Audi A2 e-tron será o modelo mais eficiente já criado pela marca
Novo elétrico compacto terá cerca de 190 cv, bateria LFP de 61 kWh e estreia mundial prevista para o segundo semestre de 2026
César Tizo - agosto 4, 2026
A Audi revelou os primeiros dados técnicos do novo A2 e-tron, modelo elétrico compacto que será apresentado oficialmente no segundo semestre de 2026. Segundo resultados preliminares do ciclo WLTP, o carro poderá registrar consumo de apenas 12,8 kWh/100 km, tornando-se o automóvel mais eficiente já desenvolvido pela marca.
O número é referente à configuração com motor elétrico de 140 kW, equivalente a cerca de 190 cv, equipada com um pacote de eficiência oferecido como opcional. O conjunto também contará com bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 61 kWh.
A fabricante ainda não informou a autonomia oficial do modelo, tampouco detalhou todas as versões que farão parte do catálogo. A estreia ocorrerá durante o outono no Hemisfério Norte, período compreendido entre setembro e dezembro.
O A2 e-tron será posicionado como o novo elétrico de entrada da Audi no segmento de compactos. Apesar de recuperar a denominação do monovolume produzido entre 1999 e 2005, a novidade adotará uma proposta inteiramente elétrica e alinhada à atual estratégia da marca.
Audi A2 e-tron
Aerodinâmica reduz o consumo
Uma das principais responsáveis pela eficiência do A2 e-tron será a aerodinâmica. A configuração de 140 kW com o pacote opcional terá coeficiente de arrasto de 0,24, o melhor resultado entre os modelos compactos da Audi.
A carroceria terá dianteira arredondada, linha de teto fluida e seção traseira definida para reduzir a resistência ao ar. A fabricante também aplicou cortinas de ar nas extremidades do para-choque dianteiro e elementos destinados a controlar o fluxo ao redor das caixas de roda.
Outro recurso será a entrada de ar ativa do sistema de refrigeração. Ela permanecerá fechada durante a condução normal e em velocidades elevadas, reduzindo o arrasto, mas poderá ser aberta durante a recarga, em acelerações intensas ou sob temperaturas externas elevadas para proteger a bateria e os componentes eletrônicos.
De acordo com a Audi, o conjunto das soluções aerodinâmicas reduz o consumo em até 0,9 kWh/100 km na comparação com uma unidade tecnicamente idêntica, mas sem o pacote de eficiência.
A importância do trabalho aerodinâmico aumenta em velocidades rodoviárias. Segundo a fabricante, a resistência do ar responde por mais de 50% da demanda energética de um automóvel a partir de aproximadamente 100 km/h.
Motor e eletrônica até 10% mais eficientes
O sistema de propulsão do A2 e-tron será até 10% mais eficiente graças a mudanças no motor, na eletrônica de potência e na transmissão.
O propulsor elétrico será do tipo síncrono de ímãs permanentes e terá como foco a redução do consumo no uso cotidiano. Na eletrônica de potência, semicondutores de carbeto de silício substituirão os componentes convencionais de silício, diminuindo as perdas durante a operação, sobretudo em cargas parciais.
A Audi também adotará frequência de comutação variável e técnicas alternativas de modulação. Dependendo da condição de funcionamento, essas medidas poderão reduzir as perdas de comutação em até 33%.
No motor, as lâminas do núcleo passarão de 0,3 mm para 0,2 mm, reduzindo as chamadas perdas no ferro. O enrolamento do estator também mudará da configuração estrela para delta, permitindo que o motor elétrico trabalhe por mais tempo em faixas de rotação mais eficientes.
A transmissão utilizará um novo óleo de baixa fricção e uma relação de 10,2:1. Segundo a Audi, essa relação mais longa reduz a rotação do motor em velocidades elevadas e contribui para diminuir o consumo.
Audi A2 e-tron
Bateria LFP poderá ser carregada até 100% no uso diário
A versão de 140 kW do Audi A2 e-tron utilizará uma bateria LFP de 61 kWh com arquitetura cell-to-pack. Nesse sistema, as células são integradas diretamente à estrutura do conjunto, dispensando módulos intermediários e permitindo melhor aproveitamento do espaço disponível.
De acordo com a Audi, a maior durabilidade da química LFP permitirá que os proprietários carreguem rotineiramente a bateria até 100% sem as mesmas preocupações de degradação associadas a outras composições. A tecnologia também oferece elevada estabilidade térmica e tende a conservar melhor sua capacidade ao longo do tempo.
A estratégia de refrigeração foi adaptada especificamente ao novo conjunto e permitirá eficiência de 89,6% durante a recarga em uma wallbox. Um algoritmo dedicado acompanhará o estado de carga e a condição de saúde da bateria.
Energia para a residência
O compacto também oferecerá recarga bidirecional. A função Vehicle-to-Load permitirá alimentar dispositivos elétricos externos diretamente pela bateria do carro, enquanto o sistema Vehicle-to-Home poderá usar o automóvel como uma unidade de armazenamento de energia para a residência.
A tecnologia Vehicle-to-Home estará disponível inicialmente na Alemanha, Áustria e Suíça e exigirá uma caixa de recarga recomendada pela Audi.
A fabricante ainda não confirmou o lançamento do A2 e-tron no Brasil. Como o modelo terá a missão de ampliar a presença da Audi entre os elétricos compactos e ocupar a faixa de entrada da marca, uma eventual comercialização no país dependerá da estratégia regional e do posicionamento de preço. A conferir.
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