Ford pode voltar a apostar em sedãs nos EUA após pesquisa indicar forte interesse de jovens
Levantamento com adolescentes revela preferência surpreendente pelo formato tradicional de carroceria
César Tizo - março 12, 2026
Alguns anos após abandonar praticamente todo o segmento de sedãs nos Estados Unidos, a Ford pode reconsiderar sua estratégia. A possibilidade ganhou força após declarações recentes do CEO Jim Farley, que deixou em aberto um eventual retorno da marca a esse tipo de veículo — desta vez possivelmente com foco em modelos elétricos.
A mudança de postura surge em meio a novos dados de mercado que indicam uma possível reviravolta nas preferências das próximas gerações de consumidores. Um estudo recente da consultoria Escalent, intitulado EVForward 2025 Teenagers DeepDive, entrevistou mais de1.000 adolescentes entre 14 e 19 anos para compreender suas expectativas em relação ao automóvel.
Apesar de muitos ainda estarem a alguns anos de realizar sua primeira compra, os resultados mostram que o interesse pelo carro próprio permanece elevado. Segundo o levantamento, 77% afirmam que dirigir é algo muito ou extremamente importante, enquanto 83% pretendem possuir um veículo próprio, em vez de depender do transporte público.
Preferência inesperada pelos sedãs
Um dos dados que mais chamou atenção no estudo foi a preferência pelo formato de carroceria. Entre os entrevistados, 51% disseram imaginar dirigir um sedã no futuro, percentual superior ao observado para SUVs (31%) e picapes (14%).
O resultado contrasta com a realidade atual do mercado norte-americano, onde os SUVs dominam amplamente as vendas. Hoje, esse tipo de veículo responde por cerca de 57% das vendas de automóveis novos nos Estados Unidos, enquanto sedãs e hatchbacks perderam espaço ao longo da última década.
Foi justamente esse cenário que levou a Ford a abandonar a categoria. Alguns anos atrás, a empresa decidiu encerrar a oferta de sedãs no país após Farley revelar que a companhia perdia bilhões de dólares com o segmento, cuja demanda vinha encolhendo diante da ascensão dos utilitários esportivos.
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Possível renascimento da categoria
O interesse demonstrado pelos jovens pode sinalizar uma mudança de tendência no longo prazo. Segundo analistas, fenômenos semelhantes já ocorreram anteriormente na indústria.
Nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, as minivans dominavam como veículo familiar nos Estados Unidos. Entretanto, muitos jovens que cresceram viajando nesse tipo de modelo passaram a preferir crossovers e SUVs quando chegaram à idade de comprar seu próprio carro.
Se o comportamento se repetir, a próxima geração pode buscar alternativas diferentes daquelas escolhidas por seus pais — o que abriria espaço para um eventual renascimento dos sedãs, agora possivelmente com propulsão alternativa.
Nesse contexto, executivos da Ford indicaram que a empresa estuda a possibilidade de desenvolver até dois novos sedãs elétricos, incluindo uma versão com foco em desempenho. Caso o projeto avance, marcaria um retorno simbólico da marca a um segmento que ajudou a consolidar sua presença no mercado norte-americano por décadas.
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