Brasil prepara planos para reduzir dependência de combustíveis fósseis e ampliar eletromobilidade
CNPE prepara Mapa do Caminho e cria grupo para estratégia de eletromobilidade, com foco em recarga, baterias e indústria
César Tizo - novembro 7, 2026
O Brasil terá um plano nacional para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis. Na sexta-feira (6), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou 18 diretrizes para orientar a elaboração do chamado Mapa do Caminho Nacional, que deverá reunir propostas para a transição energética.
O documento ainda será construído por um grupo interministerial, com estudos técnicos e consulta pública. A proposta é conciliar a redução do uso de fontes fósseis com a segurança do abastecimento, a competitividade da economia e os impactos sobre empregos e receitas públicas.
Plano deverá orientar a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis – Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Plano tem prazo de elaboração
Segundo o comunicado do governo, um grupo interministerial coordenado pelo Ministério de Minas e Energia terá 270 dias, contados da designação de seus integrantes, para elaborar o mapa. O período poderá ser prorrogado por mais 90 dias.
As 18 diretrizes abrangem segurança do abastecimento, preços da energia, empregos, receitas públicas, infraestrutura e incentivos. Haverá consulta pública. O grupo também avaliará financiamento, inclusive a possibilidade de criar um Fundo para a Transição Energética, ainda em estudo.
Recarga, baterias e transporte pesado entram no planejamento
Na mesma sexta-feira (6), o CNPE aprovou a criação de outro grupo, também coordenado pelo MME, para subsidiar a Estratégia Nacional de Eletromobilidade. Segundo o comunicado do ministério, o prazo previsto é de 120 dias, prorrogável por igual período. A entrega será um relatório ao conselho, com diagnóstico, propostas de diretrizes e recomendações regulatórias e de governança.
A agenda inclui expansão da recarga, integração dos carregadores às redes elétricas e aos recursos energéticos distribuídos, sustentabilidade dos minerais usados nas baterias e fortalecimento da indústria nacional. Também deverá incorporar ao planejamento energético o consumo adicional dos transportes.
O trabalho terá cinco frentes: infraestrutura e redes inteligentes; indústria, minerais críticos e baterias; emissões ao longo do ciclo de vida; veículos pesados e mobilidade urbana; e políticas de mobilidade sustentável já existentes.
O grupo de eletromobilidade tem atribuições e prazo próprios, diferentes dos previstos para o Mapa do Caminho. A estratégia ainda será formulada: o anúncio não define quantidade de novos eletropostos, subsídios à compra ou obrigações para proprietários de veículos.
Biocombustíveis e eletrificação podem coexistir
Reduzir o uso de derivados de petróleo pode envolver mais de uma tecnologia. Nos carros flex, o etanol permite diminuir o consumo de gasolina sem substituir o veículo por um elétrico. Nos modelos 100% elétricos a bateria e nos híbridos plug-in, a recarga externa permite utilizar eletricidade da rede para a locomoção.
A diferença aparece em produtos que já estão no mercado. A VW Saveiro movida exclusivamente a etanol, por exemplo, conserva o motor a combustão, mas utiliza um biocombustível. Isso não a torna um veículo sem emissões: a avaliação ambiental precisa considerar também produção, transporte e uso da energia.
Os híbridos combinam motor elétrico e motor a combustão, mas nem todos se conectam à tomada. Os convencionais recarregam a bateria durante o funcionamento do próprio veículo, inclusive pela recuperação de energia nas desacelerações. Nos plug-in, a recarga externa também faz parte do uso. O potencial de reduzir o consumo de combustível depende do projeto e da utilização.
Metas ainda precisam ganhar forma
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse em entrevista coletiva, segundo a Agência Estado, que o governo pretende levar uma versão final do mapa à COP32, em 2027. A declaração expressa uma expectativa de apresentação, não um prazo para abandonar gasolina e diesel.
Em manifestação publicada na sexta-feira, o Greenpeace considerou as diretrizes bem-vindas, mas vagas, e cobrou metas e prazos claros. A organização também pediu participação social e redução progressiva de subsídios aos fósseis.
Para o setor automotivo, o próximo passo relevante será conhecer as propostas concretas: quais tecnologias receberão incentivo, como a infraestrutura será adaptada e quais custos chegarão a fabricantes e consumidores. É nesse detalhamento que a estratégia poderá começar a mudar a rotina de quem dirige.
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