Changan terá nova geração de híbridos capazes de superar 33 km/l na cidade
Nova plataforma faz parte da estratégia global da marca para conquistar compradores que ainda preferem veículos a combustão
César Tizo - março 12, 2026
A Changan apresentou oficialmente sua nova geração de tecnologia híbrida batizada de Blue Core Super Engine, uma arquitetura desenvolvida para ampliar a eficiência energética de veículos equipados com motor a combustão aliado à eletrificação. O sistema tem como meta alcançar consumo urbano de 2,98 l/100 km, o equivalente a pouco mais de 33 km/l, número que rivaliza com alguns dos híbridos mais eficientes do mercado global.
A novidade é resultado de um programa de desenvolvimento de seis anos conduzido por aproximadamente 1.000 engenheiros, que gerou 163 avanços técnicos envolvendo hardware e software do conjunto motriz. Para viabilizar o projeto, a montadora estatal chinesa investiu 2 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 291 milhões) em um laboratório dedicado ao desenvolvimento da nova arquitetura.
Segundo a fabricante, a proposta da plataforma é servir como uma tecnologia de transição para consumidores que desejam níveis de eficiência semelhantes aos de um veículo elétrico, mas ainda sem depender de infraestrutura de recarga externa. Nesse sentido, o sistema privilegia o uso do motor elétrico como principal fonte de propulsão, deixando o motor a combustão em segundo plano, sobretudo em situações de baixa velocidade e trânsito urbano.
Eficiência no uso urbano
A nova geração do sistema Blue Core evolui sobre tecnologias anteriores da Changan, incluindo os motores com injeção direta de até 500 bar, introduzidos pela empresa em 2024. O conceito adotado pela marca combina motor térmico e elétrico em uma estratégia que prioriza a eficiência energética no tráfego de anda e para, cenário em que os motores convencionais costumam apresentar maior desperdício de combustível.
De acordo com a montadora, o conjunto foi calibrado para oferecer alto torque imediato e funcionamento mais silencioso, características que buscam aproximar a experiência de condução à de um veículo elétrico.
Para validar a durabilidade do sistema, a empresa realizou 2 milhões de quilômetros de testes em estrada, incluindo avaliações em 70 tipos diferentes de superfície ao redor do mundo.
Estratégia global da marca
A nova tecnologia faz parte da estratégia global da Changan, que pretende alcançar 750 mil vendas no exterior em 2026. O desenvolvimento da plataforma contou com participação relevante do centro de pesquisa da empresa no Reino Unido, localizado em Birmingham, para garantir compatibilidade com padrões internacionais.
Entre os principais movimentos previstos para expansão internacional estão:
Hub na Tailândia: produção em Rayong de veículos com volante à direita para mercados como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Reino Unido.
Expansão europeia: após criar uma subsidiária em Munique em 2025, a empresa planeja lançar os novos híbridos em países como Alemanha, Noruega e Reino Unido.
Testes globais: a temporada de validação de 2026 inclui avaliações em regiões de clima extremo, como os Alpes europeus e áreas do Sudeste Asiático.
Híbridos cada vez mais eficientes
Mesmo com a meta de 33,6 km/l, a nova tecnologia da Changan chega a um cenário competitivo. Rivais chinesas já divulgam números ainda mais baixos de consumo em seus sistemas híbridos, como a BYD, com a geração DM-i 5.0, e a Geely, com o conjunto NordThor EM-i, que alegam médias próximas de 38 km/l no ciclo equivalente.
Ainda assim, a nova plataforma surge como uma resposta estratégica da Changan para manter competitivas suas linhas de SUVs e sedãs, como as famílias UNI e CS, que enfrentam forte pressão de preço no mercado chinês.
Tecnologia pode ter espaço no Brasil
Embora não haja confirmação sobre a aplicação do novo sistema em modelos destinados ao mercado brasileiro, a tecnologia chama atenção pelo nível de eficiência prometido. No país, a fabricante chinesa é representada pela CAOA Changan, que foi apresentada ao público no Salão do Automóvel de São Paulo no fim do ano passado.
Caso a nova arquitetura híbrida seja aplicada em modelos globais da marca, ela poderia se tornar particularmente relevante para mercados como o brasileiro, onde a infraestrutura limitada de recarga favorece soluções híbridas convencionais de elevada eficiência energética. Vamos acompanhar.
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