Estudo alerta que Brasil pode perder espaço na indústria automotiva global sem avanço tecnológico
IQA aponta desafios em qualificação profissional, digitalização e competitividade diante da pressão das marcas chinesas
César Tizo - maio 19, 2026
O Brasil corre o risco de perder relevância na nova indústria automotiva global caso não acelere avanços em tecnologia, qualificação profissional e ambiente de negócios. O alerta faz parte do Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028, divulgado nesta segunda-feira pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva.
O levantamento reúne contribuições de 36 entidades e lideranças do setor automotivo, representando aproximadamente 230 mil empresas ligadas à cadeia produtiva e ao pós-vendas no Brasil.
Segundo o estudo, a indústria automotiva brasileira atravessa uma transformação profunda impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, eletrificação, conectividade e digitalização. Nesse novo cenário, o automóvel deixa de ser apenas um produto mecânico e passa a assumir características cada vez mais próximas de uma plataforma tecnológica baseada em software, eletrônica e processamento de dados.
A mudança exige novos padrões de desenvolvimento, validação, engenharia e controle de qualidade em toda a cadeia automotiva.
O estudo também aponta que a crescente presença de montadoras chinesas amplia a pressão competitiva sobre a indústria instalada no País. Segundo os especialistas ouvidos, além da chegada acelerada de novos produtos e tecnologias, o setor brasileiro ainda convive com entraves estruturais históricos, como elevada carga tributária, custos logísticos, insegurança regulatória e restrições de crédito.
O alerta ganha peso pelo tamanho da indústria automotiva nacional. De acordo com o IQA, o setor responde atualmente por cerca de R$ 107 bilhões em arrecadação anual de impostos e sustenta aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos.
Para Cláudio Moysés, presidente do IQA indicado pela Anfavea, a competitividade futura dependerá cada vez mais da capacidade tecnológica e da formação de profissionais qualificados.
“O setor precisa se preparar para uma nova etapa em que a competitividade será determinada pela capacidade tecnológica, formação profissional e confiabilidade sistêmica”, afirma o executivo.
Escassez de mão de obra
Um dos principais gargalos apontados pelo estudo envolve justamente a qualificação profissional. Segundo o IQA, a indústria automotiva passa a demandar cada vez mais especialistas em áreas como software, eletrônica embarcada, inteligência artificial e novas tecnologias de propulsão.
Entretanto, o Brasil ainda enfrenta escassez de profissionais capacitados, currículos considerados defasados e baixa atratividade da indústria automotiva entre os jovens.
Para Alexandre Xavier, diretor-superintendente do instituto, muitos estudantes ainda associam o setor automotivo a uma realidade industrial tradicional, distante das novas fronteiras tecnológicas que atualmente moldam a mobilidade.
Essa percepção acaba dificultando a renovação da mão de obra e a formação da próxima geração de profissionais especializados.
Estratégia multitecnológica no Brasil
Na área ambiental, o estudo aponta que a descarbonização continuará sendo um dos principais vetores da transformação automotiva global. Porém, o IQA avalia que o Brasil possui vantagens competitivas importantes ao poder combinar diferentes soluções tecnológicas.
Entre elas aparecem os biocombustíveis, a eletrificação gradual e as tecnologias híbridas, estratégia considerada mais adequada às características da matriz energética e da infraestrutura nacional.
Segundo o instituto, porém, esse potencial dependerá de avanços regulatórios, desenvolvimento técnico e maior previsibilidade para investimentos no setor.
Criado em 1995, o IQA atua como entidade voltada ao desenvolvimento e disseminação da qualidade no setor da mobilidade, promovendo certificações, treinamentos, estudos técnicos e ensaios laboratoriais ligados à indústria automotiva brasileira.
We use cookies to ensure that we give you the best experience on our website. If you continue to use this site we will assume that you are happy with it.