Carros pelo Mundo | Novo Lexus NX plug-in supera 100 km elétricos; China tenta frear guerra de preços
BYD amplia exportações, VinFast revê localização de três modelos na Índia e Ford convoca 148 mil Mustang nos Estados Unidos
César Tizo - setembro 1, 2026
As principais novidades, lançamentos e movimentos da indústria automotiva internacional que podem interessar ao mercado brasileiro
A Lexus apresentou nesta terça-feira, 1º de setembro, o novo NX, que chegará aos primeiros mercados no fim de 2026. O SUV terá uma geração atualizada dos sistemas híbrido e híbrido plug-in, com potência de até aproximadamente 326 cv e mais de 100 km de autonomia elétrica pelo ciclo WLTP.
A expansão internacional das fabricantes chinesas também ganhou uma nova orientação oficial. Três órgãos do governo publicaram diretrizes que recomendam preços coerentes com custos e condições locais, além de alertarem contra mudanças agressivas capazes de prejudicar consumidores e a imagem das marcas.
A BYD ilustra a importância dos mercados externos nessa estratégia: quase 190 mil veículos foram enviados para fora da China em agosto. Completam a edição a revisão dos projetos industriais da VinFast na Índia e um recall do Ford Mustang por risco de perda de potência e de funções elétricas.
Novo Lexus NX terá até 326 cv e recarga rápida
A Lexus apresentou mundialmente o novo NX, previsto para chegar a diferentes mercados a partir do fim de 2026. Ainda não existe confirmação sobre o cronograma brasileiro.
O SUV mede 4.690 mm de comprimento, 1.865 mm de largura, 1.660 mm de altura e possui 2.690 mm de distância entre-eixos. O comprimento cresceu 30 mm, enquanto as demais medidas principais foram mantidas.
Lexus NX350h AWD 2027
A linha terá as configurações 450h+ híbrida plug-in, 350h híbrida com tração integral, 350h híbrida com tração dianteira e 300h híbrida. Dependendo da versão e do mercado, a potência combinada provisória variará de 145 kW a 240 kW, equivalentes a 197 cv e 326 cv.
O NX 450h+ poderá entregar entre 215 kW e 240 kW, cerca de 292 cv a 326 cv, e acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 6 segundos. A bateria de íons de lítio teve a capacidade ampliada em 30% e a potência elevada em 8% na configuração norte-americana.
A autonomia elétrica projetada supera 100 km pelo WLTP europeu, 140 km pelo WLTC japonês e 40 milhas, aproximadamente 64 km, pelo ciclo norte-americano EPA. Os números ainda são provisórios e variam conforme a homologação de cada região.
Lexus NX350h AWD 2027
Pela primeira vez, o híbrido plug-in também aceitará recarga rápida em corrente contínua. A Lexus ainda não divulgou a capacidade exata da bateria nem o tempo necessário para carregá-la.
O sistema híbrido utiliza um novo e-Axle que reúne transmissão, motor elétrico e unidade de controle de potência. O inversor emprega semicondutores de carbeto de silício para reduzir perdas elétricas, enquanto a rigidez do assoalho foi ampliada em aproximadamente 25%.
A cabine recebeu um sistema que coordena iluminação, música, climatização, temperatura dos bancos e fragrâncias. O pacote Lexus Safety System+ também ganhou sensores com maior campo de visão e alcance.
A Lexus comercializa atualmente no Brasil o NX 350h e o NX 450h+ plug-in, este último com potência combinada declarada de 308 cv. A presença das duas motorizações torna o novo modelo um candidato natural ao mercado nacional, mas a fabricante ainda não anunciou sua chegada.
Lexus NX350h AWD 2027
China orienta montadoras a evitar guerra de preços no exterior
Os ministérios do Comércio e da Indústria da China, em conjunto com a Administração Estatal de Regulação do Mercado, publicaram diretrizes para as operações internacionais das empresas automotivas do país.
O documento orienta as fabricantes a definir preços com base nos custos e nas condições de cada mercado. Também recomenda evitar mudanças frequentes ou reduções acentuadas que concedam vantagens competitivas consideradas injustas ou prejudiquem consumidores e a reputação das marcas chinesas.
As empresas deverão reforçar controles contra monopólio e corrupção, apresentar informações publicitárias verdadeiras e cumprir legislações trabalhistas, ambientais, tributárias e de proteção de dados nos países em que atuam.
As diretrizes possuem caráter orientativo e não equivalem a uma proibição geral de descontos. Elas sinalizam, porém, que o próprio governo chinês procura reduzir práticas capazes de alimentar acusações de concorrência predatória e provocar novas barreiras comerciais.
A medida tem relação direta com mercados como o brasileiro, onde BYD, GWM, Chery, Geely e outras fabricantes chinesas ampliam operações, redes de concessionárias e projetos industriais. Uma política de preços menos instável também poderá reduzir a desvalorização precoce dos automóveis e melhorar a previsibilidade para consumidores e revendedores.
Segundo dados oficiais citados pelo governo, a China exportou 8,32 milhões de veículos em 2025 para mais de 200 países e regiões. Empresas chinesas mantêm projetos de fabricação ou montagem automotiva em mais de 80 mercados.
Exportações já representam 43% das vendas mensais da BYD
A BYD comercializou globalmente 440.293 veículos em agosto, crescimento de 17,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o quarto avanço mensal consecutivo na comparação anual.
Os envios para mercados externos alcançaram 189.466 unidades, alta de 134,5%. Esse volume corresponde a aproximadamente 43% das vendas globais registradas pela companhia durante o mês.
A expansão internacional compensou a demanda mais fraca na China e ajuda a explicar por que a fabricante mantém uma sequência de lançamentos, fábricas e operações de montagem fora de seu país de origem.
No primeiro semestre, a BYD obteve pela primeira vez mais receita no exterior do que no mercado chinês. A mudança também favoreceu a margem bruta, pois os automóveis exportados ou comercializados por operações internacionais normalmente possuem maior valor médio.
O Brasil foi citado pela Reuters como o maior mercado da BYD fora da China. A operação de Camaçari e o desenvolvimento de uma configuração híbrida plug-in flex reforçam a importância do país nesse processo.
Os números também contextualizam as novas diretrizes chinesas. Quanto maior a dependência das vendas internacionais, maior será a preocupação de Pequim com reputação, assistência pós-venda, estabilidade de preços e cumprimento das normas locais.
VinFast suspende localização de três modelos na Índia
A VinFast suspendeu o desenvolvimento local de componentes para três automóveis elétricos na Índia, segundo fontes e um memorando interno examinados pela Reuters.
Os projetos envolvem o compacto VF 3 e os SUVs VF 6 e VF 7. Fornecedores receberam a orientação de interromper temporariamente as atividades enquanto a fabricante vietnamita revisa os custos.
A empresa não confirmou diretamente a suspensão dos programas industriais. Em resposta à Reuters, afirmou que não alterou os planos dos VF 6 e VF 7 já comercializados na Índia e que continuará realizando a montagem dos dois modelos com conjuntos importados do Vietnã.
A fábrica indiana foi inaugurada em 2025 com capacidade inicial para 50 mil automóveis por ano, expansível para 150 mil. A VinFast havia anunciado investimentos de US$ 2 bilhões para transformar o país em uma base destinada à Índia, ao Oriente Médio e à África.
A companhia vendeu aproximadamente 10 mil veículos no mercado indiano desde sua estreia, parte deles destinada à empresa de transporte por aplicativo Green SM, que pertence ao mesmo grupo econômico.
A revisão mostra a dificuldade de alcançar escala suficiente para localizar componentes e reduzir custos. O caso merece atenção na América Latina porque novas fabricantes também avaliam modelos de importação, montagem e nacionalização progressiva, cujo sucesso depende de volume, fornecedores e previsibilidade comercial.
Ford convoca 148.663 Mustang por risco de perda de potência
A Ford fará um recall de 148.663 unidades do Mustang nos Estados Unidos. A campanha abrange veículos dos anos-modelo 2024 a 2026.
Conexões de aterramento do chicote elétrico no compartimento do motor podem apresentar problemas. A falha poderá provocar perda da potência de tração ou interromper o funcionamento dos faróis, lavador do para-brisa, ar-condicionado e ventilador de arrefecimento.
A perda de propulsão ou de recursos relacionados à visibilidade aumenta o risco de acidente. As concessionárias norte-americanas substituirão gratuitamente os terminais de aterramento envolvidos.
O Mustang vendido no Brasil é importado, mas não existe confirmação de que unidades destinadas ao mercado nacional façam parte da campanha. Uma eventual convocação local precisará ser comunicada oficialmente pela Ford do Brasil e registrada junto à Secretaria Nacional do Consumidor.
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As notícias desta edição mostram que a expansão internacional deixou de depender apenas do lançamento de novos carros. Fabricantes também precisam controlar preços, localizar componentes, estruturar assistência e garantir a conformidade de produtos cada vez mais dependentes de sistemas elétricos e eletrônicos.
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