aos demais motoristas e aumentar o risco de colisões. O comunicado não indica perda da capacidade de frenagem do automóvel.
A BYD substituirá gratuitamente o componente nas concessionárias autorizadas. A reportagem consultada não detalha como os proprietários serão distribuídos entre as diferentes configurações das famílias Qin e Tang.
A campanha foi anunciada para o mercado chinês. Não existe indicação de unidades comercializadas no Brasil envolvidas nessa convocação.
A Nio também realizará um recall separado de 686 unidades da marca Firefly. Nesse caso, um defeito no chicote elétrico do sistema de direção poderá provocar a perda da assistência.
As unidades serão inspecionadas, e o chicote será substituído gratuitamente quando necessário. A Firefly não possui operação comercial oficial no mercado brasileiro.
Famílias Qin e Tang estão envolvidas no recall anunciado na China; imagem ilustrativa do Tan EV vendido no Brasil
Xpeng quer vender chips, programas e plataformas a outras montadoras
A Xpeng pretende oferecer tecnologias automotivas a fabricantes estrangeiras além da Volkswagen, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters.
A empresa poderá licenciar sua arquitetura elétrica e eletrônica, sistemas de cabine, processadores Turing para inteligência artificial e programas avançados de assistência à condução.
A oferta também poderá incluir soluções para robotáxis, robôs humanoides e outras aplicações de inteligência artificial no mundo físico. No caso dos robotáxis, a Xpeng considera fornecer tanto a tecnologia quanto os sistemas necessários para a operação das frotas.
A fabricante criou há aproximadamente seis meses uma equipe dedicada à comercialização dessas soluções. Os nomes dos possíveis clientes não foram divulgados, e não existe confirmação de novos contratos.
O modelo segue a parceria iniciada com a Volkswagen em 2023. Na ocasião, o grupo alemão adquiriu 4,99% da Xpeng por aproximadamente US$ 700 milhões.
O primeiro veículo desenvolvido conjuntamente é o ID.UNYX 08, SUV elétrico que utiliza soluções chinesas de cabine, assistência à condução e processamento. Sua produção em série começou em março de 2026, 24 meses depois do início da colaboração.
O fornecimento de tecnologia também se tornou uma fonte de receita com margens superiores às obtidas na venda de automóveis. No segundo trimestre, a margem do segmento de serviços e outras atividades da Xpeng alcançou 75,1%, ante 53,6% um ano antes. A margem dos veículos ficou em 12,1%.
A Xpeng também prepara a expansão internacional do G9L. O SUV será apresentado fora da China durante o Salão de Paris e deverá se tornar o quarto modelo da marca produzido pela Magna na Áustria.
A fabricante não possui operação oficial no Brasil. A estratégia, contudo, mostra que tecnologias chinesas poderão chegar a diferentes mercados integradas aos veículos de marcas tradicionais, mesmo sem a presença direta da empresa responsável pelo desenvolvimento.
Xpeng pretende ampliar o licenciamento de suas tecnologias a outras fabricantes
Lucid e Bolt planejam 25 mil robotáxis na Europa
A Lucid e a plataforma de mobilidade Bolt firmaram uma parceria para colocar pelo menos 25 mil veículos autônomos em circulação nas principais cidades europeias.
Os automóveis serão derivados da futura plataforma intermediária da Lucid e utilizarão a arquitetura Nvidia Hyperion. A Bolt pretende adquirir, administrar e operar a frota.
O projeto está sendo desenvolvido para o nível 4 de automação. Nessa classificação, o veículo pode executar todas as tarefas de condução sem intervenção humana, mas apenas dentro de áreas, velocidades e condições previamente delimitadas.
A divisão de condução autônoma da Bolt participará da definição dos requisitos de segurança, dos sistemas operacionais, da infraestrutura de apoio e da experiência oferecida aos passageiros.
As empresas ainda precisarão trabalhar com autoridades, governos municipais e fornecedores de tecnologia. Cidades, cronograma de implantação e investimentos necessários não foram detalhados.
A meta de longo prazo da Bolt é operar 100 mil veículos autônomos até 2035. A empresa também mantém projetos com Stellantis e Pony.ai na Europa.
A Lucid possui separadamente um acordo com Uber e Nuro para fornecer pelo menos 35 mil robotáxis nos Estados Unidos. Esse programa começará com veículos baseados no SUV elétrico Gravity.
Nenhuma das duas operações abrange o Brasil. Os projetos europeus são relevantes por testar modelos de homologação, fiscalização e responsabilidade que poderão servir de referência para outros mercados.
Lucid e Bolt divulgaram a parceria para uma frota autônoma na Europa
CATL e DHL estudam corredores para caminhões elétricos
A CATL e a DHL assinaram um memorando para ampliar a cooperação na eletrificação do transporte rodoviário europeu.
As empresas pretendem identificar corredores logísticos adequados, envolver fabricantes de caminhões e testar soluções de recarga estacionária, carregadores móveis e troca automatizada de baterias.
A proposta é desenvolver uma metodologia que possa ser repetida em diferentes rotas, superando projetos isolados e conectando veículos, infraestrutura, armazenamento de energia e operação logística.
A rede de parceiros poderá incluir a Quibo Energy, especializada em estações móveis de alta potência, a FleetBoost, que desenvolve sistemas combinados de recarga e armazenamento, e a Swaptopus, joint venture formada por CATL e Octopus Energy.
O documento não estabelece número de estações, investimento, rotas definitivas ou data para o início das operações. Trata-se de uma estrutura de cooperação, ainda dependente de projetos específicos.
A DHL pretende alcançar emissões líquidas zero em suas atividades logísticas até 2050. Para a CATL, o acordo cria uma oportunidade de demonstrar na Europa sistemas já utilizados ou testados em caminhões chineses.
Nenhuma iniciativa equivalente foi anunciada no Brasil. A experiência poderá oferecer referências para corredores nacionais de transporte elétrico, nos quais disponibilidade de energia, tempo de recarga e peso das baterias representam desafios importantes.
Resumo
Os movimentos desta edição mostram que a transformação da indústria vai além do automóvel. Robôs nas fábricas, programas licenciados, infraestrutura logística e frotas autônomas tornam-se componentes tão estratégicos quanto motores e baterias.
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