Edição reúne o marco do Geely EX2, novidades de baterias da Chery e CATL, a parceria com a Huawei, o City malaio e os pedidos do Avenger
César Tizo - outubro 20, 2026

As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A indústria chinesa concentra quatro das seis notícias desta edição: o marco de produção do Geely EX2, a parceria entre Huawei e CATL, o cronograma da bateria sólida da Chery e uma nova solução de baterias para caminhões. Na Malásia, a Honda começou a vender o City Hatchback renovado, inclusive híbrido. A Jeep também divulgou um novo balanço de pedidos do Avenger.
Conhecido na China como Xingyuan, o Geely EX2 chegou nesta terça-feira (20) a 1 milhão de unidades produzidas. O resultado foi anunciado pela Geely Galaxy e inclui carros destinados à exportação. Portanto, o número se refere à produção acumulada, não a 1 milhão de veículos vendidos ou entregues aos consumidores.
O compacto elétrico estreou no mercado chinês em outubro de 2024 e atingiu a marca em cerca de dois anos. A escala chama atenção também pelo interesse brasileiro no modelo, que já integra a oferta local da Geely e participa de segmentos de venda direta, como mostrou o Guru dos Carros.

O marco industrial reforça o alcance de um produto que saiu da China para disputar compradores em outros mercados. Não há, nesse anúncio, mudança de preço, equipamentos ou versão para o Brasil.
A Huawei, por meio da Yinwang, firmou em 19 de outubro uma parceria com a CATL e a CAES, empresa do grupo voltada à troca de baterias. O acordo foi assinado em Ningde, na China, e busca integrar os recursos de condução automatizada ao ecossistema Choco-Swap.
A proposta vai além de substituir o conjunto de baterias. As empresas pretendem conectar veículo, estação e serviços em nuvem para identificar a necessidade de reposição de energia, encontrar uma unidade compatível e coordenar o deslocamento, o posicionamento do carro e a saída após o atendimento.
A troca física das baterias pode reduzir o tempo em que o veículo fica parado para recuperar autonomia, mas depende de uma rede específica e de modelos preparados para esse procedimento. O acordo representa uma frente de desenvolvimento, não a confirmação de que todos os carros com tecnologia Huawei poderão utilizar as estações da CATL.
As empresas não apresentaram no comunicado uma lista de modelos ou uma data para disponibilizar o serviço ao consumidor. Também não há anúncio de implantação dessa parceria no Brasil.

A Honda lançou o City Hatchback renovado na Malásia em 19 de outubro. O mercado passa a contar com as versões V, por 95.900 ringgits, RS a gasolina, por 100.900 ringgits, e e:HEV RS híbrida, por 112.900 ringgits. Os preços divulgados não incluem seguro; o bônus de lançamento de 4.000 ringgits é uma condição separada da tabela.
O interesse está na composição da gama local, que combina as alterações de apresentação com a alternativa híbrida. No Brasil, a Honda já apresentou a linha City 2027 com novo visual e versão RS, mas preservou o motor 1.5 flex. O lançamento malaio não anuncia uma mudança na motorização brasileira.

Na Malásia, a lista inclui faróis Bi-LED, rodas aro 16 e central multimídia de 10 polegadas. O monitoramento de ponto cego e o alerta de tráfego cruzado aparecem nas três versões, ao lado do Honda Sensing e da câmera lateral LaneWatch. As RS acrescentam visão de 360 graus, enquanto o carregador de celular por indução fica restrito à híbrida.
Para o conjunto e:HEV, a fabricante informa 109 cv e 25,8 kgfm. A configuração também se diferencia pelo quadro de instrumentos com indicações do funcionamento elétrico. Equipamentos e preços são os do mercado malaio e não devem ser transpostos para as versões vendidas aqui.

A Chery apresentou nesta terça-feira (20), durante sua conferência global de inovação, um novo cronograma para a bateria sólida Rhinoceros S. Segundo a cobertura presencial do IT Home, a linha-piloto deverá entrar em operação em 2027.
A fabricante informa densidade energética de 400 Wh/kg. O indicador expressa a quantidade de energia armazenada em relação à massa, mas não permite determinar sozinho a autonomia de um automóvel.
A empresa reconheceu que ainda precisa superar desafios relacionados às interfaces entre materiais, à integração do conjunto e ao gerenciamento eletrônico. A passagem do laboratório à comercialização em grande escala permanece em desenvolvimento.
O anúncio exige distinguir três etapas: funcionamento de uma linha-piloto, validação em veículos e produção comercial. O prazo de 2027 apresentado nesta ocasião não equivale à confirmação de carros disponíveis nas concessionárias naquele ano.
A família Rhinoceros também reúne baterias com eletrólito líquido. Para essas células, a Chery divulga recarga com pico de 12 C, informação que não deve ser transferida automaticamente à bateria sólida.
Não foram anunciados modelos brasileiros equipados com a Rhinoceros S. A presença da Chery no país torna o programa relevante para acompanhar sua evolução tecnológica, mas não confirma aplicação nos veículos da CAOA Chery.
A CATL apresentou nesta terça-feira (20), em Pequim, uma solução para caminhões pesados que utiliza dois sistemas de bateria complementares, segundo a cobertura da imprensa chinesa. Apesar do nome comercial traduzido como “extensor de autonomia elétrico”, o conjunto não depende de um motor a combustão para gerar energia.
A arquitetura combina uma bateria principal substituível, com opções de 432 kWh ou 513 kWh, e um conjunto fixo de 77 kWh. A bateria menor permanece no veículo e fornece energia de apoio quando necessário.
A proposta procura reduzir as limitações operacionais durante o uso da bateria principal e integrar o caminhão à rede de troca Qiji. A fabricante informa capacidade de substituição do conjunto em aproximadamente cinco minutos, em instalações compatíveis.
O plano prevê 900 estações de troca para caminhões até o fim de 2026 e 2 mil em 2027. Esses números são metas de expansão, não a quantidade de unidades já disponíveis.
A CATL também anunciou compromissos iniciais relacionados a 13 mil veículos. O volume não deve ser interpretado como caminhões já entregues.
Nenhuma implantação brasileira foi anunciada. A solução interessa ao transporte rodoviário por combinar redução do tempo de parada com diferentes formas de contratação das baterias, embora sua viabilidade dependa de uma rede específica de estações e de veículos projetados para utilizá-la.

A Jeep informou nesta terça-feira (20) que o Avenger atingiu 300 mil pedidos na Europa desde o lançamento, em 2023. O balanço internacional reforça o papel do SUV compacto na expansão da marca, que destaca sua presença em mais de 70 mercados.
Outro dado é o peso da eletrificação: segundo a empresa, essas versões representam aproximadamente 60% das vendas do modelo.
Por aqui, o Jeep Avenger é fabricado em Porto Real (RJ) e conta apenas com propulsão micro-híbrida em suas três versões principais.
Os seis assuntos mostram caminhos diferentes para ampliar a presença internacional das fabricantes: escala de produção, desenvolvimento de baterias, infraestrutura para elétricos, variedade de propulsão e expansão comercial. Para o consumidor brasileiro, o acompanhamento ajuda a distinguir o que já faz parte do mercado local daquilo que ainda está restrito a outros países.




