Carros usados ficam mais caros em 2026; elétricos seguem na contramão e desvalorizam até 50,5%
Índice aponta valorização intensa do mercado de seminovos e usados em 2026; elétricos acumulam desvalorização de até 50,5%
César Tizo - julho 6, 2026
O mercado brasileiro de veículos usados encerrou o primeiro semestre de 2026 com valorização superior à observada no mesmo período do ano passado. É o que aponta o IBV Auto, índice desenvolvido pelo banco BV para acompanhar a evolução dos preços dos automóveis leves usados no país.
Entre janeiro e junho deste ano, o indicador acumulou alta de 3,49%, acima do avanço de 1,98% registrado nos seis primeiros meses de 2025. Apenas em junho, os preços subiram 0,57%, resultado superior ao de maio (+0,43%), embora inferior à média mensal registrada no primeiro trimestre (+0,72%). No acumulado de 12 meses até junho, a valorização chega a 6,87%.
De acordo com o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o mercado segue aquecido, mas apresenta sinais de desaceleração em relação ao início do ano.
“O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem“, afirma.
Alta alcança todos os estados
O levantamento mostra que o aumento dos preços foi registrado em todas as regiões brasileiras durante junho. O Sudeste liderou a alta mensal, com avanço de 0,83%, enquanto o Centro-Oeste apresentou a menor variação, de 0,32%.
Os 27 estados registraram valorização dos automóveis usados no período. Minas Gerais apresentou a maior alta mensal, de 1,64%, ao passo que Mato Grosso do Sul teve a menor elevação, de 0,09%.
Considerando o acumulado dos últimos 12 meses, Minas Gerais também lidera o ranking nacional, com valorização de 8,48%, seguido por Rio de Janeiro (7,20%), Sergipe (7,08%) e Piauí (7,06%). Na outra ponta aparecem Mato Grosso (4,34%), São Paulo (5,27%) e Santa Catarina (5,38%), que registraram os menores aumentos.
Segundo o banco BV, o desempenho de Minas Gerais foi impulsionado principalmente pela forte valorização de modelos de grande volume de vendas, como o Chevrolet Onix e o Volkswagen Gol, cuja alta superou mais que o dobro da média nacional durante o semestre.
Kwid, Fox e Onix puxaram os preços
Entre os modelos que mais contribuíram para a aceleração do índice nacional em junho estão o Renault Kwid, o Volkswagen Fox e o Chevrolet Onix.
Em sentido contrário, Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 exerceram pressão negativa sobre o indicador no período.
Para o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, o comportamento do mercado evidencia diferenças cada vez maiores entre os modelos.
“A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores“, destaca.
VW Fox: um dos modelos que contribuíram para a aceleração do valor dos usados
Elétricos continuam liderando a desvalorização
O estudo também reforça uma tendência observada nos últimos anos: os automóveis elétricos seguem apresentando perdas de valor significativamente maiores do que híbridos e veículos com motor a combustão.
Entre os modelos lançados em 2023, os elétricos acumulam desvalorização média de 46,1% até junho de 2026. No mesmo intervalo, os híbridos perderam 26,1% de valor, enquanto os modelos equivalentes equipados exclusivamente com motor a combustão registraram queda média de 19,6%.
A diferença é ainda mais expressiva entre os veículos lançados em 2022. Nesse grupo, os elétricos acumulam desvalorização de 50,5%, contra 19,3% dos híbridos e 13,2% dos automóveis a combustão.
Segundo o banco BV, esse movimento é explicado principalmente pela redução dos preços dos veículos elétricos novos, pelo aumento da concorrência no segmento e pelas estratégias agressivas de precificação adotadas pelas montadoras para ampliar participação no mercado.
Como funciona o índice
O IBV Auto é calculado com base nas operações de financiamento realizadas pelo banco BV e utiliza uma metodologia que considera o volume financeiro das negociações, ponderando o peso de cada modelo conforme seu preço e representatividade nas vendas.
Além de acompanhar mensalmente a evolução dos preços dos veículos usados em cada região do país, o indicador também permite comparar a taxa de desvalorização entre automóveis a combustão, híbridos e elétricos de características equivalentes, oferecendo um retrato mais preciso do comportamento do mercado brasileiro de seminovos e usados.
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