Carros pelo Mundo | Haval H9 ganha preparação off-road na China; marcas poderão responder por carros autônomos
Acompanhe também: China avança na responsabilização por veículos autônomos e CATL compra rede de troca de baterias
César Tizo - agosto 25, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
Uma possível nova escalada comercial na América do Norte abre a edição desta terça-feira (25). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifa de 50% sobre automóveis, caminhões e componentes importados do Canadá a partir de 2027.
Na China, a BYD confirmou o lançamento do Sealion 08, SUV de até seis lugares que terá versões elétrica e híbrida plug-in. O país também começou a discutir uma atualização legal que poderá atribuir às fabricantes o tratamento das infrações cometidas por veículos em modo totalmente autônomo.
Completam o noticiário a expansão da CATL no segmento de troca de baterias para caminhões, uma versão modificada do Haval H9 e o acordo preliminar que poderá encerrar a paralisação nas fábricas sul-coreanas da Hyundai.
Trump ameaça tarifa de 50% sobre veículos canadenses
Donald Trump ameaçou elevar para 50% as tarifas norte-americanas sobre automóveis, caminhões e componentes importados do Canadá. A cobrança começaria em 1º de janeiro de 2027, caso a medida seja efetivamente implementada.
As negociações comerciais entre os dois países foram interrompidas na semana passada. O acordo discutido anteriormente reduziria de 25% para 15% a tarifa aplicada a automóveis e comerciais leves canadenses, além de diminuir a tributação sobre aço e alumínio.
A proposta fracassou, entre outros motivos, por divergências sobre a inclusão dos caminhões médios e pesados. O Canadá anunciou que aplicará tarifas retaliatórias sobre determinados produtos norte-americanos a partir de 8 de setembro.
A ameaça provocou queda nas ações das fabricantes. Ford e Stellantis recuaram 3,6% e 4,2%, respectivamente, enquanto General Motors, Toyota e Honda também perderam valor.
Canadá e Estados Unidos mantêm uma das cadeias automotivas mais integradas do mundo. Veículos e componentes podem cruzar a fronteira várias vezes durante o processo industrial, o que significa que a tarifa também elevaria os custos de produtos montados nos Estados Unidos.
A medida ainda não foi formalizada, mas poderá afetar diretamente fábricas e fornecedores de Ford, General Motors, Stellantis, Toyota e Honda. Para o Brasil, o risco está na redistribuição dos investimentos globais dessas companhias e no encarecimento de componentes compartilhados entre operações regionais. Em sentido contrário, uma reestruturação da produção norte-americana poderá criar oportunidades de exportação para unidades instaladas em outros países.
BYD Sealion 08 terá até 900 km de autonomia
A BYD confirmou que lançará o Sealion 08 na China em 2 de setembro. O SUV ocupará o topo da linha Ocean e terá configurações elétrica e híbrida plug-in, com opções de cinco ou seis lugares.
O modelo mede 5.115 mm de comprimento, 1.999 mm de largura, 1.800 mm de altura e 3.030 mm de distância entre-eixos. O porte é superior ao do Sealion 7 vendido no Brasil e aproxima o novo produto dos grandes SUVs familiares.
Na versão elétrica, os motores traseiros poderão desenvolver 320 kW ou 370 kW, equivalentes a 435 cv e 503 cv. A configuração com tração integral acrescentará um motor dianteiro de 215 kW ao propulsor traseiro de 370 kW, totalizando 585 kW (795 cv instalados).
As baterias LFP terão 92,093 kWh ou 115,072 kWh. Dependendo da configuração, as autonomias declaradas serão de 710 km, 800 km ou 900 km pelo ciclo chinês CLTC.
O híbrido plug-in utilizará um motor 1.5 turbo de 115 kW, equivalentes a 156 cv, acompanhado por um ou dois motores elétricos de 200 kW, cerca de 272 cv cada. A autonomia elétrica variará de 275 km a 300 km pelo ciclo WLTC e poderá alcançar 400 km pelo CLTC.
A lista tecnológica inclui a segunda geração da bateria Blade, recarga ultrarrápida, integração estrutural Cell-to-Body, esterçamento das rodas traseiras, suspensão pneumática de duas câmaras e sistema DiSus-A de controle da carroceria. O pacote de assistência à condução será o God’s Eye 5.0.
Na cabine, a configuração de seis lugares terá poltronas individuais na segunda fileira, tela de teto de 21,4 polegadas, sistema de som Devialet com 25 alto-falantes, refrigerador e mesas retráteis.
A BYD comercializa no Brasil o Sealion 7, além de SUVs maiores como Atto 8 e Tang. Não existe confirmação sobre a vinda do Sealion 08, mas o porte, a configuração híbrida plug-in e o caráter tecnológico do projeto tornam o modelo relevante para a futura renovação da gama premium da marca no país.
BYD Sealion 08 – Imagem: Autohome
China discute responsabilidade das fabricantes na condução autônoma
A China iniciou a análise de uma revisão da Lei de Segurança no Trânsito que estabelece regras específicas para automóveis com condução autônoma.
O projeto possui nove capítulos e 170 artigos. Uma nova seção trata das condições para circulação desses veículos em vias públicas, das infrações de trânsito e das exigências de seguro.
Pela proposta, fabricantes ou importadores ficariam responsáveis por tratar as infrações cometidas enquanto o veículo estivesse operando em modo totalmente autônomo. Isso não significa, entretanto, que todas as indenizações decorrentes de acidentes seriam automaticamente transferidas às empresas.
O texto diferencia a condução autônoma dos sistemas de assistência disponíveis atualmente. Quando a função autônoma não estiver ativada, ou quando o automóvel possuir apenas assistência ao motorista, as regras convencionais continuarão válidas e o condutor permanecerá responsável.
A identificação do modo que estava ativado no momento da ocorrência será um ponto central. O resumo público do projeto ainda não explica como os dados registrados pelo veículo serão acessados ou utilizados como prova em disputas.
A proposta encontra-se em análise inicial e poderá receber alterações. A China também aprovou um padrão técnico obrigatório para sistemas autônomos de níveis 3 e 4, que entrará em vigor em 1º de julho de 2027.
O debate deverá servir como referência para outros países. No Brasil, a expansão de automóveis com assistência avançada exigirá definições sobre responsabilidade civil, acesso aos dados do veículo, homologação dos sistemas e limites entre condução assistida e autônoma.
CATL avança na troca de baterias para caminhões
A CATL assinou um acordo para adquirir 24,8% da Qiyuan Green Power, maior operadora chinesa de redes de troca de baterias para caminhões pesados.
O negócio envolve 2,556597 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 370 milhões. Após a conclusão dos registros, a CATL deverá tornar-se a maior acionista individual da empresa.
A Qiyuan Green Power possuía mais de 1.600 estações de recarga e substituição de baterias em 208 cidades ao fim de 2025. Os caminhões atendidos pela rede já haviam percorrido mais de 4,4 bilhões de quilômetros.
Sua tecnologia utiliza módulos posicionados atrás da cabine e é compatível com mais de 80% dos caminhões elétricos chineses preparados para troca de baterias. A solução aparece principalmente em portos, minas, siderúrgicas e obras, onde os veículos circulam em rotas previsíveis.
A CATL também possui o sistema Qiji, no qual a bateria fica instalada sob o chassi. Essa alternativa foi desenvolvida para caminhões padronizados que operam em rodovias. A empresa mantinha aproximadamente 300 estações desse tipo ao fim de 2025 e pretende alcançar 900 unidades em 2026.
A troca elimina a espera pela recarga, fator importante para caminhões que precisam permanecer em circulação por longos períodos. Sua adoção, porém, exige padronização das baterias, grande investimento em infraestrutura e volume suficiente de veículos.
No Brasil, onde o transporte rodoviário concentra a maior parte do deslocamento de cargas, a tecnologia poderá ser considerada inicialmente em portos, minas e corredores logísticos fechados. Não existe anúncio de implantação local por parte da CATL ou da Qiyuan.
Haval H9 ganha versão preparada para off-road
A GWM lançou na China a edição Li Hun do Haval H9, apresentada como uma versão modificada oficialmente pela fabricante para uso fora de estrada extremo.
O modelo recebeu nova grade, capô com ressaltos, rodas de 18″ e pneus de uso misto na medida 265/65 R18. A altura livre do solo chega a 236 mm, enquanto a capacidade de travessia de trechos alagados é de 800 mm.
O H9 Li Hun mede 5.070 mm de comprimento, 1.976 mm de largura, 1.960 mm de altura e 2.850 mm de distância entre-eixos. O porta-malas oferece 791 litros e chega a 1.814 litros com a segunda fileira rebatida.
Na China, há motores 2.0 turbo a gasolina de 165 kW, equivalentes a 224 cv, além do 2.4 turbodiesel já conhecido no Brasil. O primeiro trabalha com câmbio automático de oito marchas, enquanto o diesel utiliza uma transmissão de nove velocidades.
A preparação inclui bloqueios dos diferenciais dianteiro e traseiro, bloqueio mecânico central, nove modos de condução, função de giro sobre o próprio eixo e controle de velocidade para trilhas. A capacidade de reboque declarada é de 2,5 toneladas.
Os preços promocionais variam de 214.900 a 232.900 yuans. A GWM não confirmou a exportação da edição especial.
O Haval H9 já é comercializado no Brasil por R$ 335 mil, equipado com motor 2.4 turbodiesel de 184 cv, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4. A versão Li Hun seria uma possibilidade para ampliar a gama com uma proposta mais especializada, mas não existe anúncio de lançamento local.
GWM Haval H9 edição Li Hun
Hyundai chega a acordo preliminar e evita novas paralisações
A Hyundai e o sindicato de seus trabalhadores sul-coreanos chegaram a um acordo salarial preliminar, reduzindo o risco de novas paralisações nas fábricas da companhia.
A negociação prevê reajuste de 4,1% no salário-base, bônus de desempenho equivalente a 400% do salário e pagamentos adicionais. A idade para aposentadoria poderá ser ampliada além dos atuais 60 anos, caso ocorra a alteração necessária na legislação.
A fabricante também contratará 500 novos trabalhadores técnicos por ano entre 2027 e 2028. Empresa e sindicato continuarão discutindo os efeitos da inteligência artificial, da automação e dos novos negócios sobre os empregos.
O acordo ainda precisa ser aprovado pelos trabalhadores em votação marcada para a próxima segunda-feira. Portanto, o encerramento definitivo da disputa não está garantido.
As paralisações iniciadas em julho afetaram a produção de aproximadamente 55.200 veículos. Uma nova greve poderia comprometer o fornecimento de automóveis e componentes sul-coreanos, incluindo modelos destinados à exportação.
A Hyundai produz no Brasil, mas importa determinados veículos e peças da Coreia do Sul. A normalização reduz o risco de atrasos, embora a empresa não tenha informado qualquer impacto específico sobre sua operação brasileira.
A edição de hoje mostra uma indústria pressionada simultaneamente por disputas comerciais, transformações tecnológicas e mudanças nas relações de trabalho. Enquanto China acelera lançamentos e regulamentações, fabricantes tradicionais precisam proteger cadeias produtivas que atravessam fronteiras e preparar suas operações para um cenário cada vez mais automatizado.
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